sábado, 15 de agosto de 2026

Capítulo 14: Na escuta, na escuta?

 


Capítulo 14: Na escuta, na escuta?


Pouco tempo depois da saída da equipe de busca. 20:53.


O bunker tá em silêncio. Não é paz. É peso.


Maria tá cabisbaixa, sentada no sofá da sala. Olho no chão. Mãos entrelaçadas, apertando até os dedos ficarem brancos.


Beatriz se achega. Senta na beirada do sofá. 


Não fala nada de cara. Só fica ali.


“Maria?”, Beatriz chama baixo.


Maria não levanta a cabeça. “É tudo culpa minha.”


“Que que cê tá falando?”


“Eu fui conivente, Beatriz.” A voz dela quebra. “Eu sabia dos riscos. Eu entendi o que tava vindo. E mesmo assim deixei acontecer. Deixei todo mundo entrar nisso. O Sérgio, o Mike... até os meninos.” O choro vem de uma vez. Engasgado, doído. “Parece que tudo isso... é culpa só minha.”


Beatriz puxa ela pro abraço. Acaricia o cabelo. “Não fala assim. Ninguém sabia de nada. Nem você.”


Maria chora no ombro dela. “Mas eu devia saber. Eu sou a cientista. 


Era pra eu ter previsto.”


Beatriz espera o choro diminuir. Respira fundo. Muda o tom. “Tô preocupada com o Apolo.”


Maria se afasta um pouco, enxuga o rosto. “Por quê?”


“Ele é impulsivo demais, Maria. Cê viu como ele ficou quando o Mike mandou ele ficar. Se der alguma merda lá fora, ele vai querer sair correndo. E com esses cadernos na mão...”


Maria abaixa a cabeça. Fica em silêncio uns segundos. Depois solta: “Eu também amo alguém impulsivo.”


Beatriz arregala o olho. “Quem?”


Maria respira fundo. “Em toda minha vida, eu tive uma prioridade: ciência. Ser como meu pai, como meu avô. Carregar o legado. Poucas vezes eu senti que... gostei de alguém de verdade. Eu achei que tinha conhecido o amor. Lark Andersen.” Maria balança a cabeça. “A gente estudou junto quando criança. Formamos juntos. Ele conhecia minha família por minha causa. Mas a gente nunca evoluiu. O amor dele, o meu... a ambição tava toda voltada pra ciência. A gente escolheu o laboratório.”


Maria olha pro chão de novo e diz: “Eu não sei lidar com o que eu sinto porque a pessoa que eu nunca pensei que ia amar vive pra lá e pra cá limpando arma, resmungando, tomando cerveja e fumando cigarro. Totalmente diferente de uma pessoa como o Lark, que era intelectual. Mas o Lark vendeu sua alma, enquanto o Mike quase perdeu a sua vida por mim.” Ela engole seco e disse: “Eu amo o Mike. Ele é o impulsivo que eu amo.”


Beatriz fica boquiaberta por dois segundos. Depois ri, sem humor, pra quebrar o peso. “Cê descobriu essa face do Apolo agora. Eu descobri a do General faz tempo.”


As duas dão um meio sorriso. Triste, mas verdadeiro.


Aí ouvem.


Um choro. Abafado. Vindo da cozinha do bunker.


Elas se levantam na hora. Vão até lá.


Marcos tá no chão. Posição fetal, encostado na parede da pia. Chorando compulsivo, ombro tremendo.


Beatriz e Maria se abaixam. Cada uma pega numa mão do garoto.


“Vem, Marquinhos”, Beatriz chama baixo. “Vamos até o sofá.”


Ele balança a cabeça, negando. A voz sai entre soluços: “Não consigo... acreditar em Deus. Deus deixou isso acontecer com meu vô. Deixou todas essas tragédias. Não é possível que exista um Deus bom. Igual o Pastor de Josué falou na célula na casa de Josué.”


Beatriz abraça ele. “Marcos, não é tempo de ficar tentando achar culpados numa situação como essa. É muito difícil pensar, se quer. Então julgar algo... se acalma.”


Maria fica quieta um segundo. A Maria cética. A cientista sem coração. Ela se abaixa na altura do Marcos. Olha no olho dele.


“Marcos, não é porque Deus tenha permitido tudo isso que essa seja a vontade Dele. Talvez Ele esteja aguardando o tempo certo. Depois de tudo que eu vi, não existe possibilidade lógica de não existir alguém por trás de todas essas coisas. Maior do que as coisas que vieram acontecer.”


Ela puxa o garoto e abraça. “Fica calmo.”


Marcos respira fundo no ombro dela. O choro diminui. O corpo relaxa.


Após o abraço, eles se afastam devagar.


Aí tudo dá errado.


As lâmpadas começam a piscar. Frenético. O alarme de movimentação externa dispara. Um som agudo, cortando o bunker.


Maria, Beatriz e Marcos se jogam contra a parede. Se abaixam. Esperam o pior.


Apolo sai do laboratório correndo. Na mão, um protótipo novo. Um holofote de 2.000W com lâmpadas UVC acopladas. Junto, duas caixas de som relativamente altas, ligadas num gravador. A frequência 963Hz começa a ecoar, grave, preenchendo o bunker.


Ele se posiciona na frente delas. O holofote e o som formam um escudo.


As lâmpadas param de piscar. Tudo volta ao normal. Silêncio.


Aí ouvem.


Passos. Firmes. Em cima do bunker. Pesados, mas não humanos. 


Apolo sussurra: “Silêncio.”


Pou. Pou. Pou.


Os passos continuam. Depois um grunhido. Grave, abafado. Do lado de fora.


O som dos passos some. Rápido. Velocidade absurda.


Breve silêncio.


Aí vem outro som. De longe. Um cervo sendo atacado. Um berro agudo, cortado no meio.


Todos ficam apavorados. Paralisados.


O som some. Silêncio absurdo de novo.


Eles começam a se levantar devagar.


Apolo diz: “Eu preciso fazer uma ronda.” Ele já tá com as duas pistolas na mão. Entrega o protótipo ligado pra Beatriz. “Fica com isso.”


Ele some pelos corredores do bunker. O resto fica intenso. Respirando baixo.


Depois de algum tempo, Apolo volta. “A barra tá limpa.”


No momento em que ele diz isso, o rádio do laboratório chia.


Maria trava. Estado de choque e alerta. “Mike.”


Ela levanta e sai correndo pro laboratório improvisado. Todos atrás.


Ela roda o botão de frequência. Nada. Volta pra posição anterior. Chiado de novo.


E do chiado, a voz de Sérgio sai. Baixa. Urgente. Desesperada:


“Na escuta. Na escuta.”


Maria responde com a voz desesperada: “Tá tudo bem?”


Sérgio responde: “Tenho notícias. Nós acabamos não nos comunicando quando chegamos. Nos desculpe pela falta de notícias. Então, exatamente como o pai do Jonathan e do Marcos disse, tá a casa do avô deles. Uma destruição absurda. Portas arrancadas, animais mortos, um cheiro horrível de sangue podre e cadáveres que estão espalhados por todo o terreno. Porém, eu tenho novidades. Coletei algumas amostras dessa gosma que ele havia dito e posso afirmar: é algo que não pertence a essa dimensão. Claramente.” A voz de Sérgio saía falando em movimento. “Porém...”, ele continuou. “Nos encontramos aqui uma porta que leva para um subsolo da casa do avô de Jonathan. Que se lembrou de uma porta chamada de casa de pólvora, que na verdade é uma entrada para um subsolo. Estamos descendo. Preciso desligar o rádio.”


Maria responde desesperada: “Sérgio! Sérgio! Não desligue! Fale conosco! Eu preciso de informações! Como vai que tá e já.”


O rádio corta. Não sai mais som do buzzer. 0.0.


Maria se levanta rapidamente, de forma nervosa. “O que diabos esses homens têm que eles não conseguem finalizar uma conversa?”


Marcos corta a cena, puxando a blusa de Maria. “Você pode me deixar fazer algumas pesquisas do seu notebook?”


Maria olha pra Marcos. Ele estava visualmente diferente. O semblante estava diferente. Ela assente e leva o garoto até o seu notebook. Rapidamente, ele começa as suas pesquisas.


Enquanto isso, Maria volta os olhos para Apolo, que estava abraçando Beatriz. E ela aperta os próprios braços e fica com um olhar perdido. Enquanto sussurra: “Mike, onde você está?”


A cena muda.


Mike à frente, com a sua calibre doze na mão.


Atrás dele, Jonathan que estava perdido em olhares. Pois nunca tinha visto aquela parte da casa do seu avô.


E Sérgio, colocando o rádio no cinto.


Ao término dessa escada eles dão direto de frente com um corredor. Nesse corredor as luzes de segurança estão totalmente apagadas. Não há som. E eles seguem apenas com as luzes da lanterna UVC ligadas e apontadas em direção à frente. Enquanto Sérgio segura o protótipo dentro da sua mochila, que estava posicionada de frente ao seu corpo e não nas suas costas. O dedo estava trêmulo em cima do botão, enquanto o protótipo estava em ponto de funcionamento. Só o que se ouve nesse corredor é apenas respiração pesada. O corredor estava limpo. Não tinha sinais da entrada de ninguém.


Mike olha para Sérgio e pergunta: “Cê fechou a porta na hora que a gente entrou?”


Sérgio disse: “Sim. Bati a porta.”


Então eles se deparam no final do corredor com uma bifurcação. O corredor era estreito, porém tinha um percurso grande. E ao chegar nessa bifurcação, eles se perguntam: “E agora? Qual lado?”


Sérgio disse: “Vamos pela direita.” Enquanto Jonathan fica perdido entre qual lado gostaria de ir. Mike diz: “Vamos, Jonathan. Para de ficar olhando em volta. Precisamos encontrar algum vestígio.”


Jonathan volta para a realidade. Seus olhos enchem de água e ele fala baixinho: “Vô.”


Eles ouvem um barulho vindo da direita. Como se fossem cabos de vassoura caindo. Mike levanta sua arma e disse: “Fiquem atrás de mim.” E segue.


Esse corredor era um corredor menor. Logo eles chegam com uma porta comum. E quando eles abrem essa porta, eles se deparam com o avô dos garotos. Ferido gravemente no pescoço e braço esquerdo. Mas com uma arma diferente nas mãos. Muito fraco e perdendo sangue, mesmo com um torniquete no braço.


Mike disse: “Senhor Artur? Senhor Artur, é você? Responda-me.” E o senhor vira o rosto para ele e balança a cabeça.


Então eles saem correndo em direção ao Senhor Artur. Mike rapidamente aperta o ferimento e pede para que Sérgio prepare para usar o Domo de defesa. Mike, sem evitar, coloca Senhor Jankolski nas costas. Todos se preparam para sair dali o quanto antes. Eles marcham em velocidade acelerada até a porta. Enquanto Artur balbucia palavras e diz: “Vocês não têm noção do que está à solta.”


Mike disse: “Senhor Artur, poupe suas palavras. Primeiro vamos chegar à nossa base e lá o senhor vai ficar melhor e vai poder nos explicar com muito mais detalhes.” Artur concorda com a cabeça e com o seu olhar e desmaia nas costas de Mike.


Enquanto isso, Jonathan enxuga as lágrimas e segue a princípio. Juntamente a Sérgio, que continua trêmulo, porém agora aguardando sair do subsolo. Aonde ele começa a perceber que Artur estava utilizando no subsolo de sua casa, no bunker dele, a mesma frequência que Marcos havia dito quando começaram a pesquisar formas de defesa. A frequência 963.


Eles saem até a escada. E ao subir a escada, Sérgio pega o cartão, passa na frente deles e passa. E diz: “Acesso negado.” Então eles ficam olhando um para os outros. “E agora?” E Mike diz: “Sr. Artur, acorde. Como saímos daqui?”


Enquanto isso, Sérgio nem olha para Mike. Ele vê os três botões posicionados ao lado da porta. O primeiro botão ele aperta 9 vezes. O segundo botão ele aperta 6 vezes. E o terceiro botão ele aperta 3 vezes. A porta abre instantaneamente. E eles saem em direção ao carro.


Chegando do lado de fora do rancho, eles notam que a casa dos Mackenzie estava totalmente sem energia. As janelas apagadas, nenhum sinal de luz. O breu engolia a estrutura inteira, como se a casa tivesse sido arrancada da existência. Nem a lâmpada da varanda piscava. Só escuridão. Rapidamente eles ajeitam Senhor Artur. Sentam Jonathan de um lado, Sérgio do outro, segurando a toalha que estancava o sangramento.


Mike dá partida no carro, que liga instantaneamente. Ele acelera. Enquanto isso ele disse: “Sérgio, já aperta esse botão.” E quando o Sérgio aperta o botão, o Domo toma completamente o carro. Assustando a eles, porque Mike pensava que o Domo de segurança não comportaria totalmente o carro. Porém ele se adaptou ao tamanho do carro.


Artur olha para a mão de Sérgio e disse: “Você é o garoto estranho que anda com Marcos e com o Jonathan. Eu prometo que nunca mais te chamo de estranho.”


“Na verdade, você não é tão estranho pra mim. Você me lembra alguém... Eu só não consigo lembrar o nome, mas...” E Sérgio disse: “Eu sou da família do Alcides.”


Então Artur, com a voz fraca, disse: “General Alcides? Eu não acredito...” Porém Jonathan corta a conversa e diz: “Vô, apenas respira. Você está fraco. Precisa repousar. Vamos chegar. Por favor, só aguente.”


Mike estava tenso, segurando o volante, pensando que o Domo estava sendo testado pela primeira vez agora. Eles nem perceberam se a bateria estava subindo ou descendo, se mantendo. Eles só queriam chegar na base.


Porém, enquanto eles estavam na estrada acelerando, passa e vem um carro preto. Uma SUV que estava vindo na direção oposta com vidros filmados. O carro passa em alta velocidade ao lado da SUV enquanto ela freia brutamente e começa a fazer o contorno para vir atrás do carro deles. Então Mike engata a quarta e acelera no máximo. Pede para que se segurem e começa uma perseguição.


Mike toma um outro caminho e sobe para o lado das Colinas. Enquanto a SUV começa a seguir. Mike faz o contorno pelo caminho das Colinas, ganhando muito espaço de distância da SUV, e entra em um túnel que dá próximo ao lago. Enquanto a SUV passa direto, mas percebe que eles não estão à frente e volta para trás pelo túnel. Mas Mike dá a volta e acelera o máximo que pode na reta, voltando para a estrada e entrando para o lado das lanchonetes.


E ele começa a perceber que no caminho muitas casas estão desligadas. Enquanto isso, ele estava olhando para os lados. Ele atropela algo.


Um corpo totalmente negro, cor de pixe.

Fica caído na estrada. Não era gente. Bateu no Domo e caiu. Mike dentro de si disse: “Teste concluído com sucesso. Domo funciona.” E continua acelerando sentido à clareira, aonde fica a entrada escondida do bunker.


Logo ele entra, dessa vez com o carro, para dentro do compartimento de segurança do Bunker, que foi acionado com sucesso. Logo a entrada se fecha. E eles ouvem, do lado de dentro da parte de segurança do Bunker, os carros passando em alta velocidade por ali. O que significa que eles não estão 100% seguros.


Então os garotos descem, tirando o Senhor Artur, carregando ele nos seus ombros até a escada que dá acesso à porta interna do Bunker. 


E Sérgio dá o rádio para Mike, que chama: “Apolo, na escuta. Abra a porta rápido.”


Apolo estava sentado no sofá ao lado de Beatriz, passando a mão na cabeça de Marcos que havia se deitado em seu colo e dormindo. Ele deixa a cabeça do garoto no colo de Beatriz e sai correndo. Porém Maria chega primeiro.


Maria pega o comunicador e responde: “Mike, onde você está?” Ele disse: “Maria, abre essa porta!” E Apolo, vendo que ela já tinha atendido, corre para a porta e faz a combinação e abre a porta.


O que eles veem: Mike sujo de sangue, com rádio na mão, a 12 pendurada junto ao seu pescoço por uma bandoleira, e os garotos carregando Artur Jankolski em seus braços.


Com o barulho de Mike entrando, Marcos desperta quando Beatriz se levanta a pedido de Apolo. Corre Beatriz. Então Marcos se assusta e corre junto. E quando ele vê o seu avô na situação que estava, Marcos se ajoelha e disse: “Muito obrigado, meu Deus. A partir de hoje eu sou todo seu!!!”

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Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...