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domingo, 16 de agosto de 2026

Capítulo 16: O eco que não Dorme.




 Capítulo 16: O Eco que não dorme.


23:47. Bunker....


O ar estava pesado por conta dos ocorridos.


As luzes vermelhas de emergência estavam apagadas; só restava a lâmpada amarela da cozinha, fraca, jogando sombras longas nas paredes de concreto.


Pela primeira vez em quase vinte e quatro horas, ninguém corria. Ninguém gritava. 


Ninguém apontava uma arma.


Beatriz trocava o curativo no pescoço de Artur com mãos firmes, mas com a delicadeza de quem fez isso por muitos anos e entende bem o protocolo de atendimento de primeiros socorros.


O velho respirava devagar, olhos entreabertos, ainda zonzo efeitocolateral do uso de adrenalina e perda de sangue. 


Mike estava encostado na parede do laboratório, calibre doze apoiada no ombro como se fosse uma muleta. 


Maria ao lado dele, ombro tocando o dele — um toque pequeno, quase tímido, mas que dizia tudo o que não precisava ser dito.


Apolo e Sérgio sentados no chão, costas na bancada, olhando o nada. 


Marcos dormia encostado em Jonathan, exausto.

Jonathan por sua vez estava a olhar na direção da maca.


Depois de tudo ele voltou ao Buzzer 0.0. 

Dedos sujos de terra giravam o dial devagar, teimoso, como se a frequência fosse corresponder sua vontade..


— Base Arara… aqui é Jankolski. 

Código familiar 7-7-1. Câmbio.


Chiado.


Ele repetiu. 

Voz rouca, mas ainda sim resiliente.


De repente, o chiado mudou. 

Virou um estalo limpo. 


E então uma voz, cansada, mas viva.


— Marcos? Filho… é você?


Marcos quase caiu da cadeira onde estava sentado, e com um pul repentino que despertou Marcos ele disse:


— Pai!


No bunker inteiro o ar mudou todos se aproximaram, mas em silêncio, como se tivessem medo de quebrar o milagre.


A voz do pai saiu entrecortada, cheia de estática, mas clara o suficiente:


— Conseguimos, filho. 


Estamos a caminho de chegar a Amazônia. 

O General Alcides está nos levando em um avião particular.

 

Chegamos em duas horas.

O jipe do Alcides está na pista de pouso estamos a salvo.


 Então uma voz rouca diz no fundo parem de falar já é suficiente.. A frequência pode estar grampeada.

Disse ele sem saber que estavam a usar uma frequência alternada por Jankolski 


Marcos sorriu, aliviado, lágrimas escorrendo sem vergonha.


— Pai, não se preocupe,  avise ao General que essa frequência é muito segura. 

Foi o vovô Arthur quem fez.


Do outro lado, um segundo de silêncio. Depois a voz do pai, mais baixa, quase reverente:


— Seu vô… meu sogro. Arthur Jankowski.


Se ouve ao fundo uma voz rouca esbravejar 

Jankolski....


Está mula empacada não sabe a hora de morrer e riu de forma inexplicável..


Beatriz parou de mexer no curativo,.

Arthur, deitado na maca, abriu os olhos e moveu seu braço devagar.


Então o pai de Jonathan indagou:

— Eu queria saber… o que aconteceu com ele, literalmente. Como ele está. 


Sua mãe tá muito triste aqui, filho. Ela não para de chorar desde que a gente saiu.


Marcos olhou na direção de eu avó e disse:


— Ele tá bem, pai ele está aqui com a gente. 

Ferido, mas vivo. 


A gente trouxe ele do subsolo da chácara. 

Ele tá… protegido.


Do rádio veio um soluço abafado. 

O pai embargou, voz tremendo:


— Filho… eu tenho muito orgulho de vocês. 

De verdade e sei que de alguma forma o universo conspira a favor de vocês.


Marcos fechou os olhos e uma lágrima quente escorreu pelo rosto.


— Pai… Deus está ao nosso lado.


A transmissão chiou mais uma vez. 

Depois a voz do pai, quase sussurrando:


— Fiquem vivos a gente se vê em breve.


O rádio voltou ao chiado normal.


Jonathan girando o dial desligou devagar. 


Sentou no chão, mãos ainda tremendo Marcos o abraçou forte. Sérgio deu um tapa leve no ombro dele.


— O mais próximo de um “parabéns” que ele conseguia dar. Maria sorriu pela primeira vez em horas.


Um sorriso pequeno, exausto, mas verdadeiro.


Então Apolo disse eu espero que por hoje tenha acabado..


Beatriz terminou o curativo e limpou as mãos.


— Ele vai dormir agora a pressão está estabilizando. 

Pela manhã a gente vê se consegue mais soro.


Apolo se levantou, pernas bambas.


— Vou fazer um chimarrão ou um café de verdade não aquela merda solúvel.


Sérgio riu baixo.


— Eu ajudo e se sobrar pão… 

Nós comeremos como gente.


Por quase uma hora o bunker viveu uma paz frágil, ela quase soava falsa.


Eles comeram — pão dormido, queijo, latas de sardinha aquecidas no fogareiro. 

Sérgio contou, pela primeira vez sem ódio na voz, como o domo tinha se adaptado ao carro. 


Apolo falou do tio Alcides com um respeito novo. 

Maria e Mike trocaram olhares que ninguém comentou. 

Até Artur, acordado de novo, tomou um gole de água e murmurou:


— Vocês fizeram mais em dois dias do que eu em vinte anos.


Beatriz riu.


— O senhor ainda vai nos ensinar muita coisa, Seu Arthur.

O velho sorriu de canto — um sorriso torto, dolorido.


A noite foi passando. O relógio marcou 02:14.

A falsa paz parecia querer ficar.


Até que o Buzzer chiou sozinho.

Marcos, que ainda estava perto do aparelho, franziu a testa.


— Que isso?


Artur, deitado, ficou rígido de repente. Os olhos — antes cansados — ficaram alertas, quase assustados. Ele tentou sentar. Beatriz o segurou.


Mike já estava de pé.


— Apolo Câmeras; Agora.


Apolo correu para o painel e as telas piscaram e acenderam e então:


Clareira vazia, floresta quieta nada se mexendo.

Mas o chiado continuou.


Artur falou, voz rouca, quase um sussurro:

— Desliga o 963 por dois segundos.


Maria olhou para ele.

— Senhor Arthur…


— Só dois segundos ele disse baixo..


Mike fez sinal, Apolo obedeceu.


O silêncio foi absoluto.


Então, dentro daquele breve vazio, o outro som veio claro: um bip-bip-bip ritmado, grave, quase subaudível.


Artur fechou os olhos o rosto dele envelheceu dez anos em dois segundos.


— Buzzer 0.0 — murmurou. — Eu vendi isso pros russos em 1987. Nunca pensei que ia ouvir de novo.


Todos pararam.


O velho continuou, voz baixa, mas cada palavra pesada como chumbo:


— Eles nunca esquecem uma frequência, garotos. 


E se essa coisa tá usando a que eu criei… 

significa que o Projeto Erebus não morreu. 


Alguém ainda tá escutando 

Alguém que não é daqui.


Ele olhou para Marcos. Depois para todos.


— A noite acabou. 

Mas o que vem aí… não é só mais uma Sentinela.


Mike ligou o 963 de novo. 

O som familiar voltou, cobrindo o bip distante.


Mas agora ninguém conseguia ignorar o que estava por baixo.


Beatriz apagou a luz da cozinha 

Só ficou o brilho vermelho do painel de energia.


— Amanhecer em três horas — disse ela, voz calma. — Vamos tentar dormir.


Eles se deitaram onde puderam com cobertores no chão. Cabeças no colo uns dos outros.


A falsa paz tinha voltado.


Mas agora ela tinha um eco.


Um bip grave, quase inaudível, que pulsava por baixo do 963 Hz como um segundo coração.


Lá fora, o céu começava a clarear — um amanhecer cinzento, sem cor.


Dentro do bunker, ninguém dormiu de verdade.

Apenas descansaram um pouco.

sábado, 15 de agosto de 2026

Capítulo 14: Na escuta, na escuta?

 


Capítulo 14: Na escuta, na escuta?


Pouco tempo depois da saída da equipe de busca. 20:53.


O bunker tá em silêncio. Não é paz. É peso.


Maria tá cabisbaixa, sentada no sofá da sala. Olho no chão. Mãos entrelaçadas, apertando até os dedos ficarem brancos.


Beatriz se achega. Senta na beirada do sofá. 


Não fala nada de cara. Só fica ali.


“Maria?”, Beatriz chama baixo.


Maria não levanta a cabeça. “É tudo culpa minha.”


“Que que cê tá falando?”


“Eu fui conivente, Beatriz.” A voz dela quebra. “Eu sabia dos riscos. Eu entendi o que tava vindo. E mesmo assim deixei acontecer. Deixei todo mundo entrar nisso. O Sérgio, o Mike... até os meninos.” O choro vem de uma vez. Engasgado, doído. “Parece que tudo isso... é culpa só minha.”


Beatriz puxa ela pro abraço. Acaricia o cabelo. “Não fala assim. Ninguém sabia de nada. Nem você.”


Maria chora no ombro dela. “Mas eu devia saber. Eu sou a cientista. 


Era pra eu ter previsto.”


Beatriz espera o choro diminuir. Respira fundo. Muda o tom. “Tô preocupada com o Apolo.”


Maria se afasta um pouco, enxuga o rosto. “Por quê?”


“Ele é impulsivo demais, Maria. Cê viu como ele ficou quando o Mike mandou ele ficar. Se der alguma merda lá fora, ele vai querer sair correndo. E com esses cadernos na mão...”


Maria abaixa a cabeça. Fica em silêncio uns segundos. Depois solta: “Eu também amo alguém impulsivo.”


Beatriz arregala o olho. “Quem?”


Maria respira fundo. “Em toda minha vida, eu tive uma prioridade: ciência. Ser como meu pai, como meu avô. Carregar o legado. Poucas vezes eu senti que... gostei de alguém de verdade. Eu achei que tinha conhecido o amor. Lark Andersen.” Maria balança a cabeça. “A gente estudou junto quando criança. Formamos juntos. Ele conhecia minha família por minha causa. Mas a gente nunca evoluiu. O amor dele, o meu... a ambição tava toda voltada pra ciência. A gente escolheu o laboratório.”


Maria olha pro chão de novo e diz: “Eu não sei lidar com o que eu sinto porque a pessoa que eu nunca pensei que ia amar vive pra lá e pra cá limpando arma, resmungando, tomando cerveja e fumando cigarro. Totalmente diferente de uma pessoa como o Lark, que era intelectual. Mas o Lark vendeu sua alma, enquanto o Mike quase perdeu a sua vida por mim.” Ela engole seco e disse: “Eu amo o Mike. Ele é o impulsivo que eu amo.”


Beatriz fica boquiaberta por dois segundos. Depois ri, sem humor, pra quebrar o peso. “Cê descobriu essa face do Apolo agora. Eu descobri a do General faz tempo.”


As duas dão um meio sorriso. Triste, mas verdadeiro.


Aí ouvem.


Um choro. Abafado. Vindo da cozinha do bunker.


Elas se levantam na hora. Vão até lá.


Marcos tá no chão. Posição fetal, encostado na parede da pia. Chorando compulsivo, ombro tremendo.


Beatriz e Maria se abaixam. Cada uma pega numa mão do garoto.


“Vem, Marquinhos”, Beatriz chama baixo. “Vamos até o sofá.”


Ele balança a cabeça, negando. A voz sai entre soluços: “Não consigo... acreditar em Deus. Deus deixou isso acontecer com meu vô. Deixou todas essas tragédias. Não é possível que exista um Deus bom. Igual o Pastor de Josué falou na célula na casa de Josué.”


Beatriz abraça ele. “Marcos, não é tempo de ficar tentando achar culpados numa situação como essa. É muito difícil pensar, se quer. Então julgar algo... se acalma.”


Maria fica quieta um segundo. A Maria cética. A cientista sem coração. Ela se abaixa na altura do Marcos. Olha no olho dele.


“Marcos, não é porque Deus tenha permitido tudo isso que essa seja a vontade Dele. Talvez Ele esteja aguardando o tempo certo. Depois de tudo que eu vi, não existe possibilidade lógica de não existir alguém por trás de todas essas coisas. Maior do que as coisas que vieram acontecer.”


Ela puxa o garoto e abraça. “Fica calmo.”


Marcos respira fundo no ombro dela. O choro diminui. O corpo relaxa.


Após o abraço, eles se afastam devagar.


Aí tudo dá errado.


As lâmpadas começam a piscar. Frenético. O alarme de movimentação externa dispara. Um som agudo, cortando o bunker.


Maria, Beatriz e Marcos se jogam contra a parede. Se abaixam. Esperam o pior.


Apolo sai do laboratório correndo. Na mão, um protótipo novo. Um holofote de 2.000W com lâmpadas UVC acopladas. Junto, duas caixas de som relativamente altas, ligadas num gravador. A frequência 963Hz começa a ecoar, grave, preenchendo o bunker.


Ele se posiciona na frente delas. O holofote e o som formam um escudo.


As lâmpadas param de piscar. Tudo volta ao normal. Silêncio.


Aí ouvem.


Passos. Firmes. Em cima do bunker. Pesados, mas não humanos. 


Apolo sussurra: “Silêncio.”


Pou. Pou. Pou.


Os passos continuam. Depois um grunhido. Grave, abafado. Do lado de fora.


O som dos passos some. Rápido. Velocidade absurda.


Breve silêncio.


Aí vem outro som. De longe. Um cervo sendo atacado. Um berro agudo, cortado no meio.


Todos ficam apavorados. Paralisados.


O som some. Silêncio absurdo de novo.


Eles começam a se levantar devagar.


Apolo diz: “Eu preciso fazer uma ronda.” Ele já tá com as duas pistolas na mão. Entrega o protótipo ligado pra Beatriz. “Fica com isso.”


Ele some pelos corredores do bunker. O resto fica intenso. Respirando baixo.


Depois de algum tempo, Apolo volta. “A barra tá limpa.”


No momento em que ele diz isso, o rádio do laboratório chia.


Maria trava. Estado de choque e alerta. “Mike.”


Ela levanta e sai correndo pro laboratório improvisado. Todos atrás.


Ela roda o botão de frequência. Nada. Volta pra posição anterior. Chiado de novo.


E do chiado, a voz de Sérgio sai. Baixa. Urgente. Desesperada:


“Na escuta. Na escuta.”


Maria responde com a voz desesperada: “Tá tudo bem?”


Sérgio responde: “Tenho notícias. Nós acabamos não nos comunicando quando chegamos. Nos desculpe pela falta de notícias. Então, exatamente como o pai do Jonathan e do Marcos disse, tá a casa do avô deles. Uma destruição absurda. Portas arrancadas, animais mortos, um cheiro horrível de sangue podre e cadáveres que estão espalhados por todo o terreno. Porém, eu tenho novidades. Coletei algumas amostras dessa gosma que ele havia dito e posso afirmar: é algo que não pertence a essa dimensão. Claramente.” A voz de Sérgio saía falando em movimento. “Porém...”, ele continuou. “Nos encontramos aqui uma porta que leva para um subsolo da casa do avô de Jonathan. Que se lembrou de uma porta chamada de casa de pólvora, que na verdade é uma entrada para um subsolo. Estamos descendo. Preciso desligar o rádio.”


Maria responde desesperada: “Sérgio! Sérgio! Não desligue! Fale conosco! Eu preciso de informações! Como vai que tá e já.”


O rádio corta. Não sai mais som do buzzer. 0.0.


Maria se levanta rapidamente, de forma nervosa. “O que diabos esses homens têm que eles não conseguem finalizar uma conversa?”


Marcos corta a cena, puxando a blusa de Maria. “Você pode me deixar fazer algumas pesquisas do seu notebook?”


Maria olha pra Marcos. Ele estava visualmente diferente. O semblante estava diferente. Ela assente e leva o garoto até o seu notebook. Rapidamente, ele começa as suas pesquisas.


Enquanto isso, Maria volta os olhos para Apolo, que estava abraçando Beatriz. E ela aperta os próprios braços e fica com um olhar perdido. Enquanto sussurra: “Mike, onde você está?”


A cena muda.


Mike à frente, com a sua calibre doze na mão.


Atrás dele, Jonathan que estava perdido em olhares. Pois nunca tinha visto aquela parte da casa do seu avô.


E Sérgio, colocando o rádio no cinto.


Ao término dessa escada eles dão direto de frente com um corredor. Nesse corredor as luzes de segurança estão totalmente apagadas. Não há som. E eles seguem apenas com as luzes da lanterna UVC ligadas e apontadas em direção à frente. Enquanto Sérgio segura o protótipo dentro da sua mochila, que estava posicionada de frente ao seu corpo e não nas suas costas. O dedo estava trêmulo em cima do botão, enquanto o protótipo estava em ponto de funcionamento. Só o que se ouve nesse corredor é apenas respiração pesada. O corredor estava limpo. Não tinha sinais da entrada de ninguém.


Mike olha para Sérgio e pergunta: “Cê fechou a porta na hora que a gente entrou?”


Sérgio disse: “Sim. Bati a porta.”


Então eles se deparam no final do corredor com uma bifurcação. O corredor era estreito, porém tinha um percurso grande. E ao chegar nessa bifurcação, eles se perguntam: “E agora? Qual lado?”


Sérgio disse: “Vamos pela direita.” Enquanto Jonathan fica perdido entre qual lado gostaria de ir. Mike diz: “Vamos, Jonathan. Para de ficar olhando em volta. Precisamos encontrar algum vestígio.”


Jonathan volta para a realidade. Seus olhos enchem de água e ele fala baixinho: “Vô.”


Eles ouvem um barulho vindo da direita. Como se fossem cabos de vassoura caindo. Mike levanta sua arma e disse: “Fiquem atrás de mim.” E segue.


Esse corredor era um corredor menor. Logo eles chegam com uma porta comum. E quando eles abrem essa porta, eles se deparam com o avô dos garotos. Ferido gravemente no pescoço e braço esquerdo. Mas com uma arma diferente nas mãos. Muito fraco e perdendo sangue, mesmo com um torniquete no braço.


Mike disse: “Senhor Artur? Senhor Artur, é você? Responda-me.” E o senhor vira o rosto para ele e balança a cabeça.


Então eles saem correndo em direção ao Senhor Artur. Mike rapidamente aperta o ferimento e pede para que Sérgio prepare para usar o Domo de defesa. Mike, sem evitar, coloca Senhor Jankolski nas costas. Todos se preparam para sair dali o quanto antes. Eles marcham em velocidade acelerada até a porta. Enquanto Artur balbucia palavras e diz: “Vocês não têm noção do que está à solta.”


Mike disse: “Senhor Artur, poupe suas palavras. Primeiro vamos chegar à nossa base e lá o senhor vai ficar melhor e vai poder nos explicar com muito mais detalhes.” Artur concorda com a cabeça e com o seu olhar e desmaia nas costas de Mike.


Enquanto isso, Jonathan enxuga as lágrimas e segue a princípio. Juntamente a Sérgio, que continua trêmulo, porém agora aguardando sair do subsolo. Aonde ele começa a perceber que Artur estava utilizando no subsolo de sua casa, no bunker dele, a mesma frequência que Marcos havia dito quando começaram a pesquisar formas de defesa. A frequência 963.


Eles saem até a escada. E ao subir a escada, Sérgio pega o cartão, passa na frente deles e passa. E diz: “Acesso negado.” Então eles ficam olhando um para os outros. “E agora?” E Mike diz: “Sr. Artur, acorde. Como saímos daqui?”


Enquanto isso, Sérgio nem olha para Mike. Ele vê os três botões posicionados ao lado da porta. O primeiro botão ele aperta 9 vezes. O segundo botão ele aperta 6 vezes. E o terceiro botão ele aperta 3 vezes. A porta abre instantaneamente. E eles saem em direção ao carro.


Chegando do lado de fora do rancho, eles notam que a casa dos Mackenzie estava totalmente sem energia. As janelas apagadas, nenhum sinal de luz. O breu engolia a estrutura inteira, como se a casa tivesse sido arrancada da existência. Nem a lâmpada da varanda piscava. Só escuridão. Rapidamente eles ajeitam Senhor Artur. Sentam Jonathan de um lado, Sérgio do outro, segurando a toalha que estancava o sangramento.


Mike dá partida no carro, que liga instantaneamente. Ele acelera. Enquanto isso ele disse: “Sérgio, já aperta esse botão.” E quando o Sérgio aperta o botão, o Domo toma completamente o carro. Assustando a eles, porque Mike pensava que o Domo de segurança não comportaria totalmente o carro. Porém ele se adaptou ao tamanho do carro.


Artur olha para a mão de Sérgio e disse: “Você é o garoto estranho que anda com Marcos e com o Jonathan. Eu prometo que nunca mais te chamo de estranho.”


“Na verdade, você não é tão estranho pra mim. Você me lembra alguém... Eu só não consigo lembrar o nome, mas...” E Sérgio disse: “Eu sou da família do Alcides.”


Então Artur, com a voz fraca, disse: “General Alcides? Eu não acredito...” Porém Jonathan corta a conversa e diz: “Vô, apenas respira. Você está fraco. Precisa repousar. Vamos chegar. Por favor, só aguente.”


Mike estava tenso, segurando o volante, pensando que o Domo estava sendo testado pela primeira vez agora. Eles nem perceberam se a bateria estava subindo ou descendo, se mantendo. Eles só queriam chegar na base.


Porém, enquanto eles estavam na estrada acelerando, passa e vem um carro preto. Uma SUV que estava vindo na direção oposta com vidros filmados. O carro passa em alta velocidade ao lado da SUV enquanto ela freia brutamente e começa a fazer o contorno para vir atrás do carro deles. Então Mike engata a quarta e acelera no máximo. Pede para que se segurem e começa uma perseguição.


Mike toma um outro caminho e sobe para o lado das Colinas. Enquanto a SUV começa a seguir. Mike faz o contorno pelo caminho das Colinas, ganhando muito espaço de distância da SUV, e entra em um túnel que dá próximo ao lago. Enquanto a SUV passa direto, mas percebe que eles não estão à frente e volta para trás pelo túnel. Mas Mike dá a volta e acelera o máximo que pode na reta, voltando para a estrada e entrando para o lado das lanchonetes.


E ele começa a perceber que no caminho muitas casas estão desligadas. Enquanto isso, ele estava olhando para os lados. Ele atropela algo.


Um corpo totalmente negro, cor de pixe.

Fica caído na estrada. Não era gente. Bateu no Domo e caiu. Mike dentro de si disse: “Teste concluído com sucesso. Domo funciona.” E continua acelerando sentido à clareira, aonde fica a entrada escondida do bunker.


Logo ele entra, dessa vez com o carro, para dentro do compartimento de segurança do Bunker, que foi acionado com sucesso. Logo a entrada se fecha. E eles ouvem, do lado de dentro da parte de segurança do Bunker, os carros passando em alta velocidade por ali. O que significa que eles não estão 100% seguros.


Então os garotos descem, tirando o Senhor Artur, carregando ele nos seus ombros até a escada que dá acesso à porta interna do Bunker. 


E Sérgio dá o rádio para Mike, que chama: “Apolo, na escuta. Abra a porta rápido.”


Apolo estava sentado no sofá ao lado de Beatriz, passando a mão na cabeça de Marcos que havia se deitado em seu colo e dormindo. Ele deixa a cabeça do garoto no colo de Beatriz e sai correndo. Porém Maria chega primeiro.


Maria pega o comunicador e responde: “Mike, onde você está?” Ele disse: “Maria, abre essa porta!” E Apolo, vendo que ela já tinha atendido, corre para a porta e faz a combinação e abre a porta.


O que eles veem: Mike sujo de sangue, com rádio na mão, a 12 pendurada junto ao seu pescoço por uma bandoleira, e os garotos carregando Artur Jankolski em seus braços.


Com o barulho de Mike entrando, Marcos desperta quando Beatriz se levanta a pedido de Apolo. Corre Beatriz. Então Marcos se assusta e corre junto. E quando ele vê o seu avô na situação que estava, Marcos se ajoelha e disse: “Muito obrigado, meu Deus. A partir de hoje eu sou todo seu!!!”

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Capítulo 12: O Bip da Herança




 Capítulo 12: O Bip da Herança


Batidas na porta. Não as de antes. Secas. Ritmo de quem manda.


Mike já tá com a arma em punho.  

— Quem é?  


— Abre, Apolo. É seu pai.  


O bunker congela. Sérgio larga o lápis. Apolo olha pra porta como se tivesse ouvido um fantasma.  


Mike destrava. A porta abre.  


Seu Carlos e Dona Lúcia. Pai e mãe de Apolo e Sérgio. Roupa de estrada, cara de quem dirigiu a noite inteira. Atrás deles, o jipe parado com farol aceso.


Dona Lúcia entra primeiro. Olha pro braço de Apolo, pro rosto de Sérgio, pra Maria, pros garotos. O olho dela enche.  

— Meu Deus… vocês tão vivos.


Seu Carlos fecha a porta. Não cumprimenta. Vai direto no Apolo.  

— Arruma suas coisas. Você e seu irmão. A gente tá indo embora. Agora.


Apolo recua um passo.  

— Indo pra onde, pai?


— Amazônia. — Seu Carlos fala baixo, como se a palavra pesasse. — Fortaleza do seu tio-avô. O Alcides.  


Sérgio ri. Um riso seco, sem humor.  

— O Alcides? O doido do pager?  


Dona Lúcia corta.  

— Não fala assim do seu tio-avô, Sérgio.  


— Por que não? — Sérgio levanta, e o ódio que tava no papel agora tá no corpo todo. — A vida inteira a gente ouviu que ele era desertor. Que surtou na guerra e sumiu no mato. Que mandava bip pra chamar atenção.  


Seu Carlos puxa um aparelho preto, antigo, do bolso. Um pager. A tela verde acesa: SAIAM. AGORA. 47.9° -65.3°  

— Chegou ontem de madrugada. Junto com a notícia da vacina. Junto com o sumiço do gado do Seu Antônio. — Ele olha pra Apolo. — Seu tio-avô passou 40 anos chamando a gente de cego. Ontem a gente enxergou.


Apolo balança a cabeça.  

— A gente não vai, pai.  


— Vai sim. — Seu Carlos dá um passo. — Vocês dois. Já.  


Sérgio se mete na frente do irmão.  

— Não. — A palavra sai trincada. — A gente não abandona ninguém.  


Seu Carlos segura o braço do filho. Forte.  

— Você me escuta, moleque. Eu deixei você brincar de cientista. De mecatrônica. De herói. Acabou. Lá fora tem coisa matando. Seu tio-avô tem concreto de três metros, gerador subterrâneo, comida pra dois anos. Aqui vocês têm o quê? Ódio?  


Sérgio arranca o braço.  

— Aqui eu tenho gente que sangrou por mim! — Ele aponta pra Maria, pro Apolo, pro Mike. — O vô deles tá desaparecido! A gente tá a uma equação de botar um domo magnético pra funcionar e ir buscar! E você quer que eu corra pro mato?  


O silêncio é épico. Pai e filho se encaram. Igual a igual. Só que um tem 50 anos de medo guardado e o outro tem 20 anos de raiva destilada.


Dona Lúcia chora baixo.  

— Carlos… olha pra eles.  


Seu Carlos olha. Pro filho com olheira. Pro caderno cheio de cálculo. Pra Maria com a mão suja de grafite. Pros garotos no canto, tremendo.  

— Vocês… sabem de alguma coisa há dias. — Não é pergunta. — E não falaram.  


Apolo sustenta o olhar do pai.  

— A gente não ia arrastar vocês pra isso.  


Seu Carlos fecha os olhos. Um segundo. Quando abre, tá derrotado. E orgulhoso.  

— Então tá. — Ele solta o ar. — A gente vai. Eu e sua mãe. Sozinhos.  


Marcos levanta do nada. Vai até a bancada. Pega o rádio. O da viagem interdimensional. Aquele que chiou com a voz do avô.  

— Tio Carlos. — Ele entrega. — Leva isso.  


Seu Carlos franze a testa.  

— Pra quê?  


— É um protótipo. — Marcos olha pra Jonathan, que assente. — Meu vô deixou pra gente. Se conecta com a Buzzer 0.0. — Ele engole seco. — Vai até a casa dele. Na casa do meu vô. Lá vocês vão ter o que precisam pra crer.  


Marcos respira fundo, olha direto no olho do Seu Carlos.  

— E conversa com meus pais. Convence eles a irem com vocês até lá. Na casa do meu avô. Eles precisam ver pra acreditar. E pra seguirem com vocês. Com o senhor e com a tia Lúcia.  


Dona Lúcia pega o rádio com as duas mãos. Olha pros meninos. Olha pra Maria. Pra Sérgio.  

— Vocês… tão lutando de verdade. Não é de hoje. É há dias.  


Ela beija a testa de Apolo. Depois a de Sérgio.  

— Termina isso. — Ela aponta pros cadernos. — E depois vai buscar a gente.  


Seu Carlos segura a porta. Olha pro Sérgio uma última vez.  

— Não morre, filho.  


— Não vou. — Sérgio responde. — Eu já morri ontem. Hoje eu só volto.  


Eles saem. O jipe arranca. O barulho do motor some na estrada.


O bunker fica em silêncio por dez segundos.  


Aí Sérgio vira pra bancada.  

— Simulação. De novo.  


Maria senta do lado dele. Sem mandar. Sem liderar. Lado a lado.  

— Base reta. — Ela fala. — Oval em cima. Esquece a bolha perfeita. A gente precisa de chão.  


Sérgio já tá alterando os parâmetros.  

— Dois anéis concêntricos ainda. Mas o de baixo com campo estático. Âncora. O de cima oscila. Domo.  


Jonathan e Marcos puxam as cadeiras. Apolo segura o caderno do pai da Maria aberto na página que Sérgio marcou. Beatriz traz café. Mike fica na porta, vigiando.  


Três horas depois.  


A tela pisca: SIMULAÇÃO ESTÁVEL.  


Não é oval. É um domo. Base reta de 2 metros quadrados. Altura cravada em 2 metros. Cabe os sete, apertado, mas cabe.  


— Pode colapsar se a carga cair abaixo de 40%. — Sérgio lê o relatório. — Mas já dá pra rodar o teste físico.  


Maria levanta. Pega os cabos. Olha pra Sérgio.  

— Você terminou. — A voz dela falha. — O que meu pai tentou antes de morrer… você terminou.    


Sérgio não responde. Só assente. O ódio no rosto dele baixou. Virou outra coisa. Dever.


Eles montam o protótipo. Dois metros quadrados. Dois metros de altura. Condensa tudo ali. Fios, bobinas, o gerador no centro.  


Walk toc. Walk toc.  


O rádio. O outro. Que ficou no bunker. Chia.  


Voz baixa. Cansada.  

— Apolo… aqui é seu pai.  


Todos congelam.  


— A gente tá na casa do avô dos garotos. — A voz de Seu Carlos sai falha. — A casa tá toda revirada. Tem sangue… por toda parte. E uma matéria escura, tipo um rastro. Grosso. Vai na direção do boeiro.  


Jonathan morde a mão pra não gritar.  


— Seu avô não tá aqui. — Seu Carlos continua. — Mas… todas as criações dele. Os bezerros. As galinhas. Tão rasgados ao meio. Secos. Como se alguma coisa tivesse sugado tudo.  


Dona Lúcia chora ao fundo.  


— O Matteo e a Helena (pais dos Garotos) -  estão com a gente. — Seu Carlos respira fundo. — A gente vai pro bunker do seu tio-avô. Amazônia. Agora. Assim que amanhecer.  


O rádio chia. Depois morre.  


Maria desliga o gerador do protótipo. Olha pra cada um.  

— A gente tem um domo. Dois metros por dois. — Ela aponta pra porta. — E a gente tem um alvo.  


Sérgio pega a barra de ferro.  

— Então testa.  


Mike destrava a porta.  


O protótipo zumbe. O domo sobe. Base reta. Oval em cima. Dois metros quadrados de raiva, medo e matemática.  


Eles estão prontos.

domingo, 2 de agosto de 2026

Capítulo 11: O Dia D e o Silêncio da mídia.






Capítulo 11: O Dia D e o silêncio da mídia


07:40 da manhã. 

Apolo tá encostado na parede fria do corredor. Olho vermelho de quem não dormiu. Ninguém dormiu. O bunker cheira a suor velho e metal quente. 

Ele pensa. A qualquer segundo aquela coisa pode voltar. Ou outra pior. Lá fora tem a CIA farejando Maria e Mike. Aqui dentro teve a Sentinela medindo tudo. Nenhum lugar é seguro. 

Na sala, Mike quebra o silêncio. Voz baixa, mas tensa.  
— Maria. Tô preocupado.  

Ela ergue o rosto. Olheiras fundas.  
— Com o quê especificamente, Mike? A lista é grande.  

— Com defesa. — Ele aponta pro teto. — O que a gente tem aqui não segura outra visita. A Sentinela entrou e saiu. Se vier algo maior…  

Apolo entra na sala, mancando. O braço ainda dói.  
— Na primeira captura a gente usou aquela pseudo-gaiola. — Ele olha pra Maria. — Efeito magnético. Dava pra fazer isso em escala maior? Cobrir o perímetro?

Maria leva a mão ao rosto. Fecha os olhos dois segundos.  
— Apolo… isso levaria tempo. Material, energia, cálculo de campo. Semanas. Talvez meses. E a gente tem dias.

Apolo ouve. Vira pra Mike.  
— Munição. Você ainda tem? Quanto?  

Antes de Mike abrir a boca, Beatriz corta da cozinha.  
— É lógico que agora tudo é perigoso. — Ela entra na sala com uma caneca vazia. — Comprar munição, sair na rua, respirar. Tá claro pra mim.  

Ela para no meio da sala. Olha pra cada um.  
— Eu não volto mais pro serviço. Se essa vacina for imposta, eu não vou aplicar. Não quero fazer parte daquilo.  

Ninguém discute. Todos consentem com a cabeça. Só isso. O silêncio volta a dominar o bunker. Pesado. Úmido.

Até que começa.

Batidas. Várias. Desesperadas. Gritos abafados pela porta de aço.  

— Abre! Pelo amor de Deus, abre!  

O cenário de terror voltou em dois segundos. Maria já tá de pé. Apolo pega a barra de ferro.  

Mike vai até a porta com a pistola numa mão e a lanterna na outra.  
— Afasta. — Ele rosna. Destrava. Abre.

Marcos, Jonathan e Sérgio caem pra dentro. Sérgio bate a porta atrás de si e gira a tranca. Os três tão ofegantes, sujos de terra.

Mike aponta a arma pro chão, mas não guarda.  
— Vocês tão loucos? Querem morrer? A gente precisa ser rápido aqui. Vocês explicam o que aconteceu e voltam pra casa. Agora.  

— Não, tio, espera — Marcos tá com a câmera do Sérgio na mão. — Você tem que ver isso.  

Antes que Mike comece o sermão, Sérgio já tá ligando a máquina. A tela acende. Fotos. Vídeos curtos.  

— Vizinhança inteira. — Jonathan fala rápido, atropelando as palavras. — Perto de casa. Perto daqui.  

Vídeo 1: Seu Antônio mostrando o curral vazio. “Onze vacas, Mike. Onze. Sumiram de noite.”  
Vídeo 2: Dona Lúcia chorando no galinheiro. Só pena no chão.  
Vídeo 3: O chiqueiro dos Borges. Silêncio. Nada.

Sérgio engole seco. Passa pro último vídeo.  
— Esse foi no fundo da casa do Marcos. A gente gravou pela fresta da janela.  

O vídeo treme. Escuro. Só o contorno do pasto. Então algo se move. Uma sombra de cócoras, grande demais pra ser gente. Tá curvada sobre o corpo de um boi. Não dá pra ver direito. Só o movimento. A cabeça baixa, depois ergue. Baixa de novo.  

O áudio capta Jonathan sussurrando: “Tá… bebendo?”.  

Marcos pausa o vídeo.  
— A gente sentiu. De madrugada. O chão tremia. — Ele bate o pé no chão do bunker, devagar. — Assim. A cada passo que aquilo dava. Um tremor. Breve. Mas o beliche vibrava.

O bunker fica mudo. Mike que ia dar bronca fecha a boca. A arma pesa na mão dele.

Sérgio quebra o silêncio.  
— O bunker é o único lugar seguro agora.  

Apolo balança a cabeça, devagar. Negando. Não pra ele, pro mundo.

Sérgio vê o gesto. Vê o braço do irmão enfaixado, roxo até o pulso. Os olhos dele arregalam.  
— Apolo… o que foi que aconteceu com você?  

Maria puxa o ar. Senta. E conta. Tudo. A Sentinela. As garras. O teto. O 963. A fuga. A TV. A vacina. Não poupa detalhe.

Quando ela termina, os três garotos não têm chão. Marcos afunda no sofá. Jonathan passa a mão no cabelo, repetindo “não, não, não” baixo.  

Marcos levanta a cabeça. Os olhos cheios de água.  
— E os nossos pais… — A voz quebra. — Com essa vacina… minha mãe já disse que vai levar minha vó e meu vô. Falou que é a esperança deles viverem mais tempo.  

Ele olha pra todos.  
— Minha mãe tá enganada.  

O caos que era de monstro e tiro agora vira outra coisa. Virou drama. Virou casa. Virou família. O ar ficou mais pesado que antes.

Walk toc. Walk toc.

O rádio. Aquele da viagem interdimensional. Em cima da bancada. Começa a chiar.

Não era um chiado comum. Era fino. Com um sonzinho agudo por baixo, quase um apito. 

Todos congelam. 

A voz sai baixa, entrecortada, mas conhecida.  
— Garotos. Garotos, vocês estão bem, garotos?  

Jonathan reconhece primeiro.  
— Vô?  

A voz volta, sussurrada.  
— Garotos, preciso de ajuda. Fui atacado nessa madrugada. Algo que eu não consigo compreender o que foi… atacou.  

Um estalo seco corta a transmissão. Um som estranho, como um raio estalando perto demais. 

E o grito. O grito do avô dele ao fundo. Longo. Rasgado.  

Depois a conexão morre.  

Fica apenas o som de chiado, pronto.  

O ambiente fica transtornado porque os garotos são segurados por Mike que não permite a saída deles do bunker.  

Então eles começam a gritar, chorar e é uma comoção total. Maria, Apolo, Beatriz tentam acalentar os garotos.  

Sérgio fica desesperado.  
— E agora? O que será que aconteceu?  

Ele tem um lapso. Olha pro lado, vê a TV desligada. Levanta num pulo e liga.

A primeira coisa que aparece é a RS News. O repórter tá na frente de uma fila gigantesca. Gente com roupa de hospital, cadeirante, idosos.  

— A missão midiática foi um sucesso — o repórter sorri. — E agora vamos expor as imagens e os vídeos que foram feitos na tal dimensão que é chamada de Dimensão Zero. Mas que agora está sendo chamada de Dimensão da Esperança.  

Cortam pra imagens. Céu azul demais. Grama verde demais. Prédios limpos, sem uma mancha. Gente andando, sorrindo. Tudo parece computadorizado, digitalizado. Num lugar maravilhoso que é totalmente semelhante à dimensão comum. Como se fosse apenas uma extensão material. Como se fosse mesmo um novo ambiente igual ao ambiente que já existia anteriormente. Na Terra, no jeito comum das coisas.  

Mike olha para a noticia e cospe as palavras:  
— Isso é uma farsa.  

Enquanto isso os garotos soluçam e choram preocupados com o seu avô e pensando sobre seus pais.  

Então todos se voltam para a TV por conta daquilo que começa a ser falado.  

— Temos uma notícia de que a vacinação ela teve que ser paralisada momentaneamente em todo o Brasil. — O repórter muda o tom, fica sério. — E a situação é a seguinte: tivemos um excesso volumoso de pedidos de socorro por alguns fatos rurais que vêm acontecendo. Possivelmente problemas internos e conflitos entre moradores. Talvez seja desinformação. Mas a polícia pediu que temporariamente não houvesse o início da vacinação para que eles pudessem corrigir essas situações locais. Porém, é uma situação que vem recorrente em todo o Brasil. Mas não de coisas iguais. Se tratam de coisas diferentes, mas que o presidente estava ciente, os governadores e todos estavam de comum acordo de que poderiam aguardar. Até mesmo porque eles estariam visualizando como seria o início da vacinação que ocorreu na madrugada do dia anterior lá nos Estados Unidos.  

Cortam para imagens dos americanos se vacinando. Fila organizada. Gente de jaleco aplicando. Pessoas recebendo a injeção no braço e saindo andando, como se nada tivesse acontecido. Sorrindo. Acenando.  

Todos olham com um olhar de muito, muito desespero.  

Beatriz puxa o ar.  
— Dos males esse era o pior. Porque eles ganharam tempo.  

Ela vira pra Marcos, tenta tocar o ombro dele.  
— A sua vó ainda não vai ser vacinada. E nós iremos descobrir uma forma de ir até a casa do seu avô. Fique calmo. Talvez não tenha acontecido nada com ele. Só uma queda de energia.  

Enquanto ela dizia isso, Sérgio estava com semblante de ódio. Os olhos vermelhos, mas não de choro. De raiva. Ele olhava pra Mike. Furioso.  

— Deixa ele sair daqui. — A voz dele sai trincada. — Precisamos ir até lá. O que aconteceu essa madrugada foi com vocês e não foi com a gente.  

Mike dá um passo pra frente. Mão aberta, mas firme. Olha pra Marcos e Jonathan.  
— Ninguém vai sair. Vocês ouviram o que o avô de vocês falou? Vocês ouviram o grito? Lá fora tem coisa caçando.  

— E aqui dentro a gente fica esperando morrer? — Sérgio empurra a mão de Mike. — É o vô deles! O vô deles, Mike!  

Apolo se mete no meio, tenta segurar o braço do irmão.  
— Sérgio, calma. A gente vai pensar em algo.  

— Pensar? — Sérgio puxa o braço. — Vocês tão pensando desde ontem! E o vô deles tá lá sozinho! E se tiver morrido por nossa causa? Por causa dessa merda de bunker?  

Mike mantém a voz baixa, mas dura. Olha pra Jonathan.  
— Se você abrir aquela porta, você morre. E aí quem ajuda o vô deles, cara… Hem?  

— Melhor morrer tentando do que ficar aqui escutando chiado de rádio! — Sérgio tá transtornado, cuspindo as palavras. — Vocês não entendem! O vô não é meu, mas é deles!  

Apolo segura os dois ombros do irmão, força ele a olhar.  
— Sérgio. Olha pra mim. Olha pro meu braço. Foi ontem. Quase que eu não volto. Você quer isso pra eles?  

Sérgio encara o roxo no braço de Apolo. Respira fundo. 
Não acalma. 
Mas para de gritar.  

Maria se levanta. Vai até a bancada. Bate a mão na mesa.  
— Chega. — Todo mundo olha. — Gritar não tira ele de lá. E morrer na porta também não.  

Silêncio. 
Só os soluços do Jonathan ao fundo.

Maria aponta pra Apolo.  
— A gaiola magnética. Você lembrou dela.  

Apolo assente.  
— Falei. Mas você disse que levava semanas.

— Levava. Pra cobrir o bunker. 

— Maria olha pra cada um. — Mas a gente não vai cobrir o bunker. A gente vai cobrir a gente.  

Beatriz entende.  
— Um domo. Móvel. De equipe.  

— Com perímetro de cinco metros. — Maria completa. — Cabe todo mundo. E a gente anda com ele.  

Mike franze a testa.  
— E como a gente faz isso em horas?  

Sérgio limpa o rosto com a manga. O ódio não foi embora. Virou outra coisa. Foco.  
— A gente agiliza. — A voz dele tá fria agora. 

— Corrida contra o tempo. Protótipo. Testa por simulação primeiro.  

Todos concordam. Sem votação. Sem dúvida. Corrida contra o tempo.  

Maria vai até o armário de aço. Chaveia. Tira três cadernos grossos, capa de couro gasta.  
— Do meu pai. — Joga na mesa. 

— Ele mexeu com campo unificado antes de sumir. 

Tem cálculo aqui.  

Sérgio puxa um caderno antes de Maria. Abre. 


Os olhos dele correm pelas fórmulas.  
— Capacitor de fluxo… inversão de fase… — Ele murmura. — Isso aqui tá pré-escrito. Ele já pensou num campo portátil.  

Apolo olha pro irmão. Nunca viu ele assim. O Sérgio que montava drone com sucata sumiu. Agora tem um crânio em mecatrônica no máximo, cuspindo termo técnico, folheando página com dedo sujo de terra.  

— Preciso do gerador, das bobinas do estoque, e dos cabos de cobre. — Sérgio não pede. Ordena. — Jonathan, busca. Marcos, me ajuda com a bancada.  

Maria puxa o outro caderno.  
— Página 47. Ele fala de colapso de borda. Se o campo não fechar em 360, vaza.  

— Então a gente fecha. — Sérgio já tá rabiscando no verso de uma conta de luz. — Dois anéis concêntricos, defasados em 90 graus. Gera uma bolha, não um muro.  

Uma hora depois. Primeira simulação. Usam o notebook velho da Maria. Modelam no software de física.  

O resultado pisca na tela: FALHA.  

Sérgio bate na mesa.  
— Parede magnética. Só isso que a gente fez. — Ele aponta pro gráfico. — Funciona como escudo frontal. 

Cobre 120 graus. Atrás fica pelado. Não é suficiente. Se a coisa vier por trás, acabou.  

Mike olha a simulação.  
— Então volta pros livros.  

Sérgio não responde. Já tá com o caderno do pai da Maria aberto de novo. O ódio no rosto dele virou combustível. Cada linha que ele lê, ele rosna uma ideia. Cada erro da simulação, ele risca e reescreve.  

— Aqui. — Ele marca com a unha. — ‘Coerência de fase por harmônicos não-lineares’. Ele não terminou. Mas a gente termina.  

Maria senta do lado dele. Pela primeira vez, ela não lidera. Ela assiste.  
— Fala. O que você precisa?  

Sérgio não tira o olho do papel.  
— Tempo. E que ninguém me chame pra chorar. — Ele olha pra ela, rápido. — Eu tiro o vô deles de lá. Mas eu preciso que vocês calem a boca e me deixem pensar.  

O bunker ficou em silêncio. Só o barulho de lápis no papel. E o chiado do rádio, ainda ligado.  

A corrida começou.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Capítulo 9: A Fenda Gosmenta e as leis da matéria. (A visita da sonda Sentinela.)

 







 

Capítulo 9: A Fenda Gosmenta e as leis da matéria.

(A visita da sonda Sentinela.)


Eram 03:15 da madrugada quando o primeiro alarme disparou, cortando o silêncio pesado do bunker.


Só restavam os quatro adultos: Mike e Maria, Apolo e Beatriz. Os garotos haviam sido levados para casa horas antes.


Todos acordaram sobressaltados. Maria sentou na cama primeiro, olhos arregalados.


— Mike… ouviu isso?


Mike já estava de pé, pegando a pistola debaixo do travesseiro.


— Levanta. Rápido.


Um ruído úmido, como carne sendo rasgada devagar, veio da sala principal. Quando os quatro chegaram correndo ao corredor, a visão os paralisou.


Uma criatura humanóide de quase dois metros de altura havia rasgado um túnel dimensional diretamente dentro do bunker. Pele cor de cadáver, meio amarronzada, com textura oleosa e irregular, cabeça alongada. Seus olhos grandes, vermelhos sanguíneos e brilhantes, sem pupila, pareciam perfurar a escuridão. A boca entreaberta revelava fileiras de dentes afiados, irregulares e amarelados, como lâminas tortas.


Assim que a criatura se manifestou completamente, ela emitiu um som aterrador — um grunhido grave e distorcido que fez o ar tremer, como se a própria realidade vibrasse. Os alarmes do bunker dispararam imediatamente.


— O que e isso??? — murmurou Apolo, empurrando Beatriz para trás.


Mike não hesitou.


— Atira!


Os tiros ecoaram altos. A criatura recuou, mas logo inclinou a cabeça. Mike abaixou um pouco a pistola.


— Olha a postura dela. Não veio pra matar agora. Veio observar.


Maria, já no console do laboratório, completou:


— A assinatura dimensional é parecida com a da Fortaleza. É a mesma instabilidade que Kairos avisou que poderia acontecer se o bracelete fosse usado de forma errada. Essa criatura foi lançada nos tecidos dimensionais… pra encontrar cortes, traços, qualquer coisa que tivesse ficado aberta.


Mike assentiu.


— Exato. Ela veio só pra observar. Pra descobrir o que tinha do outro lado dos rasgos que a gente deixou.


Mal terminou de falar e a criatura soltou outro grunhido gutural, muito mais alto. Seus olhos vermelhos brilharam com fúria. Ela cravou as garras na parede e, num movimento impossível, subiu no teto, andando de cabeça para baixo com as garras raspando o concreto.


— Ela tá vindo! — gritou Beatriz.


Mike esvaziou o pente inteiro. Apolo atirou também. As balas ricocheteavam, mas a criatura não parava. Maria correu desesperada para o painel principal do laboratório.


A criatura soltou um rugido gutural ensurdecedor e saltou do teto diretamente sobre Apolo, derrubando-o no chão. Seus dentes afiados estavam a centímetros do pescoço dele, as garras erguidas para rasgar.


— Apolo! — berrou Beatriz.


No exato instante em que as garras desceram, Maria ativou a defesa de Hertz.


— Frequência 963! Agora!


Um pulso sonoro invisível, agudo e penetrante, encheu o bunker. A criatura congelou no ar. Seu corpo começou a tremer violentamente, desfigurando-se. A forma humanóide derreteu como fumaça preta, virando uma massa disforme e sombria que se contorcia. Ela soltou um último guincho agonizante e, engatinhando rápido como um quadrúpede deformado, arrastou-se de volta para o buraco gosmento na parede.


O buraco pulsou uma última vez e se fechou automaticamente, como se a realidade tecesse a si mesma novamente. Não sobrou nenhum rastro — nem marca, nem líquido, nem fenda.


Silêncio absoluto.


Apolo ainda estava no chão, ofegante, com Beatriz ajoelhada ao lado dele. Mike mantinha a pistola apontada para o lugar onde a criatura desaparecera. Maria encostou na parede do laboratório, mãos tremendo.


— Que merda era aquela! — sussurrou Apolo, sentando-se devagar. — Aquilo quase me matou.


Beatriz, voz embargada:


— Eu achei que você ia morrer… Meu Deus, aqueles dentes…


Maria respirou fundo, ainda processando.


— Na dimensão 3 as leis são mais rígidas. As coisas tendem a regredir, a voltar ao equilíbrio. Aquela frequência 963… ela reforçou a lei natural daqui. A criatura tinha poder de desfigurar a realidade pelo caos, mas não consegue quebrar as leis concretas quando a brecha que permitiu ela entrar é fechada. Por isso ela regrediu pra fumaça e fugiu.


Mike guardou a pistola devagar, mas seu rosto estava sério.


— Isso não muda o principal. Agora não estamos mais seguros. Se essas coisas são parte de uma consciência coletiva, como o Larkin insinuou na entrevista sobre a D2.9… então o bunker já é conhecido. Eles sabem exatamente onde estamos. E podem mandar mais.


Maria olhou para o grupo, exausta.


— A brecha que a gente deixou com o bracelete… virou uma porta. E eles estão do outro lado, esperando.


Apolo se levantou com ajuda de Beatriz, ainda sentindo o corpo tremer.


— Então o que a gente faz agora?


Mike olhou para o lugar vazio na parede e respondeu baixo:


— A gente reforça tudo. Porque isso foi só o primeiro.


O medo havia tomado conta do bunker de vez. O suposto último refúgio seguro agora parecia apenas uma caixa frágil, exposta aos olhos de algo muito maior.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Para minha primeira publicação, quero agradecer a todos que forem fazer parte deste universo ficcional, garanto que não faltará imersões e muita entrega do MrSandmanBr.1995.

Considerações biográficas.

 Biografia — Mr.SandmanBr.1995
Sobre o pseudônimo


Mr. SandmanBr.1995

Esta é a marca real de um escritor que para existir em um mundo praticamente bipolarizado, precisava de um pseudônimo, que estivesse a altura do universo que trás com o contexto das suas artes.
A ideia do Mr.Sandman, clássica mais pontual, no contexto de uma lenda do homem do sonhos coube perfeitamente com o ideal de elevar o imaginário dos leitores a um nível imersivo acima da expectativa dinâmica comum.

B Bem como já se vê, é o selo de nacionalidade que com toda certeza, quero deixar claro logo de cara que é arte brasileira em ação..

.1995 Já aqui, fica bem mais claro que quero também transmitir um pouco da realidade. Deixando registrado o ano de nascimento, dando aquele tom de nostalgia.

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O criador.

Um escritor solo. Sem equipe. Sem editora. Sem padrinho.

Aprendeu na prática que narrativa se constrói com três coisas: tempo, obsessão e a recusa em aceitar que o Brasil não produz ficção especulativa de peso.

Não começou como escritor. Começou como leitor.
como um fã da arte de falar as "verdades com contornos de irrealidade" um conto de "Parábolas."

Hoje escreve, revisa e publica sem contar que divulga.
Faz as artes. Escolhe as músicas. Cria os vídeos. 
Responde os comentários.
Tudo sozinho.

A solitude do escritor.

Nela esta contida a magia descoberta. 
quando escrevo sendo da forma tradicional ou com auxilio de Inteligencias Artificiais, estou sempre buscando descarregar as energias artísticas e canalizando no foco de cumprir minha meta de construir ficção cientifica ou conspiratória ou religiosa qual seja a ficção.
Quero entregar algo da mais alta qualidade com narrativa contexto pontos quase que cinematográficos.

Mas tenho provado o amagro gosto do desinteresse pela dadiva de podermos ler.

Onde estão os leitores?

se esconderam da discrepância de um pais que no auge de sua cultura tem uma mulher semi nua balançando suas ancas?
Esta critica sincera não é uma sentença mais sim uma critica expositiva da realidade atual em 2026.
porem eu ainda acredito que exista pessoas com bom gosto e senso critico.

Por que isso importa?

"Porque arte não precisa de licença para existir.
Porque um escritor solo, com as ferramentas certas e uma visão clara, pode construir algo que rivaliza com produções de estúdio.
Porque o Brasil também faz ficção especulativa de peso.
E porque Mr.SandmanBr1995, não está esperando permissão."
 
A Websérie:  Protocolo Vértice - Conspiração Extradimencional.


Uma série sobre o peso das escolhas.

Brasil, 2025. O sul do país é palco de uma descoberta que o governo insiste em chamar de "inovação". Uma cientista quântica desaparece. Um general abandona a carreira. Três garotos testemunham o impossível.

E ninguém sabe explicar direito o que está acontecendo.

Protocolo Vértice não nasceu de uma fórmula. Nasceu da vontade de fazer ficção científica com alma brasileira — sem imitar ninguém, sem pedir licença, sem se desculpar por ser densa e estranha.

A série começa devagar. Depois acelera. Depois desaba.

Não há heróis clássicos aqui. Há pessoas que erraram, que perderam, que continuam de pé por pura teimosia.

Há uma fenda.
E há o que vem dela.

Protocolo Vértice é para quem acredita que o Brasil também pode fazer ficção especulativa de peso. 
Não porque precisa provar algo.
Porque já está aprovado.

A serie tem publicação semanal. Arte por capítulo e Música.
tudo com a intenção de tornar a experiencia do leitor satisfatória imersiva ao extremo e nostálgica.

Leia como quiser. No ritmo que quiser. Mas uma vez dentro, talvez você não queira mais sair.

Por: MrSandmanBr.1995



Numero pra contato: 11 92683-7940

Redes: https://www.instagram.com/mrsandmanbr.1995?igsh=NzR4cGVwdjR2NXU5

Canal Whatsapp: https://whatsapp.com/channel/0029Vb7hNh9EKyZCTcAxFy0O

Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...