domingo, 14 de junho de 2026

Capítulo 38: Caminhos separados.

Capítulo 38: Caminhos separados.
"Entre mundos"

A manhã clareava lá fora quando Mike já estava de pé no centro da sala de operações.

O bracelete no pulso. A luz azul pulsando fraca. Maria ao lado, os olhos grudados nos monitores. Apolo encostado na parede, braços cruzados. Beatriz na cozinha, mas com um olho no corredor.

— Vai com calma — disse Maria.

— Vou.

Mike fechou os olhos.

Cozinha. A pia. A geladeira.

Expandiu a mente.

O bracelete brilhou. O círculo se abriu — contorno brilhante, raios de luz pulsando. O ar ficou pesado. A frequência 963 aumentou de volume.

Mike foi puxado.

E reapareceu.

Na cozinha.

De pé, como se tivesse dado três passos.

— Consegui — ele disse, a voz saindo com um tom de surpresa.

Maria correu para o corredor. Apolo veio atrás.

— Você foi para a cozinha?

— Foi para onde eu pensei.

— A cozinha não é a clareira — Apolo observou.

— Mas é onde eu pensei.

Maria anotou algo no notebook 

— Você controlou o destino, mas não a distância. Sua mente ainda está presa no bunker.

Mike tentou de novo. Fechou os olhos.

Clareira. A porta de ferro. O barraco.

O círculo se abriu. Ele foi puxado.

E reapareceu.

No quarto de Apolo.

De pé ao lado da cama bagunçada.

— Puta... — ele murmurou.

Apolo apareceu na porta.

— Meu quarto?

— Pensei na clareira.

— Pensou errado.

Maria apareceu atrás de Apolo.

— Sua mente está dividida. Medo, ansiedade, preocupação — tudo isso atrapalha a intenção.

Mike tirou o bracelete. Olhou para ele.

— Então não sou eu que tenho que fazer isso.

Virou-se para Apolo.

— Você.

Apolo ergueu a sobrancelha.

— Eu?

— Sua cabeça é mais limpa que a minha. Você é professor. Vive de foco.

Apolo olhou para o bracelete. Depois para Maria.

— É perigoso.

— Tudo é perigoso — Mike respondeu. — Mas você não vai cair no Gasômetro.

Apolo respirou fundo.

Estendeu o braço.

Mike colocou o bracelete no pulso dele.

Ajustou.

— Fecha os olhos. Pensa na clareira. Só nela. Nada mais.

Apolo fechou os olhos.

Clareira. O barraco. A porta de ferro. A terra batida. O cheiro de mato.

Expandiu a mente.

O bracelete brilhou — mais forte do que antes. O círculo se abriu. Os raios de luz pareciam dançar.

Apolo foi puxado.

E sumiu.

Maria correu para os monitores. A frequência 963 vibrava alto.

— Ele foi — ela disse.

*(E lá fora na clareira......)*

Do lado de fora, o sol da manhã começava a esquentar a terra.

E três bicicletas estavam encostadas no barraco.

Sérgio, Jonathan e Marcos.

Os garotos estavam colocando as bicicletas na lateral do barraco velho, como se fosse um dia comum. Como se o mundo não estivesse desabando.

— Cara, pelo amor de Deus disse Jonathan — Que fedor era aquele, cara voce deixou de novo o tênis do lado da minha cama quase morri sem ar..

— Foi sem querer!

— Sem querer o caramba. O tênis tá podre, Marcos. Podre.

— Já lavei ele!

— Não adianta lavar coisa podre!

— Chega, velho — Sérgio cortou, a voz enjoada. — Tô com ânsia de vômito aqui. Para com esse assunto.

Jonathan ia responder. Mas não conseguiu.

Porque o ar mudou.

O círculo se abriu diante deles.

Contorno brilhante. Raios de luz. A escuridão azulada no centro.

E Apolo caiu.

Não foi igual Mike — não caiu sentado, não rolou no chão. Apolo caiu em pé, desequilibrou, deu dois passos para trás e se firmou.

Os garotos congelaram.

Olhos arregalados. Bocas abertas.

— QUE ISSOO VÉIO !!! — Marcos foi o primeiro falar.

Apolo olhou para eles. Depois olhou para o círculo, que se fechou atrás dele.

— Vocês estão vendo isso?

— A gente tá vendo — Jonathan respondeu, a voz falhando.

Sérgio piscou três vezes.

— Como você... o que...

Apolo passou a mão no rosto.

— Entra. Lá dentro a gente explica.

Virou e foi em direção à porta de ferro.

Os garotos se entreolharam. Pegaram as mochilas. Seguiram

A porta de ferro rangeu ao abrir.

Apolo desceu a rampa. Os garotos atrás, ainda em silêncio, ainda processando.

Mike estava na sala de operações, os braços cruzados.

— Viu? — perguntou.

— Vi. Funcionou.

— Funcionou como?

— Eu pensei na clareira. Fui para a clareira.

Maria apareceu no corredor. Beatriz veio atrás.

— Os garotos estão aqui — Beatriz disse, como se não fosse óbvio.

Sérgio largou a mochila no chão.

— Alguém vai explicar o que tá acontecendo?

— Senta — Mike respondeu.

E explicaram.

O bracelete. A intenção. As viagens. O teste de Mike que deu errado. O teste de Apolo que deu certo.

Marcos ouviu com os olhos arregalados.

— O tio Apolo viajou no tempo?

— Não no tempo, No espaço eu suponho disse Sérgio.

— Que doideira Jonathan subindo o óculos no rosto falou.

— Ainda estamos testando disse Maria.

Sérgio não falou nada. Só olhava para o bracelete no pulso de Apolo.

— Você vai tentar de novo? — perguntou.

— Vou — Apolo respondeu.

— Agora?

— Agora.

Maria correu para os monitores.

— Pode ser perigoso.

— A gente precisa saber se foi sorte ou controle.

Apolo fechou os olhos.

Clareira. O barraco. A porta de ferro.

Expandiu a mente.

O círculo se abriu — ali, dentro do bunker, diante de todos.

Os garotos recuaram. Beatriz segurou o braço de Sérgio.

Apolo foi puxado.

Sumiu.

O círculo se fechou.

Silêncio.

Marcos disse preocupado:

— Ele volta?

Antes que alguém respondesse, o círculo se abriu de novo.

Apolo caiu em pé.

De novo.

— Consegui — ele disse, a voz firme. — Pensei na clareira. Fui para a clareira. Pensei no bunker. Voltei para o bunker.

— Você controlou a ida e a volta? — Maria perguntou, os olhos brilhando.

— Controlei.

Mike descruzou os braços.

— Então agora a gente sabe que funciona.

— Agora a gente sabe que EU consigo fazer funcionar — Apolo corrigiu. — Você ainda não.

Mike não respondeu. Mas não discordou.

Os Garotos caíram na risada.

O clima se descontraiu.

Sérgio abriu a mochila e tirou uma Tupperware grande.

— Meus pais pediram pizza ontem. Perguntaram de você.

— O que você falou? — Apolo perguntou.

— Que você tava na casa da Beatriz.

— Mentiroso.

— Mentira branca. Tá tudo meio estranho, mas agora parece que tá ficando mais tranquilo. Depois que isso tudo passar, talvez você volte para casa. Dar um parecer para eles.

Apolo não respondeu.

Sérgio abriu a Tupperware. O cheiro de pizza tomou conta da sala.

— Calabresa, mussarela e frango com catupiry.

Marcos avançou.

— Devagar, garoto — Beatriz segurou o braço dele. — Tem que esquentar primeiro.

— Dá pra comer fria!

— Dá, mas não vai.

Ela levou a Tupperware para a cozinha. Ligou o forno.

Os garotos se espalharam pela sala. Jonathan sentou no sofá. Marcos foi direto para a cozinha, atrás da pizza. Sérgio ficou ao lado de Maria, olhando para os monitores.

— Isso aí é o que? — perguntou, apontando para a tela cheia de linhas e números.

— A energia do bracelete — Maria respondeu. — Olha.

Ela apontou para uma linha que pulsava na tela — igual uma linha de batimento cardíaco.

— Quando o bracelete é ativado, essa linha sobe. E o som aumenta.

Ela aumentou o volume da caixa. A frequência 963 zumbia baixo, constante.

— Escuta. Normal.

Depois mostrou uma gravação do momento em que Mike foi sugado.

— Agora.

O zumbido dobrou de volume. Quase um som.

— E as luzes — ela continuou. — Quando o bracelete está ativo, as luzes do bunker ficam mais claras. Chegam a piscar.

— Por que? — Sérgio perguntou.

— Porque a energia que ele emana interfere em tudo. Luz, som, espaço. É uma energia... etérea. Não consigo captar 100% nos sensores.

— Mas consegue perceber.

— Consigo.

Marcos apareceu no corredor, uma fatia de pizza na mão.

— É mágica?

— Não é mágica — Maria respondeu. — É ciência. Só que a gente ainda não entende.

Marcos deu uma mordida na pizza.

— Pra mim é mágica.

— Marcos, pianinho — Sérgio falou.

Marcos riu. Foi até Beatriz, que saía da cozinha com a Tupperware quente. Abraçou ela.

— Tia, cê tá bem?

— Tô sim. E você?

— Tô. Só... sentindo falta do Josué.

Beatriz ajeitou o cabelo dele.

— Ele era especial.

— Eu não entendia no começo. Mas depois que ele foi embora... eu comecei a entender que existe sim um poder superior. E que eu preciso aprender mais disso.

Beatriz beijou a cabeça dele.

— Vai com calma. Uma coisa de cada vez.

Apolo chamou o Mike e disse vem aqui Mike sem entender bem seguiu ele. 

Chegando ao quarto de Apolo Mike disse eu não sou a Beatriz não viu. 

Apollo rio mas fechou a porta.

— Preciso te falar uma coisa.

— Fala.

— Eu não vou conseguir fazer o que a gente precisa fazer vestido de professor.

Mike olhou para ele.

— O que você quer dizer?

— Eu preciso abandonar o professor. Deixar ele de lado. Dar espaço para o soldado.

Apolo abriu a gaveta do criado-mudo. Tirou uma máquina de cortar cabelo.

Velha. De cabo. Daquelas de barbearia antiga.

Entregou na mão de Mike.

— Faz.

Mike segurou a máquina. Olhou para ela. Depois para Apolo.

— Ah vai ser uma grande honra pode deixar comigo!!

Na sala de operações, Maria explicava para Sérgio e Jonathan sobre as leituras de energia.

— Quando o bracelete tá ativo, a linha sobe. E o som aumenta. Já percebi que as luzes piscam também.

— Tipo um radar? — Jonathan perguntou.

— Tipo um radar espiritual.

— E a senhora consegue ver quando alguém tá usando?

— Consigo. Aqui no bunker, sim. Se estiver perto.

Marcos se aproximou, curioso.

— Que legal.

— Legal não é a palavra. É assustador.

Mike passou pelo corredor. Não disse nada. Foi direto para o quarto de Apolo e fechou a porta.

Trinta minutos depois, a porta abriu.

Mike saiu primeiro.

Apolo veio atrás.

O cabelo vermelho tinha sumido. Agora era curto, raspado dos lados, estilo militar. A barba — que ele deixava crescer há semanas — estava toda raspada.

O rosto dele era outro. Mais duro. Mais velho.

Vestia uma blusa preta. Colete militar por cima — não à prova de balas, mas daqueles táticos, cheio de bolsos. Calça cargo preta. Coturno.

Dois coldres cruzados no peito. Cada um com uma pistola.

Mike vestia exatamente igual. Só que no lugar dos coldres, o velho revólver na cintura.

Os dois entraram na sala de operações.

O papo morreu.

Beatriz levou a mão à boca.

— Apolo...

— Eu sei — ele respondeu.

— Você tá...

— Diferente.

— Não é diferente. Você tá irreconhecível.

Apolo não respondeu. O olhar dele era outro. Frio. Focado.

Jonathan assobiou baixo.

— Caraca, velho!!

Apolo olhou para ele com um olhar duro e disse não me chama de velho!!

Marcos que não esperava essa resposta se assustando disse:

— Desculpa.

A Paula mudou o semblante novamente com um sorriso aparente e disse:

— Não precisa pedir desculpa era Zoeira.

Marcos ficou olhando, Duas armas a aparência e ficou com a boca cheia de pizza.

— O senhor vai matar alguém?

— Se precisar, sim

Sérgio engoliu em seco.

— Vocês dois vão? Perguntou o Sergio preocupado com o irmão.

— Sim Vamos responder Apolo.

Maria foi até Mike. Ajeitou o coldre dele. Depois olhou no olho.

— Volta.

— Volto.

Beatriz não foi até Apolo. Ficou onde estava. Mas os olhos dela estavam marejados.

— Você promete?

— Prometo.

O silêncio pesou.

Apolo quebrou:

— Temos que ir.

Mike olhou para o relógio. 9h47.

— É a Hora.

Os dois se posicionaram no centro da sala de operações.

Apolo com o bracelete no pulso. Mike ao lado dele.

— Você coloca a mão no meu ombro — Apolo disse. — Não solta até chegarmos.

— Combinado.

Mike colocou a mão no ombro de Apolo.

Os dois respiraram fundo.

Apolo fechou os olhos.

Porto Alegre. O laboratório. A escotilha. O lugar onde entramos com os garotos. A primeira invasão.

Expandiu a mente.

O bracelete brilhou — mais forte do que nunca.

A luz azul-cobalto preencheu a sala. As lâmpadas do bunker piscaram. A frequência 963 não zumbiu — ela vibrou, um som grave que parecia vir de dentro dos ossos.

Maria correu para os monitores. A linha cardíaca da energia disparou.

— Agora! — ela gritou.

Diante de Mike e Apolo, dois círculos se abriram.

Um diante de cada um.

Contornos brilhantes. Raios de luz pulsando.

Os dois círculos giraram, se aproximaram, se uniram em um só — maior, mais intenso, mais profundo.

A escuridão azulada no centro parecia viva.

Apolo abriu os olhos.

— Vamos.

Os dois foram sugados.

Sumiram.

O círculo se fechou.

Silêncio.

Beatriz prendeu a respiração. Maria não tirou os olhos dos monitores. Os garotos ficaram paralisados.

— E agora? — Marcos perguntou, a pizza esquecida na mão.

— Agora a gente espera — Maria respondeu.

Eles caíram dentro de um armário de armazenamento.

O ar gelado cortou os pulmões. Prateleiras gigantescas guardavam milhares de pequenos recipientes, cada um contendo fragmentos de matéria escura e pulsante.

Apolo se levantou primeiro. Estendeu a mão para Mike.

— Tá vivo?

— Tô.

Os dois sacaram as armas.

Apolo abriu a porta do armário devagar.

O laboratório era vasto, estéril, iluminado por luzes brancas e frias. Nenhum soldado à vista. Nenhum alarme.

— Estranho — Mike sussurrou.

— Muito estranho.

Eles avançaram de pilar em pilar, cobertos pelas sombras. Chegaram a uma parede maciça de metal onde antes ficava a porta para a fenda — agora totalmente lacrada.

Mike apontou para o chão. Uma escotilha circular.

— Ali.

Apolo assentiu.

Eles desceram.

A plataforma de metal vibrava sob os pés.

Abaixo deles, o inferno.

A fenda dimensional não era mais uma rachadura. Era um abismo colossal — mais de seiscentos metros de profundidade, uma ferida aberta na realidade, pulsando com uma luz azul cromática que distorcia o ar.

Lá embaixo, cientistas em trajes de proteção se moviam como formigas.

— Isso é muito maior do que da última vez — Apolo disse.

— Eles estão expandindo.

Mike apontou para o centro da fenda.

— Olha.

Uma criatura disforme saiu da luz azul. Se contorceu, se desfigurou, sua forma mudando como argila molhada. Em segundos, assumiu o aspecto de um capitão militar humanoide — mas terrivelmente errado. Os olhos não piscavam. A boca não se movia quando falava.

— Elliot — Mike murmurou.

— Ele não morreu?

— Ele nunca foi humano.

O capitão — ou o que quer que ele fosse — apontou para a plataforma onde Mike e Apolo estavam escondidos.

E começou a subir.

Não pelas escadas. Pelas paredes.

Como uma sombra líquida.

— Vamos — Mike puxou Apolo.

Eles correram.

No topo da plataforma, uma silhueta os esperava.

Larkin Andersen.

Ou o que tinha sido Larkin Andersen.

O rosto era o mesmo. O sorriso também. Mas os olhos — os olhos eram duas fendas de luz azul, profundas como a fenda atrás dele.

— Parabéns — Larkin disse, a voz saindo de sua boca e também de algum lugar distante. — Vocês chegaram longe.

Apolo apontou a pistola.

— Não atira — Mike disse baixo. — Não vai adiantar.

— Por que não?

— Porque ele não tá aqui.

Larkin riu. O som ecoou, se multiplicou, veio de todos os lados ao mesmo tempo.

— Esperto. Sempre foi esperto, general.

A criatura que tinha sido Elliot chegou ao topo da plataforma. Parou ao lado de Larkin.

Os dois se olharam. Sorriram.

O mesmo sorriso.

— Vocês dois... — Apolo falou, a voz falhando.

— Nós dois o quê, professor?

Apolo, ficou surpreso com a forma com que ele o chamou evidenciando que eles sabiam de tudo! 

— Vocês são a mesma coisa disse Mike.

Larkin inclinou a cabeça.

— Agora você entendeu.

Elliot deu um passo à frente. Sua forma começou a mudar — a pele derretendo, os ossos se rearranjando. Em segundos, não era mais Elliot. Era Larkin.

E Larkin, ao mesmo tempo, se desfez e se tornou Elliot.

Dois corpos. Uma única presença.

— Nós somos o que vem depois — as duas vozes falaram em uníssono. — E vocês são o que fica para trás.

Mike apertou o ombro de Apolo.

— Agora vai vaiii...

Apolo fechou os olhos.

Bunker. A sala de operações. A Maria.

Expandiu a mente.

O bracelete brilhou.

O círculo se abriu atrás deles.

Os soldados de preto e prata já estavam chegando. Larkin e Elliot avançaram.

Mike empurrou Apolo para dentro do círculo.

Eles caíram.

O teto do laboratório se abriu.

Mike e Apolo caíram juntos, rolando no chão, um em cima do outro.

O círculo que havia soltado eles havia ficado instável e pulsando por alguns segundos como se algo não quisesse que ela fechasse todos ficaram sem ar olhando até que ele se fechou por completo.

Maria correu!!

— Vocês voltaram!

— Voltamos — Mike respirou, ofegante.

Apolo se levantou. As mãos tremiam.

Beatriz segurou o rosto de Apolo com as duas mãos.

— Você tá machucado?

— Não.

— Você tá tremendo.

— Eu sei.

Ela abraçou ele. Forte.

Mike ficou de pé. A mão na pistola, o olhar no teto, como se esperasse o círculo se abrir de novo.

Não abriu.

Maria veio até ele.

— Mike.

— Eu vi ele.

— Quem?

— Larkin. Elliot. Eles não são humanos. Eles nunca foram.

Ela apertou a mão dele.

Os garotos estavam paralisados no canto da sala. Marcos com a pizza espremida na mão. Jonathan com os braços cruzados, os nós dos dedos brancos. Sérgio entre eles, o rosto pálido.

— O que aconteceu lá dentro? — Sérgio perguntou.

Então Mike relatou: Não existe mais uma fenda eles estão com um portal completo aberto é um abismo Azul chromatico...

—Apolo completou é uma abismo Dimensional!!

Então Maria perguntou eles seguiram vocês

Mike ia responder não conseguiu as luzes do banco começaram a piscar desesperadamente o som que antes era como um sussurro mudou sua tonalidade mais parecia um murro cultural o ar mudou parecia que a realidade estava tomando outra forma...

— O que é isso? — Beatriz perguntou.

— Não sei — Maria respondeu.

No centro da sala, diante de todos, o ar começou a brilhar.

Não era azul. Como o bracelete.

Era dourado.

Um amarelo intenso, quente, que preencheu o espaço sem queimar.

As linhas de luz não formaram um círculo.

Formaram um triângulo.

Perfeito.

Que se abriu como um leque, revelando não uma espiral, mas um corredor de luz sólida.

Maria recuou. Mike colocou a mão na pistola. Apolo puxou Beatriz para trás. Os garotos se apertaram uns contra os outros.

Do portal triangular, uma figura saiu.

Cabelo longo, branco, caindo sobre os ombros. Contrastando com o pesado casaco escuro que usava. Por baixo, várias camadas de roupa: túnica clara, colete acolchoado, tudo amarrado por faixas de couro e tecido na cintura.

Um cachecol vermelho com padrões dourados estava jogado sobre o pescoço. Um colar com um medalhão antigo repousava no peito.

Luvas de couro gastas. Botas robustas.

Ele parecia um viajante que atravessou não apenas estradas, mas eras.

O rosto era sério. Os olhos, de uma calma milenar, examinaram cada um deles.

A sala ficou em silêncio absoluto.

Ele parou.

Olhou para o grupo.

E com uma voz que parecia ecoar de um lugar muito distante, disse:

— Olá.

Pausa.

— Eu sou Kairós.

Outra pausa.

— Guardião... interino... da Dimensão Quatro. A dimensão do tempo.

Ele fez uma pausa maior. Um leve sorriso tocou seus lábios.

— Acho que nós precisamos conversar.

O portal triângulo se fechou atrás dele e um ar de medo misturado com incerteza tomou conta daquele ambiente..

As luzes do bunker pararam de piscar.

A frequência 963 voltou ao zumbido baixo de sempre.

Então diante daquele ser daquele homem todos se mantiveram em silêncio e o ambiente do universo de protocolo vértice começa a se desfazer não de qualquer forma mas como uma escuridão que nos leva ao pleno entendimento de que isso não é o fim então começam a tocar os primeiros acordes potentes e inconfundíveis de sintetizador, a música começou a tocar:

Separate Ways (Worlds Apart) — Journey


*FIM DO VOLUME 1 !!*
_Até breve!!_

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Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...