Capítulo 6: Demiurgo, a Matéria que Respira
O Templo Seródio pulsou uma vez, como se aprovasse a decisão deles.
Kairós não caminhou, ele deslizou, e a luz sob seus pés se recolheu, abrindo um corredor espiral que descia para dentro da própria estrutura do templo.
As paredes não eram paredes; eram membranas translúcidas que respiravam em ritmo lento, expandindo e contraindo como pulmões gigantes.
Cada batida emitia um som grave, quase um zumbido de órgão, que fazia vibrar o tórax.
Apolo sentiu o ar ficar mais denso.
— Esse lugar... ele tá vivo.
Kairós respondeu sem olhar para trás.
— Não como você esteja interpretando.
Vocês estão prestes a ver o que eu vi dentro do abismo no laboratório onde estão desenvolvendo o Demiurgo.
Mike levou a mão à têmpora.
A dor de cabeça voltou, mais sutil que antes, como uma agulha quente.
Era a mesma sensação do sonho, quando as mãos escuras o seguravam e a voz sussurrava “escolhido”. Ele não disse nada, apenas seguiu.
O corredor terminou numa câmara circular.
Não havia porta, apenas um véu de luz dourada, fino como névoa, que tremia como superfície de água e Kairós parou diante dele.
— A Câmara do Véu.
O que vocês virem aqui é a verdade por de trás do mecanismo.
Ele passou a mão pelo véu.
A luz se abriu como cortina de água, revelando um espaço imenso, escuro, onde algo parecia respirar.
No centro estava suspensa uma massa.
Não tinha forma definida mais era semelhante a um coração feito de matéria morta.
Era um amontoado de carne como que escurecida cheia de veias pulsantes.
Um coração colossal não um pequeno coração era algo de entorno de quatro a cinco metros.
A massa pulsava, e a cada pulsação pequenas fagulhas vermelhas subiam e se apagavam no ar.
Ela tinha um som como de respiração.
O som era úmido e visceral.
A intensidade da visão ficou mais profunda.
Então uma boca apareceu daquela massa, uma boca com dentes como de aço.
E de dentro saiu uma língua como um tentáculo com outra boca nele menor.
Apolo engoliu seco e disse: QUE MERDA E ESSA!
Já Mike sentiu o estômago embrulhar.
— Isso é o Demiurgo
— Disse Kairós.
Uma consciência coletiva feita de energia corrompida, alimentada por tudo que os humanos emanam: medo, desejo, violência, idolatria. Ela não pensa como vocês. Ela reage.
Mas agora ela ganhou a capacidade de se alimentar de matéria o que pode fazer com que seu estado seja construído no mundo matéria para completar a sua transformação caótica.
Nesse espaço vazio estavam prostrados diante da criatura o presidente Giovanni Conte, Larkin Andersen, Elliot Gillard e o General Fontoura.
A matéria começou a se mover, e lentamente o tentáculo tocou cada um deles.
Após o toque, todos vomitaram uma gosma verde e caíram como mortos.
No meio dos corpos surgiu uma fila de encapuzados com capuzes vermelho escarlate e preto.
Logo a escuridão se revelou como uma sala de um templo e no entorno de tudo muitas taças estavam de baixo do ser caótico.
Então todos os que estavam caídos como mortos, receberam da criatura algo como uma sombra densa. E ela entrou por suas bocas se apoderou do corpo de cada um deles.
neste momento deu para ouvir estalos de ossos e os corpos se quebrando ate que se colocaram de pé com um semblante assustador e seus olhos tornaram vermelhos.
Então, todos da fila de encapuzados se ajoelharam diante da criatura e também os que haviam recebido a entidade sombria.
Então o último homem que não era como os outros se aproximou.
O rosto estava oculto por uma manta que cobria o corpo inteiro, com cor roxa escura, bordada com detalhes em ouro e cor branca.
O capuz era um trabalho meticuloso: todo feito de penas e moldado no formato de uma cabeça de coruja, os olhos estavam brilhando com um reflexo dourado provavelmente feito de ouro.
Ele segurava uma taça com as duas mãos.
O Demiurgo moveu lentamente o tentáculo, chegando próximo da taça daquele tentáculo deixou cair na taça algumas gotas de um líquido de cor esverdeado mais muito escuro.
Mike olhou para Kairós, a voz quase sumindo.
— O que é isso?
— O Elixir do Caos respondeu Kairós.
O homem da manta roxa guardou a taça junto ao peito e virou as costas.
Um a um, tanto os lideres envolvidos naquela trama de horror quanto os encapuzados, se levantaram e o seguiram, saindo da câmara em silêncio.
Kairós colocou a mão no ombro de Apolo e na nuca de Mike.
— Venham.
O véu se fechou atrás deles.
O corredor espiral os puxou para cima e, quando atravessaram a curvatura da luz, o ar mudou.
O chão apareceu sob os pés.
Liso, de pedra clara, firme.
O corpo deles voltou a ser corpo: peso, respiração, pele sensível.
Estavam agora na câmara temporal, um salão amplo dentro da Dimensão Quatro onde a forma material humana era restaurada.
Os dois ficaram em pé, junto a Kairós; Respiravam com esforço, o coração ainda acelerado.
O silêncio era pesado.
Mike passou a mão no rosto, a voz trêmula.
— Eu nunca imaginei que veria algo assim… Aquela coisa… ela estava viva.
Respirando e aquelas pessoas… entregando parte de si para ela.
Apolo estava pálido, os olhos ainda arregalados.
— Foi pior do que qualquer coisa que a gente viu até agora.
A Dimensão Quatro já era demais… mas ver aquilo… ver o presidente Giovanni Conte ajoelhado, vomitando aquela gosma… e sendo quebrado por dentro foi assustador.
E aquele homem da manta roxa levando o Elixir embora… Meu Deus, Kairós… O que eles vão fazer com aquilo?
Kairós manteve a voz calma, mas grave.
— O Elixir do Caos será disseminado.
Eles pretendem introduzi-lo na água, nos alimentos e, através de vetores biológicos, espalhá-lo pelo mundo.
Não é para matar rapidamente.
É para enfraquecer, gerar pânico e dor em escala global.
Cada morte, cada momento de medo e submissão, vai alimentar o Demiurgo.
É um sacrifício coletivo.
Quando a massa estiver saciada, eles pretendem fazer o reset.
Reiniciar a ordem mundial sob o controle total deles.
Apolo engoliu em seco.
— Tenho uma teoria, esta coisa de coruja e as cores quando estudávamos acões paranormais conspirações e toda a parafernália ufológica este simbolismo sempre nos levaram a uma família muito rica da Europa, os Rothvelth.
— Talvez aquele homem da manta roxa… Seja, Nathaniel Rothvelth.
Líder da família Campo Vermelho.
Um dos homens mais ricos e influentes do planeta.
Aparece nas maiores revistas como filantropo, envolvido em ajudas humanitárias e doações bilionárias…
Sera que é ele a mão invisível que sustenta a moeda mundial e financia esse horror ?
Mike respirou fundo, ainda sentindo o eco da dor na cabeça.
— Então o cara que controla boa parte do dinheiro do mundo estava ajoelhado diante daquela coisa…
E levou embora um "veneno" para espalhar de alguma forma?
Tudo que a gente viu no Projeto Prometheus era só fachada.
Kairós assentiu.
— Exatamente.
O silêncio voltou por alguns segundos.
Apolo e Mike trocaram um olhar carregado de tremor e incredulidade.
Um triangulo perfeito apareceu diante deles.
Kairós disse: Como prometido, vamos mais antes quero o bracelete por que tenho que devolver ele ao lugar certo.
E vocês ficaram com outro meio pois este não é um opção para uso na terceira dimensão a dimensão material.
E como viram, agora mais que nunca vocês sabem que não tem mais volta..

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