“O Templo do tempo Seródio”
O Triângulo Dourado os engoliu.
Por um instante não houve som, nem luz, nem chão.
Apolo e Mike sentiram o corpo inteiro dissolver-se em pura frequência, como se cada átomo fosse afinado numa nota que a Dimensão Três nunca conseguira tocar.
O tempo não parou — ele se abriu.
Eles viram linhas de luz dourada entrelaçando passado, presente e futuro como fios de uma teia viva.
O deslocamento era científico na precisão: cada célula do corpo respondia a uma ordem matemática que o espaço tridimensional não comportava.
Não era dor, era expansão.
Quando a sensação se estabilizou, eles estavam flutuando.
Não havia chão sólido, não havia sol, nem lua, nem céu como conhecíamos.
O “ar” ao redor era uma cortina de cores que não existiam na Terra — um violeta que queimava sem calor, um verde que cantava, um ouro que respirava.
A aurora boreal parecia uma criança tímida perto daquilo.
Tudo era iluminado por si mesmo, como se a própria luz obedecesse a uma ordem superior.
Mike piscou, a voz rouca de espanto:
— Apolo… olha isso. Não tem horizonte. Não tem fim. É como se… como se o espaço estivesse vivo.
Apolo, olhos arregalados, estendeu a mão e viu os próprios dedos deixarem rastros de cor que demoravam a desaparecer.
— Eu sinto… eu sinto que se eu pensar numa direção, o lugar responde.
É física, Mike. Mas uma física que obedece ao pensamento.
Kairós flutuava à frente deles, sereno.
— Bem-vindos ao Reino do Tempo Seródio.
Aqui a lei não é imposta, ela é lembrada.
Eles começaram a mover-se, não andando, mas sendo conduzidos pelo pensamento coletivo de Kairós.
O movimento era suave, como voar em sonho, mas com a nitidez de realidade absoluta.
Ao longe surgiu o contorno de um reino: torres altas feitas de um material que parecia cristal líquido e nuvem ao mesmo tempo, impossível de definir. Nuvens prateadas giravam ao redor do castelo como guardiãs vivas.
Kairós ergueu a palma da mão e pronunciou uma única palavra em uma língua que não pertencia a nenhum ouvido humano:
«𒀭𒈪𒀀𒇉𒀾»
O som vibrou dentro do peito deles como um acorde que o corpo inteiro reconheceu, mas a mente não conseguia traduzir. Os glifos pairaram no ar por um segundo, brilhando, antes de se dissolverem em luz.
Uma porta colossal de luz se abriu diante deles.
Lá dentro, o Templo Seródio pulsava. Seres encapuzados de vermelho profundo moviam-se em silêncio absoluto.
Os capuzes cobriam todo o corpo; não havia rosto visível, apenas uma luminosidade suave onde a face deveria estar como se a luz fosse a própria identidade.
Eles flutuavam entre colunas, manipulando esferas de energia, tecendo fios de tempo que brilhavam como teias de aranha douradas. O trabalho era preciso, quase cirúrgico.
Apolo parou, voz baixa:
— Kairós… quem são eles?
Kairós continuou andando, com voz calma disse:
— São os Serôdios. Guardiões da quarta dimensão.
Não são anjos e nem demônios.
São consciências que escolheram servir à Ordem Primordial.
Eles mantêm o equilíbrio entre as linhas temporais para que o Criador possa escrever a história sem rasurá-la, na verdade vindo do criador creio que isso seria impossível..
Mike engoliu em seco.
— Então… Deus é real? O céu é real? Essas forças celestiais??
Kairós virou-se para eles, olhando sereno mas firme.
— Aos escolhidos será manifestado todas as coisas.
No tempo certo.
Não antes.
Perguntar não é errado.
Forçar a resposta antes da hora é… perigoso.
Mike sentiu um flash repentino.
O sonho, as sombras, ele no centro de um círculo, incapaz de se levantar; Uma voz sussurrando “escolhido” enquanto mãos escuras o prendiam.
A dor na cabeça veio como um martelo.
Ele cambaleou no ar.
No bunker, o rádio crepitou forte.
Jonathan tinha conectado a transmissão diretamente ao avô dos garotos, que acompanhava tudo de longe, em silêncio absoluto.
Maria apertou o aparelho contra o peito.
— Mike? Apolo? Vocês estão bem? O sinal está estranho…
Beatriz, ao lado dela, segurava a mão de Maria.
No bunker só estavam elas, Marcos, Sérgio e Jonathan. O avô ouvia tudo pelo rádio, mas não estava presente fisicamente.
Mike respondeu, voz tensa mas controlada:
— Estou… aqui.
Só senti uma dor de cabeça forte por um segundo.
Passou.
Estamos bem.
Informe de Campo: tudo aqui e Celestial.
Não tem como mensurar a aparência deste lugar neste momento estamos Flut..u…(chiado intenso)
Voando sobre um mar de brilho fora do contexto de tudo que vimos…
(Chiado….)
Sem palavras pra explicar tudo aqui é mais que poderiam entender..
Existem cores que eu mesmo nunca ousei pensar que poderiam existir tudo aqui é tão assustador quando e lindo..
Estamos indo em direção a um castelo com umas torres e no entorno tem nuvens que são como guardas..
(Chiado forte conexão cortada…….)
Maria olhou para Beatriz, olhos marejados, apertando com mais força a mão da amiga.
Sinal retornou de fato Não tem como negar a beleza desta criação..
O Criador Existe e parece que caprichou aqui.
— Beatriz… isso é maior do que a gente imaginava.
Um mundo criado por um Criador.
Eu… eu sempre acreditei em Deus, mas agora… é como se Ele estivesse me mostrando.
Eu não sei nem como falar isso direito.
Beatriz apertou a mão dela de volta.
— Eu sei.
Eu sinto a mesma coisa.
A gente rezava achando que era só esperança.
Mas agora …
“Parece que a esperança ganhou forma.
Vamos confiar.
Eles vão voltar.”
De volta ao Templo, Kairós adentrou um portão cor de Âmbar como uma peça de ferro maciço em altas temperaturas.
Conduziu-os por um corredor que descia em espiral — não de degraus, mas de luz que se curvava para baixo.
— O avô de Marcos e Jonathan pediu que Yuri fosse liberto!
Ele está preso entre dimensões desde o acidente.
— Chegamos.
No centro de uma câmara circular flutuava um cubo perfeito de energia negra e dourada.
Dentro dele, suspenso, o corpo de Yuri — ainda fardado como soldado russo, rosto jovem, como no dia da prisão. Mas os olhos estavam abertos, vazios.
Kairós ergueu a mão direita, fez um movimento circular lento.
Com a ponta do dedo tocou o cubo.
Com a outra mão levando o pingente ate a boca.
Fez um som como de chiado.
O cubo se desfez como fumaça.
O corpo de Yuri envelheceu instantaneamente — rugas, cabelos grisalhos, marcas do tempo real que ele nunca viveu.
A alma retornou.
Em algum lugar na Rússia, em um hospital, monitores apitaram.
A família, prestes a desligar as máquinas, viu o homem abrir os olhos.
Ele viveria mais alguns anos.
Apenas para se despedir.
Mas não se lembraria de nada.
Nem do exército, nem do portal, nem da dimensão.
A memória foi apagada como preço da libertação.
Apolo murmurou:
— Ele não vai lembrar… de nada?
Kairós balançou a cabeça.
— É o acordo.
A alma volta limpa.
A dor fica aqui.
Mike, ainda com a cabeça latejando, insistiu:
— Kairós… aqueles seres… são demônios?
O Demiurgo…
Kairós ergueu a mão, interrompendo.
— Não há tempo para explicar tudo agora.
Vocês precisam ver o Demiurgo com os próprios olhos.
Ele os levou até uma estrutura que parecia uma máquina feita de luz pura — um anel giratório de cristais que pulsavam dentro de uma esfera.
— A Máquina do Tempo na Consciência. Vocês terão visões do que eu vi. Entendimentos instantâneos.
Eles entraram.
As imagens vieram como relâmpagos: o Projeto Prometheus havia sido apenas uma mentira bonita.
Os humanos pensavam que controlavam os seres.
Na verdade, os seres controlavam os humanos.
Agora o projeto verdadeiro tinha nome: Projeto ÉREBUS.
Quando a visão terminou, Apolo e Mike estavam de joelhos, ofegantes, mas com a mente clara como nunca.
Kairós estendeu as mãos para ajudá-los a se levantar.
— Agora vocês estão prontos para ver mais da Dimensão Quatro.
O que viram foi só o começo.
O império trevoso está exposto.
E a verdadeira guerra… mal começou.
Mike olhou para Apolo ainda sem fôlego.
Apolo olhou para Kairós.
E disse:
— Vamos em frente.
O Templo Seródio pulsou e eles foram levados por kairós..
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