Capítulo 13: A Investigação Noturna
Apolo deixou os garotos em suas casas, ainda inquieto com tudo o que havia acontecido. Não conseguia tirar da cabeça a imagem da fissura na parede. Decidiu que precisava fazer algo. Na madrugada, pegou o binóculo, a lanterna e saiu sozinho para investigar novamente o laboratório.
Enquanto dirigia, enviou as fotos que havia tirado para seus amigos que pesquisavam fenômenos paranormais e aparições.
“Preciso de informações sobre isso. É urgente”, escreveu.
Ao chegar perto do local, estacionou o carro um pouco antes da colina e continuou a pé. A madrugada estava fria e silenciosa demais. Cada passo parecia fazer barulho demais na mata escura.
Ao subir a colina, ele congelou.
Havia um homem parado mais acima, imóvel, olhando para o laboratório. No mesmo instante em que Apolo se mexeu, o homem virou-se bruscamente, apontando uma lanterna forte direto no rosto dele.
— Alto lá! — gritou o homem, voz firme e agressiva. — Quem é você e que merda está fazendo aqui?
Apolo ergueu a mão para proteger os olhos da luz, coração disparado.
— Calma! Me chamou Apolo Mendes; Por favor não faça nada!
Houve um segundo de tensão pesada. A lanterna baixou um pouco.
— Apolo...? — disse o homem, ainda desconfiado. — Que diabos você tá fazendo aqui no meio da madrugada?
Só então Apolo reconheceu a voz.
— Mike...? — respondeu, surpreso. — Cara, você quase me mata de susto.
Mike baixou completamente a lanterna, mas manteve a postura rígida, claramente ainda em alerta.
— Eu perguntei primeiro. O que você tá fazendo aqui?
Apolo respirou fundo, ainda com a adrenalina alta, e decidiu ser sincero:
— Na verdade... eu também estou investigando o laboratório. Existem coisas muito estranhas ali.
O céu já começava a clarear levemente no horizonte. Mike olhou para os lados, verificando o perímetro, e bufou.
— Não podemos ficar aqui. Daqui a pouco amanhece e não é bom sermos vistos espionando esse lugar. Vamos pra uma lanchonete. Preciso de um café... e você vai me explicar direitinho o que está acontecendo.
Apolo concordou. Os dois desceram a colina e foram até a lanchonete mais próxima. Sentaram-se em uma mesa afastada, pediram café e Mike foi direto ao ponto:
— Eu estou de babá de uma cientista renomada... digo, maluca. Essa bruxa não desiste de tentar abrir um portal. Pra mim isso é coisa de louco. E o pior é que ela está recebendo mais investimento que o próprio Exército. Estamos sendo usados como seguranças dessa maluca que já errou várias vezes, gastando dinheiro por ambição do presidente.
Apolo, ainda cauteloso, comentou:
— Portal? Que doideira...
Ele hesitou, mas acabou contando parte do que viu:
— Eu vi algumas máquinas estranhas e uns caras de carro preto. Você tá sabendo de algo? Foi meu irmão mais novo e os amigos dele que me falaram desse laboratório. Pra não deixar eles irem sozinhos, eu fui junto.
Mike alertou:
— Fica longe desse pessoal. Esses são os americanos... Acho que é a CIA ou coisa do tipo.
Então Mike baixou o tom de voz e falou sobre o sonho:
— No final da tarde de ontem eu estava no sítio e tive um sonho estranho... Nessa visão, a bruxa estava abrindo o portal e aconteceu uma coisa esquisita. Uma voz me chamou de dentro de uma fenda. Acordei apavorado... e com um pedido pra que eu ficasse de babá dela hoje.
Mike tomou um gole de café e completou:
— Por isso vim ver o laboratório. Mas tá tudo bem pelo visto...
Apolo ficou boquiaberto.
Eles trocaram números de telefone. Mike finalizou:
— Não se preocupe. Eu estou vendo isso. Eu te dou algum feedback. Não se exponha, não sei qual é a intenção dos americanos aqui. E deixa esses garotos longe dali. Vou tentar acabar com isso hoje. Vou falar com o presidente.
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