sábado, 6 de junho de 2026

Capítulo 14: Ligando os Pontos.


Capítulo 14: Ligando os Pontos.

General Mitchel Ferrer chegou ao laboratório principal em Porto Alegre com a intenção clara de falar diretamente com o presidente. Ele precisava relatar a construção suspeita e não autorizada que havia descoberto na região de Santa Rosa. Porém, assim que entrou no complexo, foi interceptado por um assessor.
— General Mitchel, o presidente precisa falar com o senhor com urgência. Por favor, me acompanhe.
Mitchel mudou o semblante, surpreso, mas seguiu. Foi levado ao gabinete onde o presidente o aguardava.
— Gen. Mitchel, obrigado por vir tão rápido — disse o presidente, apertando sua mão com firmeza. — A cientista Maria Eduarda, nossa principal pesquisadora quântica, esteve impossibilitada de continuar com a evolução do experimento Phantom-dimensional. Mas agora é o momento de seguirmos em frente.
O presidente fez uma pausa, caminhou até a janela e olhou para fora por alguns segundos antes de virar-se novamente para Mitchel, com expressão grave.
— Eu quero que você entenda a importância desse projeto, General. É fundamental para o futuro do país. Talvez, se der certo, possamos tirar o Brasil do patamar de país de terceiro mundo e colocá-lo no mesmo nível dos Estados Unidos.
Nesse momento, a secretária do presidente entrou na sala:
— Senhor presidente, o senhor tem uma reunião de emergência com a liderança dos cientistas e dos americanos. A imprensa está esperando para fazer perguntas sobre o projeto.
O presidente assentiu e olhou para Mitchel.
— Desculpe, General. Vamos continuar essa conversa mais tarde.
Mitchel saiu do gabinete visivelmente descontente e irritado. Caminhava de cabeça baixa pelos corredores, tentando processar tudo. Enquanto andava, vários flashes da visão que tivera voltaram com força — a colina, a mata densa, o laboratório escondido em Santa Rosa.
Dessa vez, porém, não eram apenas imagens confusas. Ele começava a ter um novo entendimento sobre o que havia visto. Era como se pedaços da visão estivessem se encaixando agora, revelando algo que antes não estava claro. Aquela compreensão mais profunda foi o que realmente o levou até a colina.
“Que diabos está acontecendo?”, pensou consigo mesmo. “Por que aquelas visões me levaram exatamente naquela colina? O que tem naquele laboratório? Preciso falar com o presidente.”
Perdido em pensamentos, ouviu soldados chamando seu nome:
— General! General Mitchel, vem aqui!
Ele virou-se e viu cerca de dez soldados do seu pelotão reunidos em um canto do corredor. Todos pareciam fulos da vida.
— General, o que é que tá acontecendo nesse lugar? — desabafou um deles. — A gente tá mais puto do que nunca. O presidente tá fomentando essa ideia maluca de uma cientista frustrada!
Os outros soldados concordaram, murmurando insatisfação. Mitchel parou, ouviu atentamente e, após um momento, concordou com a cabeça.
— Eu tenho uma ideia — disse ele, baixando a voz. — Vocês vão secretamente até a sala do projeto e cortam alguns fios da Phantom Dimensional. Façam o necessário para que tenhamos outro vexame. Não queremos que essa máquina funcione novamente. Quem sabe assim o presidente cai na real de que essa cientista não passa de uma maluca.
Os soldados assentiram, determinados. Mitchel deu as ordens finais em tom baixo e os enviou para a missão.
Enquanto eles se afastavam, Mitchel respirou fundo, ainda furioso, e voltou em direção ao gabinete do presidente, disposto a passar por cima de quem fosse preciso para falar com ele.
Ao se aproximar novamente, a secretária o interceptou:
— General, o presidente ainda está em reunião. O senhor não foi liberado.
Mitchel respondeu rispidamente:
— Eu preciso falar com ele agora.
Seguiu em direção à porta. Estava quase chegando quando ouviu os tiros — vários tiros secos ecoando forte vindos da direção do laboratório.
Ele parou imediatamente, abandonou a ideia de abrir a porta, sacou a pistola e saiu correndo em direção ao som dos disparos.
Quando se aproximava do laboratório, no corredor final que dava acesso ao saguão, foi barrado por vários homens da CIA, fortemente armados.
— Me deixem passar! — gritou Mitchel, fulo da vida. — O que diabos está acontecendo aqui? Eu preciso passar!
Os agentes não se moveram. Mitchel estava prestes a forçar a passagem quando sentiu uma mão firme tocar seu ombro. Ao virar-se, deparou-se com um homem de terno escuro, bem vestido, com expressão calma e controlada.
— Acalme-se, General. Acalme-se — disse o homem em voz baixa e firme.
Outros generais chegaram atrás de Mitchel, também questionando o que estava acontecendo. O homem de terno puxou Mitchel um pouco para o lado.
— General Mitchel... está tudo sob controle. Já conseguimos conter a situação.
— Que situação? — perguntou Mitchel, agitado. — O que está acontecendo aqui?
O homem sorriu levemente e respondeu:
— Houve tentativas de frustrar nossos planos. Esses desertores foram interceptados. Fique tranquilo, General.
Mitchel colocou as mãos na cabeça, desesperado. O homem estendeu a mão:
— Eu sou Elliot Gilliard.
Mitchel apertou a mão dele de forma automática, ainda atônito. Elliot continuou, com tom quase amigável:
— Fique tranquilo. Em breve eu te convido para ir até a minha casa lá em Copacabana. Vamos dar algumas voltas no calçadão, tomar uma cerveja, conhecer algumas garotas. O que acha, General? Você precisa de umas férias. E logo isso ocorrerá.
Mitchel agradeceu de forma seca e se afastou. Ainda atônito e muito mais preocupado agora — temendo ser descoberto como o líder daquela conspiração —, ele se dirigiu para fora do laboratório principal. Lá, viu homens da CIA carregando os corpos dos soldados que ele havia ordenado para sabotar o experimento.
Desolado, colocou as mãos no rosto, respirou fundo várias vezes, quase sem conseguir controlar a tensão que tomava conta do peito.
Dez minutos depois, o assessor do presidente se aproximou e tocou seu ombro:
— General Mitchel, todos estão aguardando os representantes do Exército Brasileiro no saguão principal do laboratório. A cientista já está posicionada para fazer a abertura teste diante da liderança dos cientistas, da CIA e do executivo brasileiro.
Desolado, Mitchel se dirigiu até o saguão principal. Não entrou. Ficou na porta, de braços cruzados, encarando cada um dos presentes. Seus olhos se perderam em Maria Eduarda. Ela não estava bem. Havia algo sombrio em seu olhar que fez seu corpo se arrepiar. Era como se uma força invisível os conectasse. Ela estava diferente: semblante frio, olhos mais escuros, destemida e silenciosa.
No momento em que a cientista anunciou o início autorizado do experimento, ela apertou o botão. A máquina lançou um pulso de energia azul cromático contra a parede do saguão. Diante de todos, formava-se uma trinca dimensional.
Porém, Maria passou mal imediatamente. Mitchel, em um ato de impulso, correu até ela. Quando estava chegando próximo, assustou-se ao ver uma sombra negra saindo do corpo dela e rastejando rapidamente em direção à trinca dimensional. Sem hesitar, ele a pegou nos braços e a levou em direção à enfermaria.
Ao chegar lá, percebeu que soldados da CIA o cercavam, apontando armas e falando sobre ele. Sem pensar duas vezes, saiu pela porta de serviço do laboratório, carregando Maria. Acomodou-a de qualquer jeito no banco do seu jipe, deu partida e acelerou em direção a Santa Rosa, deixando todo o turbilhão para trás no laboratório de Porto Alegre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...