Mike conseguiu deixar para trás a confusão no laboratório principal em Porto Alegre e os homens da CIA que o cercavam. Encontrou um abrigo temporário por alguns minutos para organizar os pensamentos. Sabia que não poderia seguir sozinho — precisava de ajuda, e a única pessoa em quem confiava de olhos fechados era Apolo.
Ainda dirigindo, com uma mão no volante e a outra no telefone, discou o número.
O som do telefone tocando se misturava ao barulho dos carros na estrada.
— Apolo, é o Mike. Preciso de ajuda — disse ele, tentando manter a voz controlada.
— Mike? O que está acontecendo? Você está bem? — respondeu Apolo, com voz preocupada.
— Estou vivo, mas longe de estar bem — respondeu Mike, rouco. — Preciso de um lugar seguro para me esconder. A CIA está atrás de mim.
— Me encontrem em casa. Vou levar vocês num lugar porque eu quero que vocês conheçam algumas pessoas — disse Apolo sem hesitar, referindo-se ao seu esconderijo secreto, o "Bunker do Vale Verde", uma estrutura abandonada localizada em uma área de mata isolada nos arredores de Santa Rosa.
Mike assentiu.
— Estou a caminho — disse ele, desligou o telefone e acelerou o jipe pela estrada em direção ao interior do Rio Grande do Sul.
No banco ao lado, Maria ainda estava desacordada.
Enquanto isso, no laboratório principal em Porto Alegre, a CIA continuava trabalhando. Larkin tentava controlar a energia instável da fenda dimensional. O presidente recebia atualizações constantes.
Mike dirigia há um dia e meio, parando apenas o necessário. O cansaço pesava, mas a adrenalina o mantinha acordado. De repente, Maria se mexeu no banco do passageiro. Abriu os olhos lentamente, confusa.
— O que... onde estou? — perguntou, voz fraca.
Mike olhou para ela.
— Você está segura, Maria. Estou levando você para um lugar seguro, em Santa Rosa — disse ele, tentando acalmá-la.
Maria olhou para ele, ainda desorientada.
— Quem é você? O que está acontecendo? — perguntou ela, enquanto fragmentos de memória voltavam.
— Meu nome é Mike. Você estava em perigo. A CIA está atrás de nós dois agora — explicou ele.
Maria ficou assustada.
— A CIA? O que eu fiz?
— Não é o que você fez. É o que você sabe — respondeu Mike, oferecendo-lhe um sanduíche. — Coma. Você precisa recuperar as forças.
Enquanto Maria comia, o celular de Mike tocou. Ele atendeu rapidamente.
Era Apolo.
— Mike, qual é a sua posição? — perguntou Apolo.
— Ainda estou a umas cinco, seis horas de Santa Rosa. Tenho Maria comigo.
— Entendido. Continue em frente. Estou preparado para recebê-los.
Mike sorriu aliviado.
— Entendido, Apolo. Chegaremos em breve.
Maria olhou para ele, curiosa.
— Quem é Apolo?
— Um velho amigo. Alguém em quem posso confiar. Ele vai nos ajudar a entender tudo isso — respondeu Mike.
De repente, Maria teve um forte feedback mental. Começou a se contorcer, gritando de dor.
— Não pode ser… não pode ser verdade! — repetia ela.
Mike parou o jipe na beira da estrada e tentou acalmá-la.
Enquanto isso, no laboratório de informática da escola...
Jonathan, Marcos e Sérgio estavam reunidos, pesquisando na internet. Estavam frustrados, pois nada explicava o que haviam visto.
Eles haviam vasculhado a fundo teorias antigas: o projeto MK-Ultra, o Projeto Montauk, o Projeto Filadélfia — histórias sobre experimentos secretos, manipulação da mente e fenômenos que desafiavam a realidade. Mas nenhuma daquelas histórias parecia se encaixar no que tinham visto.
— E se tudo isso for algo novo? Como vamos conseguir ligar os pontos se não há nada parecido com o que vimos? — perguntou Sérgio.
Até que a porta do laboratório de informática se abriu. Era Josué, o amigo que vivia mais envolvido com a igreja da região. Ele entrou e se aproximou dos três.
Os garotos, incapazes de guardar tudo para si, acabaram contando-lhe o que haviam visto. Josué ouviu com atenção e disse:
— Vocês vão achar uma loucura, mas nas Escrituras temos relatos sobre dimensões além da nossa realidade, chamadas de “regiões celestiais”.
A conversa seguia quando o walkie-talkie dentro da mochila de Sérgio tocou.
— Garotos, na escuta? — era a voz de Apolo.
Sérgio pegou o aparelho rapidamente.
— Positivo — respondeu ele.
— Me encontrem após a aula, me encontrem nos fundos da escola. Vou levar vocês num lugar porque eu quero que vocês conheçam algumas pessoas.
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