domingo, 7 de junho de 2026

Capítulo 17: A Verdade sobre a Fenda


Capítulo 17: A Verdade sobre a Fenda

A porta do bunker se abriu e Apolo entrou trazendo o cheiro da noite com ele. Mike e Maria levantaram ao mesmo tempo.

— Está tudo certo — disse Apolo, respirando fundo enquanto fechava a porta. — Os garotos estão seguros. Em casa.

Mike já estava de pé, os olhos alertas.

— Então vamos. Precisamos saber o que está acontecendo lá dentro.

Ninguém discutiu. Maria se levantou, Apolo pegou as chaves, e os três saíram para a escuridão sem precisar de mais palavras. A tensão entre eles era densa, mas compartilhada — o tipo de silêncio que une mais do que separa.

Apolo parou o carro antes da curva final, longe o suficiente para não ser visto. Subiram a pé até o alto da colina que dava visão direta ao complexo.

O que encontraram fez os três ficarem imóveis.

O laboratório havia sido transformado. Onde antes havia apenas a estrutura herdada pela família de Maria, agora havia caminhões militares estacionados no perímetro, geradores portáteis, cabos grossos saindo pelas janelas, e equipes fardadas movendo equipamentos pesados com uma urgência que dispensava explicação — aquilo não era operação de rotina.

— Eles estão ampliando a capacidade da fenda — murmurou Maria, a voz baixa e tensa. — Isso é muito ruim.

Apolo tentou contar os homens lá embaixo. Antes que terminasse, um zumbido cortou o ar acima deles.

Um drone surgiu da direção do laboratório, varrendo a encosta com a câmera estabilizada, captando qualquer movimento na vegetação.

Mike não hesitou. Levantou, ajustou por uma fração de segundo e atirou. O drone caiu girando entre os arbustos, a câmera estilhaçada no impacto.

— O que você fez? — Apolo se abaixou instintivamente. — Eles vão saber que estamos aqui!

— Já suspeitavam que alguém estava — respondeu Mike, descendo até o aparelho com passos rápidos. Examinou os destroços. — Mas não viram nenhum rosto. Ainda temos uma janela.

Lá embaixo, o movimento mudou. Figuras fardadas começaram a se espalhar pelo perímetro externo com lanternas e rádios, varrendo a mata em formação. Os três recuaram entre as árvores, imóveis, controlando a respiração enquanto os feixes de luz passavam metros abaixo deles.

Esperaram.

Quando a busca deslocou para o lado oposto do terreno, Mike se virou para os dois.

— Precisamos entrar. Agora, enquanto eles estão distraídos.

Maria já estava de pé.

— Eu sei como.

Ela os guiou pela linha de mata que contornava a propriedade, usando cada sombra como cobertura. Chegaram a uma parede lateral do complexo que, do ângulo certo, ficava fora do alcance dos holofotes.

Maria parou diante de uma seção de concreto que parecia idêntica ao resto da estrutura. Passou a mão pela superfície com uma familiaridade antiga.

— Era aqui — disse ela. — A entrada secreta.

Mas a parede estava selada. Uma camada nova de concreto cobria o que antes era um acesso.

Apolo soltou o ar pelos dentes.

— Fecharam.

Maria ficou alguns segundos em silêncio, pensando. Então:

— Eu preciso de um notebook.

— Para quê? — perguntou Mike.

— Para gerar um código de emergência em outro ponto do sistema. Se eu forçar um alerta em outra ala, o acesso aqui fica vulnerável por alguns minutos.

Apolo já tinha o notebook aberto e nas mãos dela antes que ela terminasse a frase. Os dedos se movendo com a precisão de quem havia ajudado a construir aquele sistema do zero. Menos de três minutos depois, uma vibração surda atravessou a parede — e a seção de concreto se deslocou lentamente para o lado, revelando a entrada de um túnel escuro.

O ar que veio de dentro não era frio. Era pesado.

Entraram.

O túnel era estreito, as paredes úmidas, o chão de terra batida abafando cada passo. Apolo empunhou a lanterna à frente. A luz revelava alguns metros de caminho e depois nada — uma escuridão que parecia sólida.

Então o cheiro chegou.

Forte, químico, com algo orgânico misturado que tornava difícil identificar — amônia, ou decomposição, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Apolo cobriu o nariz com o antebraço. Maria fechou os olhos por um segundo, como se o cheiro tivesse despertado algo que ela preferia não recordar.

A lanterna começou a falhar.

Apolo bateu nela com a palma da mão. A luz voltou — e iluminou a criatura.

Estava parada no meio do túnel, a menos de dez metros. Baixa, a postura curvada para frente, a pele escamada refletindo o facho de luz de forma irregular. Os olhos vermelhos não piscavam. Apenas observavam, com uma atenção que não era instintiva — era calculada.

Nenhum dos três respirou.

Mike levantou a arma devagar e disparou três vezes. Os projéteis atravessaram a criatura como se atravessassem névoa — sem resistência, sem ferimento, sem deixar marca. Por um instante ela não se moveu. Depois soltou um som que não era dor — era outra coisa, mais funda, mais antiga — e desapareceu pelo túnel à frente.

— Vamos — disse Mike, avançando pelo túnel na direção em que a criatura havia desaparecido.

Chegaram a uma câmara mais larga, onde o corredor se abria. E ali os três pararam de vez.

No ar, flutuando sem apoio, havia fendas. Não uma — dezenas. Pequenas, irregulares, espalhadas pela câmara como cortes feitos por uma faca invisível na própria realidade. Cada uma exalava aquele cheiro sufocante, e as bordas pulsavam de forma lenta e orgânica — se fechando e abrindo com uma consistência gelatinosa, como se fossem tecido vivo. A substância que escorria pelas bordas era densa, escura, e corroía levemente o concreto onde pousava.

Nenhum dos três conseguiu falar.

Então, atrás deles, o grito da criatura ecoou no túnel. Mais próximo desta vez.

— Corre — disse Mike.

Não precisou repetir.

Eles recuaram pelo túnel em velocidade máxima, os passos dissonantes contra o chão de terra, a lanterna chacoalhando e projetando sombras que pareciam se mover sozinhas. A porta falsa surgiu no final do corredor e Apolo a empurrou com o ombro.

Do lado de fora, os militares estavam concentrados no perímetro oposto, respondendo ao alarme que Maria havia gerado. A janela ainda estava aberta.

Cruzaram o terreno pelo mato, subiram a colina, chegaram ao carro. Apolo girou a chave antes mesmo de fechar a porta.

Ninguém falou durante o primeiro trecho da estrada.

A escuridão passava rápido pelas janelas. O cheiro do túnel ainda estava na roupa de todos.

Foi Apolo quem tentou primeiro, a voz baixa, quase para si mesmo.

— Ela levou três tiros. Três tiros e saiu andando.

Mike ficou em silêncio. Olhou para a estrada à frente.

— E aquelas fendas — continuou Apolo. — No meio do túnel. No ar. Como se o próprio lugar estivesse se abrindo por dentro.

— Não era só o lugar — disse Maria.

Os dois olharam para ela.

— Eram as criaturas. Elas estavam se espalhando ali dentro. — Ela pausou, organizando o pensamento em voz alta. — O cheiro, as microfendas, a resistência aos tiros. Isso não é coincidência.

— Então o que é? — perguntou Apolo.

Maria olhou pela janela por um momento. Quando respondeu, a voz saiu firme — quase clínica, como se a hipótese já tivesse forma antes mesmo de ser dita.

— Elas estão se adaptando à nossa dimensão. — Fez uma pausa curta. — Talvez seja por isso que os tiros não a afetaram — o organismo dela ainda não é totalmente estável aqui. As regras que valem pra nós ainda não valem completamente pra ela.

O silêncio que se seguiu foi diferente do anterior. Mais pesado. Mais cheio.

Apolo diminuiu levemente a velocidade sem perceber, como se o corpo tivesse processado a informação antes da mente.

— E quando estiverem? — disse ele, quase em voz baixa.

Maria não respondeu.

Não precisava.

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Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...