domingo, 5 de julho de 2026

Capítulo 2: Um Dia e Meio.

                                                               
Capítulo 2: Um Dia e Meio.

A palavra de Mike — "Nós vamos" — caiu no silêncio do bunker como uma sentença. Antes que pudesse assentar, Maria a cortou com um golpe seco.

— Não!

A exclamação foi tão afiada que fez todos se sobressaltarem. Ela se postou entre Mike, Apolo e o portal dourado — uma barreira de pura teimosia, o corpo tenso.

— De jeito nenhum. — A voz mais baixa, mas vibrando. — Eles acabaram de voltar. Mal tiveram tempo de respirar.

Apolo tentou intervir.

— Maria, ele é nossa única chance. Nós vimos o que está lá fora. Precisamos de um novo manual.

— E nós vamos conseguir um! — Ela o encarou, os olhos faiscando, depois se virou para Kairós. — Mas não assim. Não com um salto cego em um completo estranho. Isso não é lógico. É desesperado.

Beatriz deu um passo à frente, a voz suave mas firme.

— Ela tem razão, Apolo. Você está exausto. Nós todos estamos. Precisamos de um plano, não de mais um risco.

O ar pesou. Não era uma briga — era um cabo de guerra de convicções, cada um puxando para um lado.

Kairós observou em silêncio. Seus olhos percorreram cada rosto, como quem lê um mapa antes de escolher o caminho.

— Sua cautela é justa — disse ele, a voz calma, ecoando no bunker como se viesse de um lugar muito distante. — Mas a lógica de vocês opera com base no tempo que acreditam ter. E o tempo é um luxo que está se esgotando.

Ele gesticulou para o espaço onde o portal estivera.

— Este caminho exige minha vontade para se manter aberto. Não posso mantê-lo aqui indefinidamente. Posso lhes dar um dia e meio. Trinta e seis horas do tempo de vocês. Depois disso, a porta se fecha.

A oferta pairou. Maria sentiu a urgência, mas sua mente pragmática se agarrou à oportunidade.

— Tudo bem — disse ela. — Um dia e meio. Mas com uma condição. — Seus olhos se fixaram em Mike. — Preciso de uma forma de contatá-los. De ter uma garantia. Preciso desse tempo para trabalhar.

Mike assentiu. Kairós inclinou a cabeça.

— Um acordo justo. — Ele fez uma pausa. — Enquanto vocês se preparam, eu farei um reconhecimento. A fortaleza onde vocês estiveram. Vou ver o que deixaram para trás — e o que está vindo atrás de vocês.

A frase pairou. O que ele encontraria lá? O que já estaria esperando?

— Em um dia e meio, esta porta se abrirá novamente. Estejam prontos.

Com um último olhar, Kairós atravessou o véu dourado. O portal se fechou com um som suave — não um estalo, não um trovão. Apenas um suspiro, como se a própria realidade tivesse soltado o ar que segurava.

O tique-taque de um relógio invisível começou.

A paralisia se quebrou.

— Beatriz, preciso de você. Os garotos, atenção! — Maria já estava se movendo em direção ao terminal.

Marcos, Jonathan e Sérgio se aproximaram. A ideia do comunicador foi lançada — e a conversa rapidamente chegou ao avô deles.

— A gente vai falar com ele — disse Jonathan, determinado. Os olhos dele brilharam. — Meu avô vai entender. Ele sempre disse que o rádio era a única coisa que o governo não conseguia calar.

Maria assentiu, um raro sorriso de esperança tocando seus lábios.

— Vão. Com cuidado.

Em minutos, os garotos estavam em suas bicicletas, pedalando para fora do bunker em direção a uma esperança incerta.

Maria, com Beatriz ao lado, abriu uma caixa empoeirada. Lá dentro, entre peças antigas e cabos retorcidos, encontrou um grande rádio de mesa. Ela olhou para a tela do computador, onde os arquivos do Dr. Helena Costa — seu pai — ainda estavam abertos.

— Os esquemas dele são para tecnologia de ponta que foi explodida. — A voz dela carregava uma ironia amarga. — Ele tentou destruir tudo isso anos atrás. Por isso chamavam ele de herege.

Ela respirou fundo.

— Mas a teoria... a matemática... é a mesma. Então vamos fazer no Capítulo 2: Um Dia e Meio

A palavra de Mike — "Nós vamos" — caiu no silêncio do bunker como uma sentença. Antes que pudesse assentar, Maria a cortou com um golpe seco.

— Não!

A exclamação foi tão afiada que fez todos se sobressaltarem. Ela se postou entre Mike, Apolo e o portal dourado — uma barreira de pura teimosia, o corpo tenso.

— De jeito nenhum. — A voz mais baixa, mas vibrando. — Eles acabaram de voltar. Mal tiveram tempo de respirar.

Apolo tentou intervir.

— Maria, ele é nossa única chance. Nós vimos o que está lá fora. Precisamos de um novo manual.

— E nós vamos conseguir um! — Ela o encarou, os olhos faiscando, depois se virou para Kairós. — Mas não assim. Não com um salto cego em um completo estranho. Isso não é lógico. É desesperado.

Beatriz deu um passo à frente, a voz suave mas firme.

— Ela tem razão, Apolo. Você está exausto. Nós todos estamos. Precisamos de um plano, não de mais um risco.

O ar pesou. Não era uma briga — era um cabo de guerra de convicções, cada um puxando para um lado.

Kairós observou em silêncio. Seus olhos percorreram cada rosto, como quem lê um mapa antes de escolher o caminho.

— Sua cautela é justa — disse ele, a voz calma, ecoando no bunker como se viesse de um lugar muito distante. — Mas a lógica de vocês opera com base no tempo que acreditam ter. E o tempo é um luxo que está se esgotando.

Ele gesticulou para o espaço onde o portal estivera.

— Este caminho exige minha vontade para se manter aberto. Não posso mantê-lo aqui indefinidamente. Posso lhes dar um dia e meio. Trinta e seis horas do tempo de vocês. Depois disso, a porta se fecha.

A oferta pairou. Maria sentiu a urgência, mas sua mente pragmática se agarrou à oportunidade.

— Tudo bem — disse ela. — Um dia e meio. Mas com uma condição. — Seus olhos se fixaram em Mike. — Preciso de uma forma de contatá-los. De ter uma garantia. Preciso desse tempo para trabalhar.

Mike assentiu. Kairós inclinou a cabeça.

— Um acordo justo. — Ele fez uma pausa. — Enquanto vocês se preparam, eu farei um reconhecimento. A fortaleza onde vocês estiveram. Vou ver o que deixaram para trás — e o que está vindo atrás de vocês.

A frase pairou. O que ele encontraria lá? O que já estaria esperando?

— Em um dia e meio, esta porta se abrirá novamente. Estejam prontos.

Com um último olhar, Kairós atravessou o véu dourado. O portal se fechou com um som suave — não um estalo, não um trovão. Apenas um suspiro, como se a própria realidade tivesse soltado o ar que segurava.

O tique-taque de um relógio invisível começou.

A paralisia se quebrou.

— Beatriz, preciso de você. Os garotos, atenção! — Maria já estava se movendo em direção ao terminal.

Marcos, Jonathan e Sérgio se aproximaram. A ideia do comunicador foi lançada — e a conversa rapidamente chegou ao avô deles.

— A gente vai falar com ele — disse Jonathan, determinado. Os olhos dele brilharam. — Meu avô vai entender. Ele sempre disse que o rádio era a única coisa que o governo não conseguia calar.

Maria assentiu, um raro sorriso de esperança tocando seus lábios.

— Vão. Com cuidado.

Em minutos, os garotos estavam em suas bicicletas, pedalando para fora do bunker em direção a uma esperança incerta.

Maria, com Beatriz ao lado, abriu uma caixa empoeirada. Lá dentro, entre peças antigas e cabos retorcidos, encontrou um grande rádio de mesa. Ela olhou para a tela do computador, onde os arquivos do Dr. Helena Costa — seu pai — ainda estavam abertos.

— Os esquemas dele são para tecnologia de ponta que foi explodida. — A voz dela carregava uma ironia amarga. — Ele tentou destruir tudo isso anos atrás. Por isso chamavam ele de herege.

Ela respirou fundo.

— Mas a teoria... a matemática... é a mesma. Então vamos fazer no modo punk. Vamos pegar a alma do projeto do meu pai e enfiá-la no corpo de um dinossauro.

As horas seguintes foram um borrão de foco. Maria desmontou o rádio, peça por peça, enquanto Beatriz segurava a lanterna e passava as ferramentas.

Foi durante uma pausa — quando Beatriz foi buscar mais café — que Mike se aproximou. Ele ficou ali, ao lado dela, observando as peças espalhadas.

— Aquele nome. Cronos. — Ele falou baixo, sem encará-la. — Você sentiu alguma coisa. Eu vi.

Maria parou. Os dedos ainda seguravam um fio, mas não se moveram.

— Você viu?

— Tô acostumado a ler as pessoas. — Ele finalmente virou o rosto. — Principalmente você.

Ela hesitou. O silêncio entre eles não era desconfortável. Era íntimo.

— Eu já ouvi esse nome antes. — Ela baixou a voz. — Não em voz alta. Mas num transe. Quando a gente tava montando o bracelete, antes de tudo isso. Eu ouvi a palavra "Cronos". E agora, quando ele disse...

— Foi igual.

Ela assentiu.

— Foi igual.

Mike não respondeu de imediato. Ele olhou para as mãos, entrelaçadas sobre a mesa.

— Eu também tive uma. — A voz dele ficou mais seca, mais militar — mas havia uma fenda ali, uma rachadura. — Na chácara do meu pai. Em Caxias. Foi antes da carreira militar, antes de tudo.

Maria virou o corpo para ele.

— O que aconteceu?

— Eu estava na cozinha. De frente pra varanda do rancho. Lembro de olhar pro quintal. — Ele fez uma pausa. — E aí... apaguei.

— Apagou?

— Acordei na cama. Não sei como fui parar lá. Não sei quanto tempo passou. — Ele passou a mão no rosto, um gesto cansado. — Naquela noite, eu ouvi uma palavra. Uma só. Khael.

Maria prendeu a respiração.

— Khael?

— Não sei o que significa. Nunca soube. — Ele ergueu os olhos para ela. — Mas aquilo me perturbou por anos. Até hoje, quando penso, sinto um peso no peito. E agora, com tudo isso, com o Kairós, com os portais... começo a achar que não foi um sonho.

— Você acha que foi uma premonição?

— Não sei. — A resposta foi seca, mas o olhar era vulnerável. — Só sei que aquela noite, eu vi coisas. Sombras. Movimentos. Não entendia o que era. — Ele balançou a cabeça. — Mas agora, depois do que vimos na fortaleza... parece que tudo começa a se encaixar.

O silêncio voltou. Diferente. Mais pesado.

Maria colocou a mão sobre a dele, um toque rápido, sem firulas.

— A gente vai descobrir o que isso significa.

Mike não respondeu. Mas não retirou a mão.

A porta do bunker rangeu. Beatriz voltava.

Os dois se afastaram, cada um de volta à sua tarefa — mas o que foi dito ficou no ar.

Beatriz entrou com o café.

— Vocês tão bem?

— Tô. — Mike já estava pegando uma chave de fenda. — Vamos trabalhar.

Maria olhou para ele por um segundo, depois voltou a desmontar o rádio.

As horas seguintes foram um borrão de foco. Foi nessa busca por componentes que a mão de Maria encontrou algo no fundo da caixa — três cadernos de capa dura, cobertos de poeira.

Ela os puxou. Abriu o primeiro. O cheiro de papel velho subiu das páginas.

Diários de Pesquisa. A.C.

As iniciais do avô dela.

Maria folheou até encontrar uma entrada datada de décadas atrás. Leu em silêncio, os olhos percorrendo as palavras.

17 de Junho.

A pressão de Washington aumentou. O pessoal da CIA está aqui novamente. Eles não se importam com a ciência, apenas com a aplicação. Continuam se referindo ao nosso trabalho como "Programa de Estudos Especiais".

Mas entre nós, o círculo interno, o nome é outro. E ele carrega o peso de nossas ambições e de nossos medos.

Nós o chamamos de Projeto Prometeus.

Maria parou de respirar. Os olhos arregalados.

— Prometeus...

A palavra saiu como um sopro.

O mesmo nome que seu pai havia riscado de todos os relatórios antes de desaparecer.

Ela ficou imóvel. O diário aberto em uma mão. O rádio desmontado na mesa. Entre eles, décadas de silêncio, segredos e escolhas que ainda não tinham sido feitas.

Ela não sabia se estava prestes a salvar tudo — ou a destruir o que restava.

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Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...