domingo, 5 de julho de 2026

Capítulo 3 UVB 0.0 Buzzer a frequência Fantasma.



Capítulo 3: UVB 0.0 Buzzer a Frequência Fantasma.

O diário se fechou com um baque surdo, um som final que sugou todo o ar do bunker. Maria permaneceu imóvel, os dedos pálidos pressionados contra a capa dura, o olhar fixo no nada, vendo não a parede de concreto, mas os fantasmas de seu pai e de seu avô. Projeto Prometeus. O nome não era mais uma anotação histórica; era uma ferida aberta no centro de sua família, sangrando através das décadas.

Beatriz, que organizava um conjunto de chaves de fenda por tamanho, sentiu a mudança abrupta na atmosfera. "Maria? O que foi? Você ficou pálida como um fantasma."

Mike e Apolo, que estavam debruçados sobre o mapa rudimentar desenhado por Kairós, ergueram a cabeça, atraídos pela quietude magnética.

"O que você encontrou?", perguntou Mike, a voz baixa.

Maria não respondeu de imediato. Ela respirou fundo e, com uma determinação que parecia vir de um lugar além de si mesma, abriu o diário novamente na página marcada. Seus olhos encontraram os de Mike, depois os de Apolo e Beatriz, um por um. O tempo para segredos havia acabado.

"Meu avô... Alberto Costa...", começou ela, a voz um sussurro frágil. Ela limpou a garganta e leu em voz alta, as palavras de um homem morto ecoando nas paredes de concreto. "...Mas entre nós, o círculo interno, o nome é outro. Nós o chamamos de Projeto Prometeus."

Ela ergueu o olhar do diário. "Eu conheço esse nome." As palavras saíram como estilhaços de vidro. "Meu pai. Antes de desaparecer, ele passou semanas trancado em seu escritório, queimando documentos. Eu o vi uma noite, pela fresta da porta... com uma caneta preta grossa... riscando furiosamente uma palavra de todos os relatórios que sobraram." Ela fez uma pausa. "Era essa palavra. Prometeus."

Apolo sentiu um calafrio. Não era apenas um lugar, ou uma entidade. Era um projeto. Uma construção deliberada. Mike foi o primeiro a processar, seu rosto se tornando uma máscara sombria. "Prometeus... ouvi sussurros. Lendas de corredor sobre acidentes catastróficos na Guerra Fria."

A luta deles era contra o legado dos homens que tentaram roubar o fogo dos deuses. Maria fechou o diário com uma força renovada. "Eles criaram isso. E meu pai... ele tentou impedir." Ela olhou para a caixa de peças de rádio. "Nós vamos construir a voz que vai gritar de volta."

Ela então se virou para Apolo. "Os garotos. Chame-os. Agora."

Apolo correu para o pequeno rádio comunicador que usavam. "Apolo para Jonathan, câmbio. Estão na escuta?"

A resposta veio quase imediatamente. "Estamos a caminho, Apolo. O que houve?"

"Escuta", disse Apolo. "A coisa ficou séria. Maria encontrou uma palavra-chave. Talvez a única coisa que possa convencer seu avô. Você precisa usar esse nome. Está pronto?"

"Manda, Apolo. Fala logo."

"O nome é 'Projeto Prometeus'. Repita: Prometeus. Diga a ele que a Maria sabe de tudo. Diga que é sobre isso. É a nossa única chance."

Houve um segundo de silêncio. "Entendido, Apolo. Projeto Prometeus. Estamos chegando lá. Câmbio, desligo."

                                             ─── ⚜ ───

Enquanto a fúria focada tomava conta do bunker, Marcos e Jonathan guiaram Sérgio até a propriedade que parecia ter sido esquecida pelo tempo. Eles encontraram o avô nos fundos. Artur Jankowski, um polonês de olhar duro, estava sentado em um banquinho, limpando metodicamente as peças de um fuzil Kalashnikov.

"Vô?", chamou Marcos, hesitante.

Artur nem levantou a cabeça. "Não é dia de visita. E trouxeram um amigo de novo. Espero que não seja para quebrar outra janela com aquela bola de futebol." Ele finalmente os encarou. "O que vocês querem?"

"Vô, a gente precisa da sua ajuda", começou Jonathan. "É sobre construir uma coisa. Um comunicador... interdimensional."

Artur parou e encarou os próprios netos com puro escárnio. "Comunicador interdimensional?" Ele soltou uma risada curta. "Vocês andaram cheirando éter? Jonathan, Marcos, o que eu lhes disse sobre as más influências da cidade?" ele disse, olhando diretamente para Sérgio. "Saiam daqui."

Frustrado, Marcos explodiu, usando a carta que Apolo lhe dera. "Não é brincadeira! É sobre o avô dela, Alberto Costa! É sobre o seu pai! É sobre o Projeto Prometeus!"

O sarcasmo no rosto de Artur se estilhaçou. O pano com óleo de arma caiu de sua mão. "O que... foi que você disse?", ele perguntou, a voz baixa e perigosa.

"Projeto Prometeus, Vô", repetiu Jonathan.

"Entrem. Agora."

Dentro da oficina, Artur revelou seu passado. "Alberto Costa era um poeta", disse ele, a voz um rosnado amargo. "E meu pai... meu pai era o tolo que o seguia. Um cão leal a uma seita. Prometeus era o altar deles." Ele contou sobre sua rebelião, o pacto com a KGB, a criação do Buzzer 76 como arma contra seu próprio sangue. E então, a dor. "Minha tecnologia foi corrompida. Eu tinha um aliado na KGB. Um amigo. Yuri. Estávamos aprimorando o Buzzer... e então, tudo deu errado." Ele fechou os olhos. "Sabotagem. A alma de Yuri... foi arrancada. Seu corpo ficou para trás, em algum hospital militar em Moscou. Mas sua mente... está presa lá. Naquele ruído."

Artur os encarou. "Eu não vou ao bunker. Mas farei uma oferta. Vou construir para vocês uma UVB 0.0, uma versão 2.0 da Buzzer, a frequência Fantasma. É uma frequência exclusiva para que ninguém nos rastreie. Serei seu escudo. Em troca... vocês têm que trazer meu amigo de volta. Vocês têm que trazer Yuri para casa."

                                             ─── ⚜ ───

De volta ao bunker, Maria encontrou a anotação de seu avô sobre as "frequências fantasmas". Os garotos voltaram. O comunicador militar foi ligado. A voz de Artur encheu o bunker e, sob sua orientação, a ciência e a bruxaria se uniram.

As horas passaram em um borrão de solda, faíscas e o cheiro de ozônio. "Está pronto", disse Maria, exausta.

"Agora", ordenou Artur. "Gire o dial. Devagar."

Maria girou o botão. O chiado familiar se tornou um zumbido grave, rítmico. O som da UVB ponto zero. Ele bateu uma, duas, três vezes. E então, falhou. No silêncio que se seguiu, uma voz emergiu. Fraca, quebrada.

... pomogite ... ya zdes ... kholodno ... pomogite ...

Mike empalideceu. Maria já estava com o tablet em mãos — o mesmo que usaram para traduzir as palavras do russo que encontraram antes. Seus dedos voaram sobre a tela, capturando a fala.

Ela ergueu os olhos, o rosto pálido.

"Tradução: Ajuda... estou aqui... frio... ajuda."

A voz de Artur no rádio tremeu, carregada de uma emoção que ele tentava esconder há décadas. "É ele. É Yuri."

Mas Maria, com a mente a mil, interveio. "Senhor Artur, espere." Ela pegou o microfone. "Com todo respeito, como pode ter certeza? Nós... nós encontramos outro russo. Ele nos contou sobre um desaparecimento, mas foi agora, recente. O que o senhor descreveu aconteceu há décadas. Não estamos... não estamos sendo enganados?"

Houve um longo silêncio. Quando Artur falou, sua voz era a de um professor revelando um segredo terrível.

"Uma pergunta inteligente, menina." Ele respirou fundo. "Vocês conhecem a história do Experimento Filadélfia? A KGB tinha seu próprio projeto, muito mais avançado. Yuri... e outro homem estavam nessa missão."

"Outro homem?", perguntou Mike.

"Sim. Nicolau Zorbatrov. Um cientista quase um século à frente de seu tempo. Ele acreditava que podia usar as dobras dimensionais para se conectar ao que chamava de... dimensão wireless visual. Yuri era o piloto. Nicolau era o navegador. Mas eles não apenas viajaram no espaço. Eles escorregaram no tempo."

"O russo que vocês conheceram era Zorbatrov. Deslocado no tempo, revivendo o momento em que perdeu Yuri. Para ele, aconteceu ontem. Para mim, há uma vida. E para Yuri... para Yuri, está acontecendo agora. Ele está preso naquele único segundo de agonia, congelado entre as dimensões."

Um silêncio chocado tomou conta do bunker. Maria processou a informação. Viagem no tempo. Almas arrancadas. Nada mais parecia impossível. "Eu... eu entendo", disse ela.

Enquanto a revelação assentava, Apolo, sempre pragmático, pegou o telefone. Ele discou um número que conhecia bem.

"Alô, Dona Helena? É o Apolo... Sim, tudo bem por aqui... Olha, eu sei que é em cima da hora, mas será que os meninos e o Sérgio podiam dormir aqui em casa hoje? A gente ia fazer uma maratona de séries, sabe como é..."

Houve uma pausa e a voz de Helena soou, um pouco cansada. "Ah, Apolo, querido. O Matteo vai reclamar que eles não estão aqui pra ajudar a arrumar a garagem amanhã, mas... por mim tudo bem. Juízo, hein?"

Apolo sorriu, aliviado. "Prometo, sem bagunça! Muito, muito obrigado! Boa noite para a senhora também, e manda um abraço pro Seu Matteo!"

Ele desligou. "Pronto. Vocês oficialmente não existem para o mundo exterior esta noite. Estão salvos."

A voz de Artur soou uma última vez pelo rádio, agora focada, a dor guardada novamente. "Obrigado, menina, por sua cautela. E por sua confiança. Agora vocês sabem a verdade. A troca começa. Eu serei seu fantasma. E vocês serão a esperança de Yuri."

Eles se olharam. A missão tinha um nome, um rosto e uma urgência que transcendia o tempo. Não era mais apenas sobre atacar a CIA ou a KGB, mas sim as consequências das ações destas organizações.

Era um resgate e uma missão de reconhecimento.

E o relógio de trinta e seis horas, implacável, continuava correndo, cada segundo um eco mais próximo da chegada de Kairós e da abertura do portal, não para a guerra, mas para a Dimensão 4.
A busca pelo manual que ele promete decifrar.

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Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...