sábado, 1 de agosto de 2026

Capítulo 10: Amanhecer com cor de trevas.




Capítulo 10: Amanhecer com cor de trevas.


O ar no bunker estava pesado, quente, impregnado daquele cheiro úmido que o Sentinela deixou na parede. Eram quase 4h da manhã. Ninguém tinha conseguido deitar de novo.

Na pequena área médica improvisada, Beatriz estava ajoelhada ao lado de Apolo, limpando as escoriações do braço dele com gaze e soro. Ele tinha arranhões longos, nada profundos — o pior tinha sido o impacto quando caiu em cima da mesa. Que queda.

— Você tem sorte — disse Beatriz, voz baixa, concentrada. — Se a mesa fosse de ferro maciço, você tinha quebrado costela.

Apolo fez uma careta e riu curto, sem humor.

— Sorte é a última palavra que eu usaria agora.

Maria estava encostada no batente da porta, braços cruzados, olhando o ponto da parede onde a fenda se fechou.

— Ele não veio pra matar — disse Maria, mais pra si mesma. — Veio pra mapear. Sentiu a frequência, sentiu a gente.

Beatriz ergueu os olhos.

— E agora? A gente só fica esperando o próximo Sentinela?

— Agora a gente sela isso — respondeu Apolo, apertando o curativo. — Mas preciso entender: se a D2.9 manda Sentinelas toda vez que a gente usa o bracelete, quantas vezes a gente pode fechar a porta antes que ela quebre de vez?

Silêncio. Ninguém tinha resposta.

Do outro lado do corredor, Mike fazia a ronda. Lanterna UV-C na mão esquerda, pistola na direita, luz roxa varrendo cada canto, cada rachadura no concreto. Ele checava o piso, o teto, as junções das placas metálicas — procurando qualquer brilho residual, qualquer vestígio da gosma.

Então regressando parou na sala e bufou dizendo tudo limpo.

Então eles olharam para a tv que havia ficado ligada e prestando atenção na imagem do presidente em uma reprise falando sobre a Dimensão 0.
Beatriz correu e pegando o controle aumentou o volume..


— Povo amado deste país… esta é a cura para o câncer, o HIV e a paraplegia.

Em seguida o ministro da saúde
Larkin Andersen completou:

— A vacina foi testada e comprovou propriedades autoimunes de até 10 anos.

A plateia aplaudiu em estúdio. 
O presidente voltou ao microfone:
Enquanto tudo era traduzido pelo Elliot Gilliard em inglês.

— As vacinações estarão abertas durante toda a semana. 
Partir de amanhã.

E nos Estados Unidos as aplicações já começaram ontem.

Mike desligou o som, mas deixou a imagem ligada.

Voltou até onde os três estavam e falou, seco:

— Eles tão vendendo isso como salvação. E o pior é que tá funcionando. 

A cidade inteira vai estar no laboratório pela manhã.

Apolo balançou a cabeça.

— Não é bem assim. 
Só quem tem HIV, tumor ou tá paraplégico.

Beatriz, ainda com a gaze na mão:

— E se algum dos nossos aparecer nessa fila?

Maria engoliu seco.

— Se alguém que a gente ama tomar isso… a gente pode perder essa pessoa pra sempre.

Apolo olhou para a parede selada, depois para o Mike.

— Então a gente não pode só selar a porta. 
A gente precisa decidir o que vai fazer com a “cura”.

Mike assentiu, a luz UV-C ainda acesa na mão.

— E rápido. 
Porque se o Sentinela foi só o primeiro, amanhã eles podem mandar algo que não fuja quando a gente tocar 963.

O calor continuava, o zumbido baixo da TV repetindo “cura, cura, cura”, e os quatro sabiam que o dia que estava nascendo não traria alívio.
 — só mais escolhas impossíveis.

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Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...