terça-feira, 28 de julho de 2026

Capítulo 8: O preço da "Cura".


Capítulo 8: O Preço da "Cura".

Apolo respirou fundo, tirou o casaco e disse:

— Vou à escola agora. 
Preciso resolver umas coisas antes que fique mais complicado.

Sérgio disse: mas eu ainda acredito que a escola esteja interditada será que quando você chegar lá vai encontrar alguém para falar?

Apolo disse acredito que tenha sim alguém e agora que nós sabemos das coisas que estamos a par eu preciso decidir algo eu preciso falar com o diretor. 

Apolo decidido a ir sente um leve toque em seu ombro era Beatriz sua noiva.

Aquilo que você decidir meu amor será decidido no momento certo você acha que este momento cabe mais uma aventura Será que os homens do Larkin e da Cia não estão lá fora?

Então Apolo disse eles até podem estar lá fora mas acho que esse momento não é propício para que eles tentem fazer algo pois as coisas estão meio que saindo de controle e eu preciso apenas finalizar uma coisa. 
Disse Apolo sem querer identificar de fato aquilo que iria fazer na escola. 

Mas que tomou a voz e disse seja o que for o que você vai fazer vai com cautela.

Então Mike estava próximo a bancada pega algo e joga na direção de Apolo eram as chaves de sua moto. 
Então ele interceptando a chave acenou com a cabeça e recebeu de volta o aceno.

E saiu do bunker onde todos ficaram com uma expectativa mas alguns já entenderiam com mais facilidade o que talvez Apolo estava indo finalizar. 

Apolo chegando na escola poucos minutos depois de moto percebeu que a cidade estava integralmente normal como se nada daquilo que ele havia ouvido e visto fosse real as pessoas estavam normais crianças sorrindo no parque pessoas lotando as lanchonetes tudo parecia tão normal. 

Ao chegar no estacionamento da escola justamente pela entrada dos fundos ele deixou a Harley ligada.

Para o caso de uma fuga imediata e se é chegando junto à campainha tocou. 

Um chiado logo se propagou vindo do interfone. 
Uma voz feminina disse quem é?

Então Apolo meio que reconhecendo a voz de uma das funcionárias da secretaria disse sou eu professor Apolo eu gostaria muito de falar com o diretor. 

A secretária disse só um momento! 

Poucos segundos depois Apolo houve que alguém está vindo ele se afasta um pouco da porta um suor frio desce pela testa então a porta se abrindo revela o diretor.

Ele com uma voz um pouco sussurrada disse professor o que você veio fazer aqui novamente esqueceu alguma outra jaqueta ou eu não já deixei claro que a escola está interditada por hora? 

Apolo disse não não na verdade eu gostaria de dizer que eu tô fora!!
Acho que vou procurar uma outra oportunidade na cidade vizinha, 

Disse Apolo com um tom nervoso. 

O diretor olhou para um lado e para o outro e disse bom tudo bem darei baixa em todos os seus papéis e não precisa voltar algumas coisas estranhas andando por aqui e até mesmo eu já pedi a minha baixa desse lugar estou trabalhando apenas as minhas últimas semanas. 

Estou de mudanças para São Paulo, 

Apolo fez cara de quem não entendeu nada e disse muito obrigado senhor diretor foi um prazer trabalhar com vocês e neste lugar tentando olhar por trás do diretor que segurava a porta para que ele não visse algo lá dentro, 

Então Apolo se despede do diretor pega o capacete e quando ele iria colocar o diretor disse! 

Ficou muito melhor assim, aquela cabeleireira te envelhecia um pouco. 

Apolo sorriu discretamente, e disse obrigado às vezes é bom mudar!!

Subiu na moto e partiu em direção à casa de seus pais para obter notícias de como eles estavam.

Ao chegar lá ele deixando a moto na entrada já foi diretamente para dentro onde se deparou com sua mãe na cozinha que logo correu para abraçá-lo e eu vi o seu pai assistindo o jornal como se fosse um dia normal. 

Sua mãe questionando disse: 

Agora não tenho mais filhos porque quando era apenas um atrás de maluquices ainda ia mas agora são os dois onde está Sérgio o Apolo? 

Apollo meio sem jeito de se calma mãe ele está lá no terreno no meu banker. 

Então sua mãe disse pronto não bastava um agora o outro vive essa mesma maluquice atrás de ET sei lá o que que vocês ficam fazendo nesse lugar vocês sabem que esse terreno aí pertence a família por causa do seu tio maluco? 

Parece até que vocês querem se parecer com ele também…

Então o pai de Apolo aparece na porta da cozinha e disse: 

Ora ora esse não é o meu filho o que aconteceu com a cabeleira? 
Então Apolo com um sorriso disse ah pai a gente precisa mudar às vezes. 

Então o pai de Apolo com o ar muito mais despreocupado do que o de sua mãe disse: 

Não é bom ficar tanto tempo com o garoto naquele lugar parece até que vocês são bichos do mato aquele lugar é inabitado. 

Então Apolo lhe disse justamente por isso estamos lá he he he.
Esse mundo vive dando voltas e é tudo tão maluco né!!
Disse Apolo um pouco nervoso. 

Tudo bem se vocês não almoçaram almoça. 
Não pai a Bia está lá com certeza fazendo comida então não vou perder a oportunidade de almoçar com ela, 

Tudo bem você que sabe bom tome cuidado as notícias nunca são boas estou ouvindo falar sobre onças atacando propriedades então vocês estão na mata tá com as armas todas carregadas lá você sabe que o seu tio deixou algumas armas aí..

Disse o pai de Apolo com um tom mais baixo não querendo que sua esposa ouvisse..

Apolo disse então pai tá tudo bem fica tranquilo mantenha os telefones ligados..

Estamos bem vou indo só queria mesmo matar a saudade, 
Disse Apolo mas por dentro e respirava aliviado por ver os seus pais bem e sem nenhum questionamento por alguém ter ido atrás dele ou do seu irmão o que provavelmente significaria que eles ainda não eram alvos de todo aquele esquema maligno. 

Logo estava a mãe e o pai de Apolo na porta dando tchau enquanto ele saía na motocicleta..

---

Quando voltou, quase duas horas depois, o rosto estava sério. Sérgio, Marcos e Jonathan esperavam na sala principal do bunker.

— Pronto — anunciou Apolo, jogando o crachá de professor sobre a mesa. 

— Não sou mais professor de vocês. 
Pedi demissão hoje.

Sérgio franziu a testa.

— Por causa de tudo isso?

— Em parte. 
Mas principalmente porque eu tô envolvido demais agora. 
Não consigo mais fingir que sou só o professor enquanto vocês estão envolvidos nisso tudo.

Jonathan cruzou os braços.

— A gente soube que Larkin apareceu dias atrás na mídia… falando diretamente com a Maria, como se ela fosse propriedade dele.
(Volume 1 - Cap 33)

Mike, que estava quieto no canto, ergueu a cabeça.

— Ele quer ela de volta como “aliada”. Foi o termo exato que usou. 
A gente sabe que não é só isso. 
Eles querem o que ela carrega na cabeça depois de tudo que viu do outro lado.

Foi nesse momento que Sérgio, visivelmente abalado, pegou o controle remoto e ligou a TV. 

Era raro ele fazer isso.

Na tela, o Presidente aparecia mais magro, olheiras profundas, olhar vazio.

— …Os estudos dimensionais tiveram evolução significativa. Amanhã iniciaremos a primeira excursão midiática oficial para a chamada Dimensão 0...

— Ele pausou, quase forçando um sorriso. 
— Na verdade, uma variação estabilizada da D2 que estamos chamando de D2.9, a Dimensão Refletida.

A plateia ovacionou. 

Um repórter levantou a mão:

— Presidente, nessa dimensão, disse ele com tom cético, não há registro de vida, correto?

— Vocês logo vão saber..
— respondeu ele. 

— Mas não se preocupem. 
Estamos todos aqui. 
Isso significa que não há perigo.

A câmera cortou para Larkin Anderson, elegante e confiante. 
O americano ergueu uma ampola pequena com líquido brilhante roxo-púrpura.

— Povo amado deste país… 
Temos o primeiro ganho concreto desses estudos.

Ele levantou a ampola para as câmeras.

— Esta é a cura para todas as doenças mortais como câncer HIV e todos os tipos de paralisias faltam apenas alguns testes mais conclusos tudo isso foi coletado com fruto de estudos nas melhores universidades do mundo. 

Não havia sido revelado vocês ainda mas nós estamos em incursão dentro da nossa nova realidade essa nova dimensão a qual é fruto também de muito trabalho e esforços que estão sendo dados em mérito aos estudos da cientista Maria Eduarda que vem de uma família de renomados homens que apostaram suas vidas nisto..

Precisamos de voluntários. 
Amanhã, na Fortaleza Científica, em Santa Rosa, as portas estarão abertas.

Lá estaremos esperando pessoas que não perderam a fé na ciência. 
E não se preocupem
Este teste será administrado por via oral diluído na água é apenas um gole..

Corte para imagens de laboratório: ratos com tumores visíveis recebendo a injeção. 

Em segundos, os tumores encolhiam drasticamente. 
Outros ratos infectados com o vírus HIV mostravam carga viral zerada após a aplicação.

Larkin olhou fixamente para a câmera:

— Apresentem-se. 
Sejam parte deste Marco histórico. 
A transmissão terminou.

Silêncio absoluto no bunker.

Mike foi o primeiro a falar, voz grave:

— Aquilo não é uma cura. 
É o Elixir do Caos. 
Tudo está acontecendo muito rápido disse Mike levando as mãos à cabeça. 

Apolo passou a mão no rosto.. 
E agora? 

Tudo que vimos não é só real está sendo aplicado diante dos nossos olhos.

Sérgio, ainda olhando para a TV desligada:

— E os nossos pais? 
Os pais do Jonathan e do Marcos… 

Eles já estão muito preocupados. 
Vão querer que a gente fique longe disso tudo.

Jonathan respirou fundo.

— A gente não pode deixar as pessoas tomarem isso achando que é salvação.

Apolo concordou, cansado.
Com relação ao pai e a mãe Sérgio eles estão bem eu passei por lá estão sim bastante preocupados e acredito que os pais dos garotos também estão preocupados como você disse mas ainda não deu tempo da gente processar o que está acontecendo e traçar um plano detalhado só podemos confiar naquilo que Kairós disse..


— Beatriz que estava quieta disse pela primeira vez.
Também não podemos invadir a Fortaleza amanhã. 
Ainda não estamos prontos.

O alívio de terem voltado vivos da incursão se misturava agora com uma preocupação pesada. 

O Elixir do Caos estava nas mãos deles como haviam visto.
— nas mãos erradas. 

E ninguém ali dentro conseguia parar de imaginar o que ele realmente faria num corpo humano.

Já era tarde quando Apolo e Beatriz, se despediam de Mike e Maria momentaneamente pois estavam indo levar os garotos para casa. 

O carro seguiu com todos em silêncio e cada um dos garotos foi deixado em seus lares na segurança de suas casas ou aquilo que eles achavam ser seguro.

---

No caminho de volta, Apolo parou o carro em frente à residência de Bia, olhando a fachada escura por um longo tempo.

— Não é mais seguro aqui. Nem pra mim, nem pra você.

Beatriz apertou a mão dele.

— Então vamos pro bunker de vez.

Então entrando e pegando tudo que podiam inicialmente encheram o carro. 

E voltando ao bunker, o ambiente estava mais calmo. 
Maria dormia agarrada a Mike no sofá, a cabeça dele apoiada na dela. Apolo sorriu de leve, pegou um cobertor e cobriu os dois com cuidado. Depois, ele e Beatriz foram descansar.

O dia havia sido longo demais.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Capítulo 7: Mensagem Urgente de L-Zara.



Capítulo 7: A Mensagem urgente de L-Zara.


Kairós olhou para Apolo e Mike.

— Peguem esta pulseira, ela interpreta a intenção, mas só usem em casos extremos.

com ela vocês não rasgam o tecido tempo, mas sim transportam a matéria; Porem são apenas três usos.

— Antes de retornarmos, preciso que entendam uma coisa. 


A Dimensão Quatro não é a única. Existem muitas outras.

 Mas nós perdemos a conexão com a maioria delas há algun tempo. 

Por isso não consigo encontrar meu irmão. 

Se ele estiver fora desta dimensão, sua presença simplesmente não aparece aqui.


Mike inclinou a cabeça, curioso.  

— Seu irmão se chama Cronos, né? Se você já faz tudo isso como guardião interino… imagina o que alguém como ele poderia fazer sendo o guardião legitimo.


Kairós respondeu com um leve aceno, a voz carregada de peso.  

— Se Chronos estivesse aqui, nós combateríamos isso antes que ocorresse.


Mike franziu a testa, absorvendo a resposta.


Nesse momento, um Seródio — um dos seres encapuzados de vermelho, feitos de luz suave se aproximou flutuando em silêncio. 

Parou diante de Kairós e falou na língua da quarta dimensão, aquela mesma que vibrava como um acorde impossível de traduzir completamente:

«𒀭𒈪𒀀𒇉𒀾 𒇻𒍪𒀀𒊏»


Kairós escutou com atenção e traduziu para os dois, mantendo a voz baixa.  

— Ele diz que recebeu uma mensagem de L-Zara. 

Ela é uma guardiã. 

Está pedindo que eu vá até ela o quanto antes.


Apolo e Mike ficaram em silêncio, apenas observando a conversa entre Kairós e o Seródio. 

— Então Kairós confirmou o que ele foi informado, L-Zara disse que precisa da minha presença imediatamente.

Apolo disse L o Que?

Kairos com voz apressada disse vamos não ha tempo.

O Seródio fez uma reverência leve e afastou-se, desaparecendo entre as membranas luminosas do templo.

Kairós virou-se para Apolo e Mike.  

— É hora.


O Triângulo Dourado se expandiu completamente, brilhando com intensidade dourada. 

Apolo e Mike colocaram as mãos no ombro de Kairós mais uma vez.


O portal os sugou.


> > > ° < < <


A sensação foi diferente desta vez — mais rápida, como uma queda controlada através de camadas de luz. 

Quando o mundo se estabilizou, eles estavam de volta ao bunker, no mesmo lugar de onde haviam partido.


O ar tinha cheiro de café e pizza de mussarela.

As luzes piscaram levemente com a chegada.


Maria foi a primeira a correr na direção deles, seguida por Beatriz. Marcos e Sérgio vieram logo atrás, e Jonathan ficou um pouco mais atrás, ainda segurando o comunicador.

— Vocês voltaram! — Maria quase gritou, abraçando Mike com força.

Beatriz abraçou Apolo, os olhos marejados.  

— Graças a Deus… Nos ouvimos até que um chiado tomou conta de tudo.

Marcos deu um tapa no ombro de Apolo, tentando disfarçar o alívio com um sorriso.  

— Cara, nunca mais some assim.


Então do Radio veio a voz:

— Obrigado por cumprir sua palavra espero que agora meu grande amigo tenha a paz que com certeza desejou..

Disse Artur Jankolski.


Káiros respondeu enquanto a frequência estava conectada:

— Ele ira ter..


Apolo vendo a resposta de Káiros decidiu perguntar antes da despedida...

— Kairós… quem é L-Zara?


Kairós olhou para ele por um instante, enquanto o grupo começava a abraçar Mike e ele com perguntas e abraços.


— Ela é o que talvez nos ajude em um eventual problema dimensional.

Então o triângulo Dourado se fechou completamente e ele sumiu.

domingo, 19 de julho de 2026

Capítulo 6: Demiurgo, a matéria que Respira.






 Capítulo 6: Demiurgo, a Matéria que Respira


O Templo Seródio pulsou uma vez, como se aprovasse a decisão deles.


Kairós não caminhou, ele deslizou, e a luz sob seus pés se recolheu, abrindo um corredor espiral que descia para dentro da própria estrutura do templo.

As paredes não eram paredes; eram membranas translúcidas que respiravam em ritmo lento, expandindo e contraindo como pulmões gigantes.

Cada batida emitia um som grave, quase um zumbido de órgão, que fazia vibrar o tórax.


Apolo sentiu o ar ficar mais denso.  

— Esse lugar... ele tá vivo.

Kairós respondeu sem olhar para trás.  

— Não como você esteja interpretando. 

Vocês estão prestes a ver o que eu vi dentro do abismo no laboratório onde estão desenvolvendo o Demiurgo.


Mike levou a mão à têmpora. 

A dor de cabeça voltou, mais sutil que antes, como uma agulha quente.

Era a mesma sensação do sonho, quando as mãos escuras o seguravam e a voz sussurrava “escolhido”. Ele não disse nada, apenas seguiu.


O corredor terminou numa câmara circular.

 Não havia porta, apenas um véu de luz dourada, fino como névoa, que tremia como superfície de água e Kairós parou diante dele.

— A Câmara do Véu. 

O que vocês virem aqui é a verdade por de trás do mecanismo.


Ele passou a mão pelo véu. 

A luz se abriu como cortina de água, revelando um espaço imenso, escuro, onde algo parecia respirar.

No centro estava suspensa uma massa.


 Não tinha forma definida mais era semelhante a um coração feito de matéria morta.

Era um amontoado de carne como que escurecida cheia de veias pulsantes. 

Um coração colossal não um pequeno coração era algo de entorno de quatro a cinco metros.

 A massa pulsava, e a cada pulsação pequenas fagulhas vermelhas subiam e se apagavam no ar.

Ela tinha um som como de respiração.

O som era úmido e visceral.

A intensidade da visão ficou mais profunda.

Então uma boca apareceu daquela massa, uma boca com dentes como de aço.

E de dentro saiu uma língua como um tentáculo com outra boca nele menor.


Apolo engoliu seco e disse: QUE MERDA E ESSA!


Já Mike sentiu o estômago embrulhar.  


— Isso é o Demiurgo 

— Disse Kairós.


Uma consciência coletiva feita de energia corrompida, alimentada por tudo que os humanos emanam: medo, desejo, violência, idolatria. Ela não pensa como vocês. Ela reage.

Mas agora ela ganhou a capacidade de se alimentar de matéria o que pode fazer com que seu estado seja construído no mundo matéria para completar a sua transformação caótica. 


Nesse espaço vazio estavam prostrados diante da criatura o presidente Giovanni Conte, Larkin Andersen, Elliot Gillard e o General Fontoura.

A matéria começou a se mover, e lentamente o tentáculo tocou cada um deles.

 Após o toque, todos vomitaram uma gosma verde e caíram como mortos.

No meio dos corpos surgiu uma fila de encapuzados com capuzes vermelho escarlate e preto.

Logo a escuridão se revelou como uma sala de um templo e no entorno de tudo muitas taças estavam de baixo do ser caótico.

Então todos os que estavam caídos como mortos, receberam da criatura algo como uma sombra densa.  E ela entrou por suas bocas se apoderou do corpo de cada um deles.

neste momento deu para ouvir estalos de ossos e os corpos se quebrando ate que se colocaram de pé com um semblante assustador e seus olhos tornaram vermelhos.

Então, todos da fila de encapuzados se ajoelharam diante da criatura e também os que haviam recebido a entidade sombria.

Então o último homem que não era como os outros se aproximou.

O rosto estava oculto por uma manta que cobria o corpo inteiro, com cor roxa escura, bordada com detalhes em ouro e cor branca. 

O capuz era um trabalho meticuloso: todo feito de penas e moldado no formato de uma cabeça de coruja, os olhos estavam brilhando com um reflexo dourado provavelmente feito de ouro.

Ele segurava uma taça com as duas mãos.

O Demiurgo moveu lentamente o tentáculo, chegando próximo da taça daquele tentáculo deixou cair na taça algumas gotas de um líquido de cor esverdeado mais muito escuro.


Mike olhou para Kairós, a voz quase sumindo.  

— O que é isso?

— O Elixir do Caos respondeu Kairós.


O homem da manta roxa guardou a taça junto ao peito e virou as costas. 

Um a um, tanto os lideres envolvidos naquela trama de horror quanto os encapuzados, se levantaram e o seguiram, saindo da câmara em silêncio.


Kairós colocou a mão no ombro de Apolo e na nuca de Mike.  

— Venham.


O véu se fechou atrás deles.

O corredor espiral os puxou para cima e, quando atravessaram a curvatura da luz, o ar mudou.

O chão apareceu sob os pés. 

Liso, de pedra clara, firme.

O corpo deles voltou a ser corpo: peso, respiração, pele sensível.

Estavam agora na câmara temporal, um salão amplo dentro da Dimensão Quatro onde a forma material humana era restaurada.


Os dois ficaram em pé, junto a Kairós; Respiravam com esforço, o coração ainda acelerado.

 O silêncio era pesado.


Mike passou a mão no rosto, a voz trêmula.  

— Eu nunca imaginei que veria algo assim… Aquela coisa… ela estava viva.

 Respirando e aquelas pessoas… entregando parte de si para ela.


Apolo estava pálido, os olhos ainda arregalados.  

— Foi pior do que qualquer coisa que a gente viu até agora.


 A Dimensão Quatro já era demais… mas ver aquilo… ver o presidente Giovanni Conte ajoelhado, vomitando aquela gosma… e sendo quebrado por dentro foi assustador.

E aquele homem da manta roxa levando o Elixir embora… Meu Deus, Kairós… O que eles vão fazer com aquilo?


Kairós manteve a voz calma, mas grave.  

— O Elixir do Caos será disseminado.

Eles pretendem introduzi-lo na água, nos alimentos e, através de vetores biológicos, espalhá-lo pelo mundo. 

Não é para matar rapidamente.

É para enfraquecer, gerar pânico e dor em escala global.

Cada morte, cada momento de medo e submissão, vai alimentar o Demiurgo.

É um sacrifício coletivo. 

Quando a massa estiver saciada, eles pretendem fazer o reset. 

Reiniciar a ordem mundial sob o controle total deles.


Apolo engoliu em seco.  

— Tenho uma teoria, esta coisa de coruja e as cores quando estudávamos acões paranormais conspirações e toda a parafernália ufológica este simbolismo sempre nos levaram a uma família muito rica da Europa, os Rothvelth.

— Talvez  aquele homem da manta roxa… Seja, Nathaniel Rothvelth.

Líder da família Campo Vermelho. 


Um dos homens mais ricos e influentes do planeta.

Aparece nas maiores revistas como filantropo, envolvido em ajudas humanitárias e doações bilionárias… 

 Sera que é ele a mão invisível que sustenta a moeda mundial e financia esse horror ?


Mike respirou fundo, ainda sentindo o eco da dor na cabeça.  

— Então o cara que controla boa parte do dinheiro do mundo estava ajoelhado diante daquela coisa…

E levou embora um "veneno" para espalhar de alguma forma?

Tudo que a gente viu no Projeto Prometheus era só fachada.


Kairós assentiu.  

— Exatamente. 


O silêncio voltou por alguns segundos.

Apolo e Mike trocaram um olhar carregado de tremor e incredulidade.

Um triangulo perfeito apareceu diante deles. 

Kairós disse: Como prometido, vamos mais antes quero o bracelete por que tenho que devolver ele ao lugar certo.

E vocês ficaram com outro meio pois este não é um opção para uso na terceira dimensão a dimensão material. 

E como viram, agora mais que nunca vocês sabem que não tem mais volta..

terça-feira, 14 de julho de 2026

Capítulo 5: A Dimensão do Tempo.


Capítulo 5: A Dimensão do Tempo.
“O Templo do tempo Seródio”


O Triângulo Dourado os engoliu.

Por um instante não houve som, nem luz, nem chão. 
Apolo e Mike sentiram o corpo inteiro dissolver-se em pura frequência, como se cada átomo fosse afinado numa nota que a Dimensão Três nunca conseguira tocar. 

O tempo não parou — ele se abriu. 
Eles viram linhas de luz dourada entrelaçando passado, presente e futuro como fios de uma teia viva. 
O deslocamento era científico na precisão: cada célula do corpo respondia a uma ordem matemática que o espaço tridimensional não comportava. 
Não era dor, era expansão.

Quando a sensação se estabilizou, eles estavam flutuando.
Não havia chão sólido, não havia sol, nem lua, nem céu como conhecíamos. 

O “ar” ao redor era uma cortina de cores que não existiam na Terra — um violeta que queimava sem calor, um verde que cantava, um ouro que respirava. 

A aurora boreal parecia uma criança tímida perto daquilo. 
Tudo era iluminado por si mesmo, como se a própria luz obedecesse a uma ordem superior.

Mike piscou, a voz rouca de espanto:  
— Apolo… olha isso. Não tem horizonte. Não tem fim. É como se… como se o espaço estivesse vivo.

Apolo, olhos arregalados, estendeu a mão e viu os próprios dedos deixarem rastros de cor que demoravam a desaparecer.  
— Eu sinto… eu sinto que se eu pensar numa direção, o lugar responde. 

É física, Mike. Mas uma física que obedece ao pensamento.

Kairós flutuava à frente deles, sereno.  
— Bem-vindos ao Reino do Tempo Seródio.
 Aqui a lei não é imposta, ela é lembrada.

Eles começaram a mover-se, não andando, mas sendo conduzidos pelo pensamento coletivo de Kairós. 

O movimento era suave, como voar em sonho, mas com a nitidez de realidade absoluta. 
Ao longe surgiu o contorno de um reino: torres altas feitas de um material que parecia cristal líquido e nuvem ao mesmo tempo, impossível de definir. Nuvens prateadas giravam ao redor do castelo como guardiãs vivas.

Kairós ergueu a palma da mão e pronunciou uma única palavra em uma língua que não pertencia a nenhum ouvido humano:

«𒀭𒈪𒀀𒇉𒀾»

O som vibrou dentro do peito deles como um acorde que o corpo inteiro reconheceu, mas a mente não conseguia traduzir. Os glifos pairaram no ar por um segundo, brilhando, antes de se dissolverem em luz.

Uma porta colossal de luz se abriu diante deles.

Lá dentro, o Templo Seródio pulsava. Seres encapuzados de vermelho profundo moviam-se em silêncio absoluto. 

Os capuzes cobriam todo o corpo; não havia rosto visível, apenas uma luminosidade suave onde a face deveria estar como se a luz fosse a própria identidade.
Eles flutuavam entre colunas, manipulando esferas de energia, tecendo fios de tempo que brilhavam como teias de aranha douradas. O trabalho era preciso, quase cirúrgico.

Apolo parou, voz baixa:  
— Kairós… quem são eles?

Kairós continuou andando, com voz calma disse:

— São os Serôdios. Guardiões da quarta dimensão. 
Não são anjos e nem demônios. 
São consciências que escolheram servir à Ordem Primordial. 

Eles mantêm o equilíbrio entre as linhas temporais para que o Criador possa escrever a história sem rasurá-la, na verdade vindo do criador creio que isso seria impossível..

Mike engoliu em seco.  
— Então… Deus é real? O céu é real? Essas forças celestiais??

Kairós virou-se para eles, olhando sereno mas firme.  
— Aos escolhidos será manifestado todas as coisas. 
No tempo certo. 
Não antes. 
Perguntar não é errado. 
Forçar a resposta antes da hora é… perigoso.

Mike sentiu um flash repentino. 
O sonho, as sombras, ele no centro de um círculo, incapaz de se levantar; Uma voz sussurrando “escolhido” enquanto mãos escuras o prendiam.
A dor na cabeça veio como um martelo.
Ele cambaleou no ar.

No bunker, o rádio crepitou forte. 
Jonathan tinha conectado a transmissão diretamente ao avô dos garotos, que acompanhava tudo de longe, em silêncio absoluto.

Maria apertou o aparelho contra o peito.  
— Mike? Apolo? Vocês estão bem? O sinal está estranho…

Beatriz, ao lado dela, segurava a mão de Maria. 
No bunker só estavam elas, Marcos, Sérgio e Jonathan. O avô ouvia tudo pelo rádio, mas não estava presente fisicamente.

Mike respondeu, voz tensa mas controlada:  
— Estou… aqui. 

Só senti uma dor de cabeça forte por um segundo. 
Passou. 
Estamos bem.

Informe de Campo: tudo aqui e Celestial.
Não tem como mensurar a aparência deste lugar neste momento estamos Flut..u…(chiado intenso)

Voando sobre um mar de brilho fora do contexto de tudo que vimos…

(Chiado….)

Sem palavras pra explicar tudo aqui é mais que poderiam entender..
Existem cores que eu mesmo nunca ousei pensar que poderiam existir tudo aqui é tão assustador quando e lindo..

Estamos indo em direção a um castelo com umas torres e no entorno tem nuvens que são como guardas..

(Chiado forte conexão cortada…….)

Maria olhou para Beatriz, olhos marejados, apertando com mais força a mão da amiga.  

Sinal retornou de fato Não tem como negar a beleza desta criação..
O Criador Existe e parece que caprichou aqui.

— Beatriz… isso é maior do que a gente imaginava. 
Um mundo criado por um Criador. 

Eu… eu sempre acreditei em Deus, mas agora… é como se Ele estivesse me mostrando. 
Eu não sei nem como falar isso direito.

Beatriz apertou a mão dela de volta.  
— Eu sei. 
Eu sinto a mesma coisa. 
A gente rezava achando que era só esperança. 
Mas agora … 

“Parece que a esperança ganhou forma. 
Vamos confiar. 
Eles vão voltar.”

De volta ao Templo, Kairós adentrou um portão cor de Âmbar como uma peça de ferro maciço em altas temperaturas.

Conduziu-os por um corredor que descia em espiral — não de degraus, mas de luz que se curvava para baixo.  

— O avô de Marcos e Jonathan pediu que Yuri fosse liberto!

Ele está preso entre dimensões desde o acidente.
— Chegamos.

No centro de uma câmara circular flutuava um cubo perfeito de energia negra e dourada. 

Dentro dele, suspenso, o corpo de Yuri — ainda fardado como soldado russo, rosto jovem, como no dia da prisão. Mas os olhos estavam abertos, vazios.

Kairós ergueu a mão direita, fez um movimento circular lento. 

Com a ponta do dedo tocou o cubo. 
Com a outra mão levando o pingente ate a boca.
Fez um som como de chiado.

O cubo se desfez como fumaça.

O corpo de Yuri envelheceu instantaneamente — rugas, cabelos grisalhos, marcas do tempo real que ele nunca viveu. 


A alma retornou. 

Em algum lugar na Rússia, em um hospital, monitores apitaram. 
A família, prestes a desligar as máquinas, viu o homem abrir os olhos. 

Ele viveria mais alguns anos. 
Apenas para se despedir. 
Mas não se lembraria de nada.
Nem do exército, nem do portal, nem da dimensão. 
A memória foi apagada como preço da libertação.

Apolo murmurou:  
— Ele não vai lembrar… de nada?

Kairós balançou a cabeça.  
— É o acordo. 
A alma volta limpa. 
A dor fica aqui.

Mike, ainda com a cabeça latejando, insistiu:  
— Kairós… aqueles seres… são demônios? 

O Demiurgo…

Kairós ergueu a mão, interrompendo.  
— Não há tempo para explicar tudo agora. 
Vocês precisam ver o Demiurgo com os próprios olhos.

Ele os levou até uma estrutura que parecia uma máquina feita de luz pura — um anel giratório de cristais que pulsavam dentro de uma esfera.  
— A Máquina do Tempo na Consciência. Vocês terão visões do que eu vi. Entendimentos instantâneos.

Eles entraram.

As imagens vieram como relâmpagos: o Projeto Prometheus havia sido apenas uma mentira bonita. 
Os humanos pensavam que controlavam os seres. 

Na verdade, os seres controlavam os humanos.
Agora o projeto verdadeiro tinha nome: Projeto ÉREBUS.

Quando a visão terminou, Apolo e Mike estavam de joelhos, ofegantes, mas com a mente clara como nunca.

Kairós estendeu as mãos para ajudá-los a se levantar.  

— Agora vocês estão prontos para ver mais da Dimensão Quatro. 
O que viram foi só o começo. 
O império trevoso está exposto. 
E a verdadeira guerra… mal começou.

Mike olhou para Apolo ainda sem fôlego.
Apolo olhou para Kairós.  

E disse:

— Vamos em frente.

O Templo Seródio pulsou e eles foram levados por kairós..

Capítulo 4: A Manhã da Partida.


Capítulo 4: A Manhã da Partida.

Apolo respirou fundo e desligou o rádio.  
"Gente, chega por hoje. A cabeça de todo mundo tá fervendo."  

Ele olhou para Jonathan, Marcos e Sérgio.  
"Vocês vão ficar no bunker. Eu falei pra Dona Helena que era uma maratona de série.

Mas a verdade é outra e vocês sabem que aqui vocês estão mais seguros."  

Jonathan acenou, sério. Marcos deu de ombros, tentando parecer descolado. Sérgio apenas assentiu.  

Apolo disse:  
"Mike, vamos até a cidade comprar umas pizzas. Logo nós voltamos. A gente come e descarrega um pouco de toda essa ansiedade e estresse."  

Mike levantou a sobrancelha.  
"Pizza? Depois de ouvir sobre Yuri, descobrir tantas coisas uma atrás da outra… E eu ainda estou tentando assimilar, Apolo."  

Apolo respondeu:  
"Exatamente por isso. Precisamos dar um respiro, senão a gente surta."  

Apolo pegou as chaves. Mike se levantou. Os dois saíram e o som do carro ligando foi o último ruído na rua do bunker.

Tudo isso aproveitando que todos os agentes simplesmente sumiram nada escola deixando apenas a escola interditada e a lanchonete que ocorreu a perseguição de Apolo e Sérgio..

Eles foram até a porta do bunker com seus “disfarces”
Um boné velho e óculos escuros que mais chamavam a atenção que escondiam que eles eram…

Então saíram.

O carro deslizou pela rua vazia. O rádio do carro tocava baixo I Remember — Skid Row.  

Mike falou:  
"Você tá pronto?"  

Apolo demorou a responder.  
"Pronto não é a palavra. Eu tô disposto. É diferente. A gente viu coisas que não tem explicação, e agora o Kairós vai nos levar pra um lugar que nem existe no nosso mapa. 
Que loucura é essa !!
Confio nele? 
Não sei. 
Mas confio mais nele do que em continuar parado sem entender nada."  

Mike assentiu.  
"Eu também. Só que… é pesado. Parece que a gente vai pisar num lugar onde um passo errado apaga a gente da existência."  

Apolo deu um meio sorriso cansado.  
"Então a gente pisa com cuidado."  

Eles riram controladamente e na mente o medo rondava seus pensamentos..

                                 ⸻ ✦ ⸻ ✦ ⸻

Com os adultos fora, o clima mudou. Não era mais sala de guerra; era uma sala com três adolescentes.  

Marcos se jogou numa caixa de ferramentas vazia, esticou as pernas e soltou:  
"Se a gente for enfrentar o Demogorgon, eu vou querer uma arma de oração. Tipo, aponta e reza. Pronto, acabou."  

Sérgio revirou os olhos.  
Deu com as mãos no rosto, seus dedos escorrendo no rosto…

"Marcos, não é Demogorgon. É Demiurgo. E não é série de TV nem RPG. 
A gente está falando de algo extradimensional que você, pelo jeito, não entende."  

Marcos deu de ombros e foi pegar o celular na mochila para escutar música.  

Jonathan, mais quieto, apoiou os cotovelos nos joelhos:  
"Eu só fico pensando… o Apolo sempre vai na frente. E se der ruim lá?"  

Sérgio respondeu:  
"Vai dar certo. O Mike está com ele. E o Kairós parece saber o que faz. Mas eu também estou preocupado, sim."  

Marcos voltou, sentou-se e quase caiu. Os dois caíram na gargalhada.  

Marcos tirou o fone:  
"Na real eu tô com medo mesmo. 
Eu só não quero pensar muito. 
Que talvez o nosso professor e o tio Mike possam não voltar… assim como aconteceu com esse Yuri."  

Houve um silêncio pesado. 
Os três trocaram olhares. 

Era medo, mas também companheirismo — a sensação de que, mesmo ficando, eles faziam parte da engrenagem.

Na mesa, Maria estava com olheiras fundas, ombros caídos. Beatriz se aproximou, colocou a mão em seu ombro e disse:  

"Você está exausta, hein."  

Maria ergueu o olhar e deu um sorriso fraco.  

"É… exausta."  

Beatriz sentou-se de frente para ela:  

"Como tudo isso começou? Parece que isso existe desde sempre."  

Maria respirou fundo:  
"Eu topei entrar nessa porque o governo pintou tudo tão lindo. Disseram que eu era neta do Dr. Alberto Costa,  filha de Eduardo H. C. costa.

Que eu seria a única que teria condição de seguir o legado destes dois grandes homens.

Que só eu tinha capacidade, que ia ajudar a evoluir a tecnologia, acabar com a fome, curar doenças, descobrir coisas novas. Eles me colocaram num pedestal e eu acreditei."  

Fez uma pausa.  
"Eu não tinha segundas intenções. Eu só segui a cartilha."  

Beatriz apertou a mão dela.  
"Vai ficar tudo bem. Depois de tudo que a gente viveu, eu tenho rezado mais. Sinto como se alguém estivesse me vigiando o tempo todo."  

Maria balançou a cabeça.  
"Eu acho que não é vigilância. 
É estresse. 
A gente não sabe o que vem amanhã, então o corpo fica em alerta. Mas… obrigada."  

Beatriz sorriu.  
"Depois da pizza a gente respira. Um passo de cada vez."  

O bunker ficou em silêncio por alguns segundos — o tipo de silêncio que não deixa o medo dominar completamente.

Mike e Apolo voltaram com as pizzas. 
A garotada ficou alegre e o ambiente se controlou, com conversas leves e bem-humoradas. 

Mike e Apolo comeram com vontade. Maria olhou surpresa para Mike. 
Beatriz perguntou se eles estavam bem?

— Parece que quem estava preso por décadas eram vocês.

Mike respondeu, com um meio sorriso:  

"Estamos bem, né? 

Só que a gente não sabe se vai comer pizza de novo, então tá com um pouco mais de vontade."  

Todos riram, num tom leve.  

Depois, montaram as camas com aquela expectativa silenciosa no ar. 

Todos foram dormir.

Apolo acordou antes de todo mundo. 

DiParece que quanto mais a gente sabe, mais pesado fica."  

Mike puxou uma cadeira e sentou-se do outro lado da mesa.  
"Eu também. 

Ontem, quando a gente estava comprando pizza, eu fiquei pensando: “E se a gente não voltar?”. 
É uma sensação estranha… como se a gente estivesse se despedindo sem admitir."  

Apolo finalmente olhou para ele.  
"É exatamente isso. 
Mas ficar parado também não resolve. 

Se tem uma chance de entender o que está acontecendo, de proteger as pessoas que a gente ama… eu prefiro ir. 
Mesmo com medo."  

Mike assentiu devagar.  
"Então a gente vai junto. Sem heroísmo idiota. Se der ruim, a gente tenta voltar. Combinado?"  

Apolo estendeu a mão por cima da mesa.  
"Combinado."  

Aos poucos o pessoal foi acordando. 
Primeiro Beatriz, depois Maria. 
Em seguida, Sérgio apareceu na cozinha.
Todos se juntaram à mesa e começaram a comer a pizza fria que havia sobrado, com um café fresco.
Maria estava esquentando água pois queria variar e fez para si uma bela cuia de Chimarrão, despejou a água quente colocou a bomba e deu aquele gole.

Jonathan entrou bocejando:  
"Bom dia…"  

Marcos veio correndo da sala com uma cara de desespero pois havia sentido quando o ar havia mudado…
No exato momento em que as luzes começaram a piscar. 

Um deslocamento de ar mais forte invadiu o ambiente e, da sala, veio um som parecido com trincar de vidro.  

O portal dimensional triangular dourado se expandiu, brilhando. Kairós surgiu.  

Marcos de pronto disse: tá maluco meu Irmão você que me matar parece assombração…

Kairós olha do para baixo e vendo o garoto assustado deu um breve sorriso.
Minhas visitas são no momento certo.
Peço perdão se ainda não estavam preparando, mas estamos quase na hora.
  
O ambiente ficou mais sério. Todos saíram da cozinha em direção à sala, com o rosto carregado de preocupação.  

Kairós olhou para Apolo e Mike e disse com voz calma, quase solene:  
"Vocês estão prestes a ver o que a Dimensão Três não consegue conter. 

Cores que não nascem da luz como vocês conhecem, um tempo que não corre em linha reta, o tempo emana dos portais celestiais e inundam a terceira dimensão.
A quarta dimensão é uma ordem que não precisa de esforço para existir. 
O que vocês vão experienciar primeiro será beleza, depois compreensão."  

Kairós olhou para Apolo e Mike:  

Vocês precisam de alguma coisa já estão prontos?
"É hora."  
Disse Mike e Apolo em tom uníssono.

Todos no bunker sentiram o nó na garganta ao ouvir que agora não tinha mais volta caso algo desse errado.

Mike beijou Maria com carinho.
Eu volto!

Disse sem tirar os olhos dos olhos de sua amada..

 Apolo beijou Beatriz, sua noiva. 
E disse: “Eu estou indo porque eu amo você e se tem alguma coisa que possa ser feita pra te proteger eu irei fazer.”

Os dois colocaram a mão no ombro de Kairós.  

Eles se despediram com um aceno silencioso.  

O Triângulo Dourado diante dos olhos de todos se expandiu, Mike e Apolo e Kairós ao centro olhando para todos com um aspecto de até breve.
Então o portal os engoliu.

E o brilho deixou a sala e todos ali olhando pra parede com o coração apertadorigiu-se à cozinha sem fazer barulho, colocou água no fogo e passou o café.

 O cheiro se espalhou pelo bunker. 

Lavou o rosto, visivelmente ansioso. 

Por descuido, deixou uma frigideira cair na pia com um estrondo.  

Mike acordou assustado, levantou-se rápido e foi até a cozinha. 
Viu Apolo encostado na pia, olhando para o nada.  

Mike esfregou os olhos e perguntou em voz baixa:  
"Não conseguiu dormir direito?"  

Apolo suspirou.
"Dormi mal. Fico repassando tudo. 
O Yuri… as coisas que a gente descobriu… e agora isso.

domingo, 5 de julho de 2026

Capítulo 3 UVB 0.0 Buzzer a frequência Fantasma.



Capítulo 3: UVB 0.0 Buzzer a Frequência Fantasma.

O diário se fechou com um baque surdo, um som final que sugou todo o ar do bunker. Maria permaneceu imóvel, os dedos pálidos pressionados contra a capa dura, o olhar fixo no nada, vendo não a parede de concreto, mas os fantasmas de seu pai e de seu avô. Projeto Prometeus. O nome não era mais uma anotação histórica; era uma ferida aberta no centro de sua família, sangrando através das décadas.

Beatriz, que organizava um conjunto de chaves de fenda por tamanho, sentiu a mudança abrupta na atmosfera. "Maria? O que foi? Você ficou pálida como um fantasma."

Mike e Apolo, que estavam debruçados sobre o mapa rudimentar desenhado por Kairós, ergueram a cabeça, atraídos pela quietude magnética.

"O que você encontrou?", perguntou Mike, a voz baixa.

Maria não respondeu de imediato. Ela respirou fundo e, com uma determinação que parecia vir de um lugar além de si mesma, abriu o diário novamente na página marcada. Seus olhos encontraram os de Mike, depois os de Apolo e Beatriz, um por um. O tempo para segredos havia acabado.

"Meu avô... Alberto Costa...", começou ela, a voz um sussurro frágil. Ela limpou a garganta e leu em voz alta, as palavras de um homem morto ecoando nas paredes de concreto. "...Mas entre nós, o círculo interno, o nome é outro. Nós o chamamos de Projeto Prometeus."

Ela ergueu o olhar do diário. "Eu conheço esse nome." As palavras saíram como estilhaços de vidro. "Meu pai. Antes de desaparecer, ele passou semanas trancado em seu escritório, queimando documentos. Eu o vi uma noite, pela fresta da porta... com uma caneta preta grossa... riscando furiosamente uma palavra de todos os relatórios que sobraram." Ela fez uma pausa. "Era essa palavra. Prometeus."

Apolo sentiu um calafrio. Não era apenas um lugar, ou uma entidade. Era um projeto. Uma construção deliberada. Mike foi o primeiro a processar, seu rosto se tornando uma máscara sombria. "Prometeus... ouvi sussurros. Lendas de corredor sobre acidentes catastróficos na Guerra Fria."

A luta deles era contra o legado dos homens que tentaram roubar o fogo dos deuses. Maria fechou o diário com uma força renovada. "Eles criaram isso. E meu pai... ele tentou impedir." Ela olhou para a caixa de peças de rádio. "Nós vamos construir a voz que vai gritar de volta."

Ela então se virou para Apolo. "Os garotos. Chame-os. Agora."

Apolo correu para o pequeno rádio comunicador que usavam. "Apolo para Jonathan, câmbio. Estão na escuta?"

A resposta veio quase imediatamente. "Estamos a caminho, Apolo. O que houve?"

"Escuta", disse Apolo. "A coisa ficou séria. Maria encontrou uma palavra-chave. Talvez a única coisa que possa convencer seu avô. Você precisa usar esse nome. Está pronto?"

"Manda, Apolo. Fala logo."

"O nome é 'Projeto Prometeus'. Repita: Prometeus. Diga a ele que a Maria sabe de tudo. Diga que é sobre isso. É a nossa única chance."

Houve um segundo de silêncio. "Entendido, Apolo. Projeto Prometeus. Estamos chegando lá. Câmbio, desligo."

                                             ─── ⚜ ───

Enquanto a fúria focada tomava conta do bunker, Marcos e Jonathan guiaram Sérgio até a propriedade que parecia ter sido esquecida pelo tempo. Eles encontraram o avô nos fundos. Artur Jankowski, um polonês de olhar duro, estava sentado em um banquinho, limpando metodicamente as peças de um fuzil Kalashnikov.

"Vô?", chamou Marcos, hesitante.

Artur nem levantou a cabeça. "Não é dia de visita. E trouxeram um amigo de novo. Espero que não seja para quebrar outra janela com aquela bola de futebol." Ele finalmente os encarou. "O que vocês querem?"

"Vô, a gente precisa da sua ajuda", começou Jonathan. "É sobre construir uma coisa. Um comunicador... interdimensional."

Artur parou e encarou os próprios netos com puro escárnio. "Comunicador interdimensional?" Ele soltou uma risada curta. "Vocês andaram cheirando éter? Jonathan, Marcos, o que eu lhes disse sobre as más influências da cidade?" ele disse, olhando diretamente para Sérgio. "Saiam daqui."

Frustrado, Marcos explodiu, usando a carta que Apolo lhe dera. "Não é brincadeira! É sobre o avô dela, Alberto Costa! É sobre o seu pai! É sobre o Projeto Prometeus!"

O sarcasmo no rosto de Artur se estilhaçou. O pano com óleo de arma caiu de sua mão. "O que... foi que você disse?", ele perguntou, a voz baixa e perigosa.

"Projeto Prometeus, Vô", repetiu Jonathan.

"Entrem. Agora."

Dentro da oficina, Artur revelou seu passado. "Alberto Costa era um poeta", disse ele, a voz um rosnado amargo. "E meu pai... meu pai era o tolo que o seguia. Um cão leal a uma seita. Prometeus era o altar deles." Ele contou sobre sua rebelião, o pacto com a KGB, a criação do Buzzer 76 como arma contra seu próprio sangue. E então, a dor. "Minha tecnologia foi corrompida. Eu tinha um aliado na KGB. Um amigo. Yuri. Estávamos aprimorando o Buzzer... e então, tudo deu errado." Ele fechou os olhos. "Sabotagem. A alma de Yuri... foi arrancada. Seu corpo ficou para trás, em algum hospital militar em Moscou. Mas sua mente... está presa lá. Naquele ruído."

Artur os encarou. "Eu não vou ao bunker. Mas farei uma oferta. Vou construir para vocês uma UVB 0.0, uma versão 2.0 da Buzzer, a frequência Fantasma. É uma frequência exclusiva para que ninguém nos rastreie. Serei seu escudo. Em troca... vocês têm que trazer meu amigo de volta. Vocês têm que trazer Yuri para casa."

                                             ─── ⚜ ───

De volta ao bunker, Maria encontrou a anotação de seu avô sobre as "frequências fantasmas". Os garotos voltaram. O comunicador militar foi ligado. A voz de Artur encheu o bunker e, sob sua orientação, a ciência e a bruxaria se uniram.

As horas passaram em um borrão de solda, faíscas e o cheiro de ozônio. "Está pronto", disse Maria, exausta.

"Agora", ordenou Artur. "Gire o dial. Devagar."

Maria girou o botão. O chiado familiar se tornou um zumbido grave, rítmico. O som da UVB ponto zero. Ele bateu uma, duas, três vezes. E então, falhou. No silêncio que se seguiu, uma voz emergiu. Fraca, quebrada.

... pomogite ... ya zdes ... kholodno ... pomogite ...

Mike empalideceu. Maria já estava com o tablet em mãos — o mesmo que usaram para traduzir as palavras do russo que encontraram antes. Seus dedos voaram sobre a tela, capturando a fala.

Ela ergueu os olhos, o rosto pálido.

"Tradução: Ajuda... estou aqui... frio... ajuda."

A voz de Artur no rádio tremeu, carregada de uma emoção que ele tentava esconder há décadas. "É ele. É Yuri."

Mas Maria, com a mente a mil, interveio. "Senhor Artur, espere." Ela pegou o microfone. "Com todo respeito, como pode ter certeza? Nós... nós encontramos outro russo. Ele nos contou sobre um desaparecimento, mas foi agora, recente. O que o senhor descreveu aconteceu há décadas. Não estamos... não estamos sendo enganados?"

Houve um longo silêncio. Quando Artur falou, sua voz era a de um professor revelando um segredo terrível.

"Uma pergunta inteligente, menina." Ele respirou fundo. "Vocês conhecem a história do Experimento Filadélfia? A KGB tinha seu próprio projeto, muito mais avançado. Yuri... e outro homem estavam nessa missão."

"Outro homem?", perguntou Mike.

"Sim. Nicolau Zorbatrov. Um cientista quase um século à frente de seu tempo. Ele acreditava que podia usar as dobras dimensionais para se conectar ao que chamava de... dimensão wireless visual. Yuri era o piloto. Nicolau era o navegador. Mas eles não apenas viajaram no espaço. Eles escorregaram no tempo."

"O russo que vocês conheceram era Zorbatrov. Deslocado no tempo, revivendo o momento em que perdeu Yuri. Para ele, aconteceu ontem. Para mim, há uma vida. E para Yuri... para Yuri, está acontecendo agora. Ele está preso naquele único segundo de agonia, congelado entre as dimensões."

Um silêncio chocado tomou conta do bunker. Maria processou a informação. Viagem no tempo. Almas arrancadas. Nada mais parecia impossível. "Eu... eu entendo", disse ela.

Enquanto a revelação assentava, Apolo, sempre pragmático, pegou o telefone. Ele discou um número que conhecia bem.

"Alô, Dona Helena? É o Apolo... Sim, tudo bem por aqui... Olha, eu sei que é em cima da hora, mas será que os meninos e o Sérgio podiam dormir aqui em casa hoje? A gente ia fazer uma maratona de séries, sabe como é..."

Houve uma pausa e a voz de Helena soou, um pouco cansada. "Ah, Apolo, querido. O Matteo vai reclamar que eles não estão aqui pra ajudar a arrumar a garagem amanhã, mas... por mim tudo bem. Juízo, hein?"

Apolo sorriu, aliviado. "Prometo, sem bagunça! Muito, muito obrigado! Boa noite para a senhora também, e manda um abraço pro Seu Matteo!"

Ele desligou. "Pronto. Vocês oficialmente não existem para o mundo exterior esta noite. Estão salvos."

A voz de Artur soou uma última vez pelo rádio, agora focada, a dor guardada novamente. "Obrigado, menina, por sua cautela. E por sua confiança. Agora vocês sabem a verdade. A troca começa. Eu serei seu fantasma. E vocês serão a esperança de Yuri."

Eles se olharam. A missão tinha um nome, um rosto e uma urgência que transcendia o tempo. Não era mais apenas sobre atacar a CIA ou a KGB, mas sim as consequências das ações destas organizações.

Era um resgate e uma missão de reconhecimento.

E o relógio de trinta e seis horas, implacável, continuava correndo, cada segundo um eco mais próximo da chegada de Kairós e da abertura do portal, não para a guerra, mas para a Dimensão 4.
A busca pelo manual que ele promete decifrar.

Capítulo 2: Um Dia e Meio.

                                                               
Capítulo 2: Um Dia e Meio.

A palavra de Mike — "Nós vamos" — caiu no silêncio do bunker como uma sentença. Antes que pudesse assentar, Maria a cortou com um golpe seco.

— Não!

A exclamação foi tão afiada que fez todos se sobressaltarem. Ela se postou entre Mike, Apolo e o portal dourado — uma barreira de pura teimosia, o corpo tenso.

— De jeito nenhum. — A voz mais baixa, mas vibrando. — Eles acabaram de voltar. Mal tiveram tempo de respirar.

Apolo tentou intervir.

— Maria, ele é nossa única chance. Nós vimos o que está lá fora. Precisamos de um novo manual.

— E nós vamos conseguir um! — Ela o encarou, os olhos faiscando, depois se virou para Kairós. — Mas não assim. Não com um salto cego em um completo estranho. Isso não é lógico. É desesperado.

Beatriz deu um passo à frente, a voz suave mas firme.

— Ela tem razão, Apolo. Você está exausto. Nós todos estamos. Precisamos de um plano, não de mais um risco.

O ar pesou. Não era uma briga — era um cabo de guerra de convicções, cada um puxando para um lado.

Kairós observou em silêncio. Seus olhos percorreram cada rosto, como quem lê um mapa antes de escolher o caminho.

— Sua cautela é justa — disse ele, a voz calma, ecoando no bunker como se viesse de um lugar muito distante. — Mas a lógica de vocês opera com base no tempo que acreditam ter. E o tempo é um luxo que está se esgotando.

Ele gesticulou para o espaço onde o portal estivera.

— Este caminho exige minha vontade para se manter aberto. Não posso mantê-lo aqui indefinidamente. Posso lhes dar um dia e meio. Trinta e seis horas do tempo de vocês. Depois disso, a porta se fecha.

A oferta pairou. Maria sentiu a urgência, mas sua mente pragmática se agarrou à oportunidade.

— Tudo bem — disse ela. — Um dia e meio. Mas com uma condição. — Seus olhos se fixaram em Mike. — Preciso de uma forma de contatá-los. De ter uma garantia. Preciso desse tempo para trabalhar.

Mike assentiu. Kairós inclinou a cabeça.

— Um acordo justo. — Ele fez uma pausa. — Enquanto vocês se preparam, eu farei um reconhecimento. A fortaleza onde vocês estiveram. Vou ver o que deixaram para trás — e o que está vindo atrás de vocês.

A frase pairou. O que ele encontraria lá? O que já estaria esperando?

— Em um dia e meio, esta porta se abrirá novamente. Estejam prontos.

Com um último olhar, Kairós atravessou o véu dourado. O portal se fechou com um som suave — não um estalo, não um trovão. Apenas um suspiro, como se a própria realidade tivesse soltado o ar que segurava.

O tique-taque de um relógio invisível começou.

A paralisia se quebrou.

— Beatriz, preciso de você. Os garotos, atenção! — Maria já estava se movendo em direção ao terminal.

Marcos, Jonathan e Sérgio se aproximaram. A ideia do comunicador foi lançada — e a conversa rapidamente chegou ao avô deles.

— A gente vai falar com ele — disse Jonathan, determinado. Os olhos dele brilharam. — Meu avô vai entender. Ele sempre disse que o rádio era a única coisa que o governo não conseguia calar.

Maria assentiu, um raro sorriso de esperança tocando seus lábios.

— Vão. Com cuidado.

Em minutos, os garotos estavam em suas bicicletas, pedalando para fora do bunker em direção a uma esperança incerta.

Maria, com Beatriz ao lado, abriu uma caixa empoeirada. Lá dentro, entre peças antigas e cabos retorcidos, encontrou um grande rádio de mesa. Ela olhou para a tela do computador, onde os arquivos do Dr. Helena Costa — seu pai — ainda estavam abertos.

— Os esquemas dele são para tecnologia de ponta que foi explodida. — A voz dela carregava uma ironia amarga. — Ele tentou destruir tudo isso anos atrás. Por isso chamavam ele de herege.

Ela respirou fundo.

— Mas a teoria... a matemática... é a mesma. Então vamos fazer no Capítulo 2: Um Dia e Meio

A palavra de Mike — "Nós vamos" — caiu no silêncio do bunker como uma sentença. Antes que pudesse assentar, Maria a cortou com um golpe seco.

— Não!

A exclamação foi tão afiada que fez todos se sobressaltarem. Ela se postou entre Mike, Apolo e o portal dourado — uma barreira de pura teimosia, o corpo tenso.

— De jeito nenhum. — A voz mais baixa, mas vibrando. — Eles acabaram de voltar. Mal tiveram tempo de respirar.

Apolo tentou intervir.

— Maria, ele é nossa única chance. Nós vimos o que está lá fora. Precisamos de um novo manual.

— E nós vamos conseguir um! — Ela o encarou, os olhos faiscando, depois se virou para Kairós. — Mas não assim. Não com um salto cego em um completo estranho. Isso não é lógico. É desesperado.

Beatriz deu um passo à frente, a voz suave mas firme.

— Ela tem razão, Apolo. Você está exausto. Nós todos estamos. Precisamos de um plano, não de mais um risco.

O ar pesou. Não era uma briga — era um cabo de guerra de convicções, cada um puxando para um lado.

Kairós observou em silêncio. Seus olhos percorreram cada rosto, como quem lê um mapa antes de escolher o caminho.

— Sua cautela é justa — disse ele, a voz calma, ecoando no bunker como se viesse de um lugar muito distante. — Mas a lógica de vocês opera com base no tempo que acreditam ter. E o tempo é um luxo que está se esgotando.

Ele gesticulou para o espaço onde o portal estivera.

— Este caminho exige minha vontade para se manter aberto. Não posso mantê-lo aqui indefinidamente. Posso lhes dar um dia e meio. Trinta e seis horas do tempo de vocês. Depois disso, a porta se fecha.

A oferta pairou. Maria sentiu a urgência, mas sua mente pragmática se agarrou à oportunidade.

— Tudo bem — disse ela. — Um dia e meio. Mas com uma condição. — Seus olhos se fixaram em Mike. — Preciso de uma forma de contatá-los. De ter uma garantia. Preciso desse tempo para trabalhar.

Mike assentiu. Kairós inclinou a cabeça.

— Um acordo justo. — Ele fez uma pausa. — Enquanto vocês se preparam, eu farei um reconhecimento. A fortaleza onde vocês estiveram. Vou ver o que deixaram para trás — e o que está vindo atrás de vocês.

A frase pairou. O que ele encontraria lá? O que já estaria esperando?

— Em um dia e meio, esta porta se abrirá novamente. Estejam prontos.

Com um último olhar, Kairós atravessou o véu dourado. O portal se fechou com um som suave — não um estalo, não um trovão. Apenas um suspiro, como se a própria realidade tivesse soltado o ar que segurava.

O tique-taque de um relógio invisível começou.

A paralisia se quebrou.

— Beatriz, preciso de você. Os garotos, atenção! — Maria já estava se movendo em direção ao terminal.

Marcos, Jonathan e Sérgio se aproximaram. A ideia do comunicador foi lançada — e a conversa rapidamente chegou ao avô deles.

— A gente vai falar com ele — disse Jonathan, determinado. Os olhos dele brilharam. — Meu avô vai entender. Ele sempre disse que o rádio era a única coisa que o governo não conseguia calar.

Maria assentiu, um raro sorriso de esperança tocando seus lábios.

— Vão. Com cuidado.

Em minutos, os garotos estavam em suas bicicletas, pedalando para fora do bunker em direção a uma esperança incerta.

Maria, com Beatriz ao lado, abriu uma caixa empoeirada. Lá dentro, entre peças antigas e cabos retorcidos, encontrou um grande rádio de mesa. Ela olhou para a tela do computador, onde os arquivos do Dr. Helena Costa — seu pai — ainda estavam abertos.

— Os esquemas dele são para tecnologia de ponta que foi explodida. — A voz dela carregava uma ironia amarga. — Ele tentou destruir tudo isso anos atrás. Por isso chamavam ele de herege.

Ela respirou fundo.

— Mas a teoria... a matemática... é a mesma. Então vamos fazer no modo punk. Vamos pegar a alma do projeto do meu pai e enfiá-la no corpo de um dinossauro.

As horas seguintes foram um borrão de foco. Maria desmontou o rádio, peça por peça, enquanto Beatriz segurava a lanterna e passava as ferramentas.

Foi durante uma pausa — quando Beatriz foi buscar mais café — que Mike se aproximou. Ele ficou ali, ao lado dela, observando as peças espalhadas.

— Aquele nome. Cronos. — Ele falou baixo, sem encará-la. — Você sentiu alguma coisa. Eu vi.

Maria parou. Os dedos ainda seguravam um fio, mas não se moveram.

— Você viu?

— Tô acostumado a ler as pessoas. — Ele finalmente virou o rosto. — Principalmente você.

Ela hesitou. O silêncio entre eles não era desconfortável. Era íntimo.

— Eu já ouvi esse nome antes. — Ela baixou a voz. — Não em voz alta. Mas num transe. Quando a gente tava montando o bracelete, antes de tudo isso. Eu ouvi a palavra "Cronos". E agora, quando ele disse...

— Foi igual.

Ela assentiu.

— Foi igual.

Mike não respondeu de imediato. Ele olhou para as mãos, entrelaçadas sobre a mesa.

— Eu também tive uma. — A voz dele ficou mais seca, mais militar — mas havia uma fenda ali, uma rachadura. — Na chácara do meu pai. Em Caxias. Foi antes da carreira militar, antes de tudo.

Maria virou o corpo para ele.

— O que aconteceu?

— Eu estava na cozinha. De frente pra varanda do rancho. Lembro de olhar pro quintal. — Ele fez uma pausa. — E aí... apaguei.

— Apagou?

— Acordei na cama. Não sei como fui parar lá. Não sei quanto tempo passou. — Ele passou a mão no rosto, um gesto cansado. — Naquela noite, eu ouvi uma palavra. Uma só. Khael.

Maria prendeu a respiração.

— Khael?

— Não sei o que significa. Nunca soube. — Ele ergueu os olhos para ela. — Mas aquilo me perturbou por anos. Até hoje, quando penso, sinto um peso no peito. E agora, com tudo isso, com o Kairós, com os portais... começo a achar que não foi um sonho.

— Você acha que foi uma premonição?

— Não sei. — A resposta foi seca, mas o olhar era vulnerável. — Só sei que aquela noite, eu vi coisas. Sombras. Movimentos. Não entendia o que era. — Ele balançou a cabeça. — Mas agora, depois do que vimos na fortaleza... parece que tudo começa a se encaixar.

O silêncio voltou. Diferente. Mais pesado.

Maria colocou a mão sobre a dele, um toque rápido, sem firulas.

— A gente vai descobrir o que isso significa.

Mike não respondeu. Mas não retirou a mão.

A porta do bunker rangeu. Beatriz voltava.

Os dois se afastaram, cada um de volta à sua tarefa — mas o que foi dito ficou no ar.

Beatriz entrou com o café.

— Vocês tão bem?

— Tô. — Mike já estava pegando uma chave de fenda. — Vamos trabalhar.

Maria olhou para ele por um segundo, depois voltou a desmontar o rádio.

As horas seguintes foram um borrão de foco. Foi nessa busca por componentes que a mão de Maria encontrou algo no fundo da caixa — três cadernos de capa dura, cobertos de poeira.

Ela os puxou. Abriu o primeiro. O cheiro de papel velho subiu das páginas.

Diários de Pesquisa. A.C.

As iniciais do avô dela.

Maria folheou até encontrar uma entrada datada de décadas atrás. Leu em silêncio, os olhos percorrendo as palavras.

17 de Junho.

A pressão de Washington aumentou. O pessoal da CIA está aqui novamente. Eles não se importam com a ciência, apenas com a aplicação. Continuam se referindo ao nosso trabalho como "Programa de Estudos Especiais".

Mas entre nós, o círculo interno, o nome é outro. E ele carrega o peso de nossas ambições e de nossos medos.

Nós o chamamos de Projeto Prometeus.

Maria parou de respirar. Os olhos arregalados.

— Prometeus...

A palavra saiu como um sopro.

O mesmo nome que seu pai havia riscado de todos os relatórios antes de desaparecer.

Ela ficou imóvel. O diário aberto em uma mão. O rádio desmontado na mesa. Entre eles, décadas de silêncio, segredos e escolhas que ainda não tinham sido feitas.

Ela não sabia se estava prestes a salvar tudo — ou a destruir o que restava.

Capítulo 1: O Convite do Interventor.


                                                   Capítulo 1: O Convite do Interventor
Arco 3: Projeto Érebus

O silêncio no bunker pesava como uma mão sobre o peito de cada um. O portal triangular dourado atrás de Kairós pulsava devagar, como um coração de luz, projetando sombras que se alongavam pelas paredes de concreto. Ninguém se mexia. Maria segurava a respiração. Beatriz tinha as mãos frias. Os garotos, encolhidos no canto, pareciam estátuas.

Mike foi o primeiro a falar. Não se moveu, mas a voz saiu baixa e cortante.

— Guardião... interino? — Ele pesou cada palavra. — O que aconteceu com o titular do cargo?

Kairós ficou em silêncio por um instante. Seus olhos percorreram o ambiente com calma, como quem está acostumado a esperar antes de responder. Por um breve momento, seu olhar pousou no chão — numa marca circular e escura, como se algo tivesse sido apagado da existência. Um vazio perfeito.

Então ele desviou os olhos. Olhou para Apolo. Diretamente nos olhos dele. O rosto de Apolo ainda estava pálido do choque da batalha, das visões, de tudo o que tinham visto na fortaleza. Kairós sustentou o olhar por alguns segundos, como se lesse algo ali que ninguém mais conseguia ver.

Depois, com uma voz baixa e cansada, respondeu:

— Meu irmão, Chronos... desapareceu.

A frase caiu no bunker como uma âncora. Maria levou a mão à boca. Mas ali, no fundo do peito, algo se mexeu. Uma vibração fina, como uma corda esticada que alguém acabara de tocar. Ela já tinha ouvido aquele nome antes. Não em voz alta, não num livro. Mas em algum lugar dentro dela — numa noite silenciosa, num transe que ela nunca soube explicar. A palavra chegou antes de ele dizer. Mas ela não contou a ninguém. Não agora. Não ainda.

Apolo piscou, como se tivesse levado um soco.

— E por que você acha que nós temos algo a ver com isso? — Maria perguntou, dando um passo à frente. A desconfiança era evidente em seus olhos.

Kairós inclinou a cabeça.

— Porque vocês são os primeiros, em muito tempo, que conseguiram fazer barulho o suficiente para que eu os ouvisse. — Ele apontou com o queixo para o bracelete no pulso de Mike. — Este dispositivo. Ele não viaja pelo tempo. Ele rasga o tecido dele. Cada salto de vocês deixa uma cicatriz na realidade. E quando vocês abriram caminho por entre as dimensões como uma faca quente... eu ouvi.

Ele deu alguns passos lentos pela sala. Suas botas gastas quase não faziam som no concreto. Parou perto da mesa principal, e seus olhos encontraram novamente a marca escura no chão.

— Foi um desses gritos que me trouxe até a memória deste lugar. A memória de um roubo. — Sua voz mudou de tom, ficou mais grave. — Vocês conheceram um homem. Um russo. Desesperado. Assustado. Vocês o viram como uma vítima. E ele era. Mas ele também era um ladrão.

Kairós tocou a superfície da mesa com um dedo. O ar vibrou. Um holograma dourado surgiu, mostrando imagens fluidas como pinturas vivas: um templo colossal feito de engrenagens e luz, figuras encapuzadas em movimento, um pedestal onde glifos brilhantes flutuavam em dança lenta.

— O Templo do Tempo Serôdio. — A voz dele se tornou mais suave. — Na minha dimensão. É um lugar de equilíbrio, onde as memórias do que foi e os ecos do que pode ser são guardados. — A imagem focou nos glifos. — Estas não são apenas chaves para viagens. São atalhos fundamentais para as leis da física. Cada um é um "dízimo" pago pela realidade para se manter coesa.

A cena mudou. Dois homens invadindo o templo. Um deles arrancou os glifos do pedestal com as mãos nuas. O holograma tremeu.

— Ele não sabia o que estava roubando. A KGB ameaçou a família dele, e ele obedeceu. Ele e seu parceiro. — A imagem mostrou a fuga para um portal instável. — Na tentativa de voltar, a realidade exigiu seu pagamento. O parceiro dele foi... fundido. Parte dele ficou aqui, parte ficou lá. Ivan escapou com os glifos, mas trouxe o caos consigo.

Kairós desfez o holograma com um gesto.

— Estou aqui por dois motivos. — Ele ergueu os dedos. — Recuperar o que foi roubado. E entender o que vocês viram lá dentro.

Apolo estremeceu ao ouvir a referência à fortaleza.

— Você viu também? — perguntou, a voz falhando.

— Não preciso ver. — Kairós baixou a mão. — Eu sinto. O que vocês viram — seres que mudam de forma, sombras que se vestem de carne — são habitantes da Dimensão Dois. A prisão que foi criada para eles.

— E agora a prisão está com os portões abertos — Mike disse, a mandíbula tensa.

— Pior. — A voz de Kairós ficou ainda mais grave. — Eles estão sendo convidados a entrar. Aqueles seres são peões de uma vontade maior. Uma consciência que busca reescrever a criação à sua própria imagem. Nós o chamamos de Demiurgo.

Maria franziu a testa.

— Demiurgo?

— Um arquiteto que não construiu a casa, mas acha que pode reformá-la melhor. — Kairós a encarou. — O projeto da CIA é um ritual para dar a ele um ponto de entrada neste plano. E com Chronos fora do caminho, não há mais um sistema imunológico para combatê-lo.

Beatriz falou pela primeira vez.

— Você disse que é o guardião interino. Por que não pode impedi-lo?

Kairós olhou para ela com respeito.

— Porque eu sou Kairós. — Sua voz pareceu ecoar. — Eu governo os momentos, as oportunidades. Meu irmão governava a linearidade — o rio do tempo. Eu posso abrir uma porta no meio de uma tempestade, mas não posso impedi-la.

Ele se virou para Mike e Apolo.

— Vocês entraram naquela fortaleza como um meteoro. Deixaram rastros. Fizeram barulho. Mas não entenderam o que enfrentavam. — Ele estendeu a mão sobre o bracelete de Mike, e os glifos brilharam em resposta. — Vocês têm as chaves, mas não sabem lê-las. Para enfrentar o Demiurgo, precisam entender as regras que ele está quebrando.

O tom de Kairós mudou.

— Mike. Apolo. — Ele os chamou pelo nome. — Venham comigo para a Dimensão Quatro. Venham ao Templo do Tempo Serôdio. Deixem-me mostrar o que vocês realmente carregam no pulso. Ensiná-los a usar essas chaves com precisão — não como quem arromba uma porta, mas como quem a destranca.

— Não! — Maria exclamou, entrando na frente. — Eles acabaram de voltar. Você não pode levá-los para outro universo!

— Ele é nossa única chance, Maria. — Apolo falou, e sua voz tinha uma nova qualidade. — Nós vimos o que está lá fora. A física que eu conheço não se aplica mais. Precisamos de um novo manual.

Mike olhou para Kairós.

— O que garante que podemos voltar?

Kairós sustentou o olhar dele.

— Eu sou a garantia. — Não havia arrogância em sua voz, apenas certeza. — Meus caminhos são estáveis. Vocês irão. Voltarão. Isso é um fato.

Mike respirou fundo. Olhou para sua equipe. Viu a determinação em Apolo, o medo em Maria, a confiança em Beatriz. Os garotos atrás, apertados uns contra os outros.

— Tudo bem. — A voz saiu firme. — Nós vamos

domingo, 21 de junho de 2026

Lançamento Volume 2

 "Lançamento da continuação da Websérie Protocolo Vértice Conspiração Extradimensional - Arco 3: Projeto Érebus.

Data: 05 de Julho de 2026.

No Blogger e Whatsapp..


Pausa por tempo indeterminado...

Pessoal que talvez tenha lido algo naknsei se realmente isso está acontecendo...  Mais queria expressar que estou passando por uma situação ...